segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

muito dos meus excessos são pela palavra, pelo uso e abuso da palavra.
palavras, palavras.
vontade de falar e ouvir, necessidade de diálogo comigo mesma.
sinto-me desafiada pelo silêncio, pelo meu silêncio. o silêncio me condena ao exagero, ao devaneio.
ando sempre com papel e caneta. escrevo todos os dias.
esse abundar de dizeres e falas talvez seja um pouco do que me restou do trabalho árduo com a filosofia.
sobejos.
fiquei impregnada pela lida com a palavra, metier dos filósofos, dos poetas e dos escritores.
palavra-escárnio, palavra-lasciva, palavra-pedra.
minha palavra é vítima de mim mesma, sofre da loucura de se fazer viva no papel ou na tela do computador. a brancura sempre desafiadora do papel e da tela...
um vazio que grita aos meus ouvidos: "comete aqui teus pecados. livra-te dos teus silêncios. vem perder-te em tuas ranhuras equívocas. risca em minha pele tua fúria."
e lá vou eu me excedendo no gesto da escrita, gritando meus insanos hieróglifos, arabescos indecifráveis. e vivo assim perpetuando o meu pecado diário, puro vício sub-reptício.

13 comentários:

Arnaldo disse...

Sou, também, um escravo da palavra. É meu vício, minha primeira necessidade. A palavra escrita e a palavra falada. Mas nem sempre foi assim. No início era só a palavra escrita que me seduzia. E aí, o que não era silêncio, pra mim, era silêncio pras outras pessoas, a menos que me lessem. Hoje, a palavra falada ocupa o espaço sonoro de quem convive comigo. Faço da boca a minha arma e da palavra a munição.

Adoro também o palavrão, não o mais chulo, mas o mais inteligente. Por isso, quando quero ofender, quando quero ser cruel, não chamo o inimigo de filho da puta, mas sim, de burro. Isso me dá muito mais satisfação.

Vanessa Dantas disse...

Ótimo texto, Andrea!

Muito dos meus excessos (disparates?) também são pela palavra - pelo uso e abuso - falada e escrita.

E o silêncio? Gosto dele, mas como é perigoso...

Beijos.

martins . disse...

Oi Deinha,
por mim, que não tenho aquela potência absoluta que permita
manejar a classificação do bem e do mal, gosto da palavra nua.
palavras que dizem.
gosto da cronística sincera da loucura, o que seja, despojada
da malícia, dos disfarces, das reticências, dos farrapos
que encobrem o murmúrio, a esquiva. gosto da palavra direta -
que confronta impressões, pensamentos. não gosto do silêncio
arrogante, pretencioso, egocêntrico e limitado conforme os
caprichos e birras de algum falante mimado.

minhas palavras podem ser vivas, pulsantes e enérgicas.
às vezes perpetro meus excessos, mas também sou muito aberta.
gosto de uma boa prosa. aprendi a ser assim desde muito e cedo
e cultivo isso. tenho o gênio forte, mas não faltam palavras
de ternura.

carinho,
dea.

nora disse...

eu náo gosto da palavra, mas do que ela diz

andrea disse...

eu não gosto de ALGUMAS palavras.
e acho que quem diz somos nós, a palavra é só meio, como uma muleta, um óculos, sei lá....

dea, podemos ser cruéis com palavras doces... acho que esse é o lance absolutamente sedutor da linguagem.

beijos em vcs.

maria disse...

Também considero a palavra matéria bruta, meio, intermezzo, ponte, tijolo. E considero também o poder de usar a palavra maior que ela.
Parabéns!

martins . disse...
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martins . disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
martins . disse...

canções de ninar podem incitar o medo, a tragédia, a maldade, o abandono "atirei o pau no gato.." sim, a palavra insidiosa é cruel.

Petrus disse...

Déa, gosto da sua assertividade! Pelo menos, te considero assim, sem enrolação! As pessoas andam tão vacilantes, sentem medo de afirmar e se posicionar sobre tudo, até sobre uma banalidade qualquer! Elas têm medo da crítica, não querem se sentir excluídas!
Como é bom ler alguém que diz como as coisas são! Isso me lembra a Hanna Arendt, mas sem a amargura!
Bjks.
:)))

andrea disse...

poxa, pedro, que bonito isso.
e vindo de você, que eu respeito tanto, sinto-me lisonjeada.
beijos

Petrus disse...

Disponha!!!
Bjks.
:)))

Anônimo disse...

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