domingo, 28 de dezembro de 2008

RETRATO DA COISA ENQUANTO EU

Neste fim de ano estou sozinha. Sou sozinha. Todos somos! Difícil e bom, dor e delícia. Escolha minha. Vou onde quero, faço o que tenho vontade. Meus companheiros são os discos, os livros, o computador, a cidade e o vento que sopra nela. Não me preocupo com a festa de passagem de ano, passo até em silêncio, se for o caso, e não ficaria deprimida por isso. Acho bom o silêncio nessa hora em que poucos podem ser ouvidos. Sou uma pessoa impaciente, curiosa, rápida e incapaz de dominar meu próprio temperamento. Procuro secretamente o meu foco e o meu modo auto-limpante. Sou frost-free, não deixo meus resíduos por aí. Escondo meus desatinos, por mais que eles gritem. Leio 5 livros ao mesmo tempo, vejo um filme por dia, faço minha própria comida, durmo pouco e isso me faz bem. Gosto muito dos meus amigos, mas sou incapaz de perdoar certos deslizes. Namorado de amiga minha não é homem, no sentido mais viril e sexual da definição. Isso pra mim é regra e não tem discussão. Posso soar conservadora, mas meus sentimentos não toleram certos excessos. Eu, quando amo, amo muito, sou protetora. Por isso sou mãe, canalizo esta energia maternal instintiva. Pesco uma frase de Caio Fernando Abreu: "depois de todas as tempestades e todos os naufrágios, o que fica de mim em mim é cada vez mais essencial e verdadeiro". Um sobrevivente é acima de tudo um forte. Não sou mística ou religiosa. Não rezo, não oro, não peço, apenas agradeço. Deus para mim são as coisas bonitas, as atitudes boas, a manifestação da(s) natureza (s), os momentos inesquecíveis, o olhar cúmplice dos amantes, o sorriso de uma criança. Deus pode ser quem ou o quê. Não importa. Gosto, no entanto, do I Ching e do tarôt do Crowley. Astrologia me confunde, sou cética demais pra isso. Posso ser áries com ascendente em virgem ou áries com ascendente em leão, e os dois parecem fazer sentido (minha mãe não sabe exatamente a hora do meu nascimento) . Gosto de pular de ponte sobre um rio de águas profundas, fazia muito isso na infância, mas gosto também de ver a água tranquila, decantando devagar. Sou mais cachoeira do que mar. Adoro o Rio de Janeiro porque tem montanhas. Leio os jornais todos os dias. Tenho sono leve, acordo com passarinho cantando. Bebo litros de água. Tomo chá diariamente. Gosto de escrever, às vezes nem quero, mas quando vejo estou com lápis e papel na mão. Minhas melhores idéias tomam a primeira forma com lápis e papel, tenho apreço pelos rascunhos. Meu relógio biológico é preciso, conheço muito bem meu corpo. E acho que não existe terapia melhor do que amar e receber amor, do que gostar de verdade do que se faz e ser reconhecido por isso. Ser mulher pra mim é uma busca constante, não tem fim, penso. A morte não me preocupa. O desejo me move. Uma fogueira arde em mim, transformadora, destruidora, pura combustão. O vento mexe comigo, a água me acalma e a terra me apraz. Sou forte, fogo, força. Mas sou pequena, teimosa, confusa e autoritária, porque quando vi já fiz e exijo troca. O que eu não sou deixo pra depois.

2 comentários:

Petrus disse...

Mudamos a nossa vida, mas a vida também nos muda. Auto-reflexões são necessárias, sempre. Como se diz, "take a walk on the wild side".
Beijos.
:)))

cadernodadea disse...

como nos disse lou reed!
mas isso são abobrinhas... auto-reflexão é pesado demais pra isso aí.
haha
bj