fechadura fama
a fechadura da porta. da porta de casa.
espelho e maçaneta antigos.
bati essa porta com a chave dentro,
duas vezes em uma mesma semana.
é como se eu fugisse do meu mundo e
jogasse a chave fora... dá um desolamento, uma fragilidade, uma sensação de perda.
mas há o chaveiro da esquina que chamo e,
com ele, os sinais de arrombamento.
a chave, na mão, quase sempre abre a porta.
mas é fácil perder uma chave.
trocar a chave, esquecer a chave.
difícil é errar de porta, perder uma porta.
porta é portal. escolha a sua.
chave é passagem, senha, sina.
escolha a sua. a porta e a parede são brancas.
e nada de olhar pelo buraco da fechadura,
a porta está aberta.
entre, a casa é sua.
O assunto porta, fechadura, grades e afins está em pauta na minha vida. e, ontem, lendo o blog do instituto moreira salles, e constatando que não existe coincidências, mesmo! deparei-me com uma carta de maria rita kehl (sou fã dela) que fala, ente outras coisas, sobre nossos medos. recomendo a leitura do texto e da sua correspondência, nada imaginada, com armando freitas filho.
quinta-feira, 26 de maio de 2011
sexta-feira, 20 de maio de 2011
O QUE EU SOU,
"j'ai decidé faire de ma vie la matière même de ma parole". essa frase de duane michals me inspira muito e sempre. decido, então, depois que li os textos dele, somente fotografar o que sou, as minhas coisas e o meu mundo. fotografar a mim mesma não é um insulto. e, mesmo morto, como toda fotografia, o autorretrato ainda preserva algo que fomos um dia, um esboço do futuro, um pequeno tesouro de si mesmo. aqui você encontra os meus autorretratos.
quarta-feira, 18 de maio de 2011
XUE JIYE
se fosse pra usar apenas uma palavra para resumir o trabalho de xue jiye, usaria a palavra 'crueza', muito bem empregada por quem me apresentou essas pinturas. mas pra mim o trabalho como um todo transmite uma sensação não só de crueza, mas de descarnamento, desembrulho. há em xue jiye uma estranha sensação de negação do humano, um estoicismo auto-flagrante, uma punição indiferente. gosto bastante.
terça-feira, 17 de maio de 2011
BUTECO 'PÉ SUJO'
sou uma andarilha. e andando (e bebendo) pelas ruas do rio de janeiro sempre encontro coisas interessantes pra fotografar e admirar. muitas vezes descubro coisas que um olhar comum não veria. gosto de perceber detalhes escondidos... os butecos 'pé sujo' estão, infelizmente, acabando. no lugar deles estão surgindo butecos repaginados que exibem cardápios com preços de bares bacanas, os garçons ganham uniformes e aventais mais limpos e a freguesia muda, obviamente. muita gente conhece como 'copo sujo', 'bunda de fora', ou seja lá o que for. eu gosto e frequento os 'pé sujo', cerveja barata e papo com um fiel amigo, não preciso de mais nada, muitas vezes... mas ao mesmo tempo os 'pé sujo' são difíceis, quase nunca arrisco comer nada, mas gosto de olhar os avos coloridos e o apetite de alguns mais animados em devorar os danados com sal, cachaça ou cerveja. os banheiros, no geral, são péssimos, as cantadas, então,... bom, deixa pra lá.... as fotos são feitas pelo celular, na pressa, muitas vezes depois do brinde, muitas vezes sendo empurrada pelos garçons ou por algum frequentador mais bêbado que eu... a série mais completa está aqui. e como continuo andando e bebendo, deve aumentar aos goles, ooops, aos poucos...
quarta-feira, 11 de maio de 2011
NARCISO
na casa da minha mãe, em uberlândia, tem um vaso de narcisos, o vaso é uma herança da minha avó. narciso é uma planta de folha verde escura e larga e meio comprida, quase um mini arbusto. é lindíssima. eu passava café nas folhas pra elas ficarem ainda mais brilhantes quando morava com a minha mãe. a flor é cheirosa, pode ser branca ou amarela (nunca vi narciso amarelo, mas sei que existe...), cheia de pólen e fica assim, voltada pro chão, por isso o nome 'narciso'. pra mim é uma alegria chegar em casa e encontrar aquele vaso florido, sinto a presença de minhas avós....
clicando aqui você pode ver outras flores e cactus para um daltônico.
clicando aqui você pode ver outras flores e cactus para um daltônico.
terça-feira, 10 de maio de 2011
FOTO ESCAMBO - RIO DE JANEIRO
O Foto Escambo é um projeto democrático que visa fomentar o colecionismo e o apreço pela imagem. Um resgate do hábito de possuir uma foto impressa, usando esta forma ancestral de comércio, a troca de um bem por outro, sem a necessidade de dinheiro, promovemos uma interação entre pessoas que gostam de fotografia. mais informaçãoes aqui no blog do foto escambo
segunda-feira, 9 de maio de 2011
JAMES MOLLISON
retratos quase humanos, nome que dou a uma série do fotógrafo britânico james mollison, são fotografias de uma realidade arrebatadora. james mollison é ligado aos trabalhos da benetton que possui uma fundação que fomenta trabalhos de fotógrafos do mundo inteiro. vale a pena uma visita ao site desse grande fotógrafo . gosto bastante dos retratos-denúncia de 'where children sleep'.
EDUARDO GALEANO
"somos um mar de foguinhos. o mundo é isso, uma montão de gente, um mar de foguinhos. não existem dois fogos iguais, cada um brilha com luz própria entre todos os outros. existem fogos grandes, existem fogos pequenos e fogos de todas as cores. existe gente de fogo sereno que nem fica sabendo do vento. existe gente de fogo louco que enche o ar de faíscas. alguns fogos, fogos bobos, não iluminam nem queimam. mas outros, outros ardem a vida com tanta vontade que não se pode olhá-lo sem pestanejar, e quem se aproxima se incendeia".
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JEAN-JACQUES SEMPÉ


um dos ilustradores mais incríveis que eu conheci nos últimos tempos é jean-jacques sempé. seu traço é elegante, preciso, rico em detalhes. adoro a sua ilustração para o 'petit nicolas', parceria com rené goscinny, que foi onde travei o primeiro contato com o seu trabalho. hoje eu li 'raul taburin', um livro sensível e delicado, todo escrito e desenhado por ele, uma preciosidade.
domingo, 8 de maio de 2011
MUDANÇAS RADICAIS
uma das coisas que mais me incomada hoje em dia, além de ter que depilar, é pintar o cabelo. eu adoro pintar as unhas, 'fazer o pé', deixar as unhas negras, vermelhas... raramente 'faço' a sobrancelha, sempre sou eu quem pinta o meu cabelo e, muitas vezes, pinto as unhas eu mesma. detesto 'salão de beleza', odeio aquelas revistas, a televisão ligada, papo de cabeleireiro e, no geral, muitas mulheres reunidas. mas, enfim... o meu problema é grande pois tenho apenas 40 anos para ser tão grisalha como sou. meus cabelos são de uma senhora de quase 60 anos. estou completamente grisalha. e quero, muito, muito, deixar os cabelos brancos aparecerem fartos e brilhantes.. mas falta coragem. eu teria que fazer como no vídeo da cris bierrenbach, fotógrafa-artista que adoro o trabalho. só um gesto radical desses faria sentido pra mim. jamais deixaria a raiz crescer aos poucos... quero muito me ver com o cabelo que eu tenho, sem recursos cosméticos... sinto que a coragem está crescendo! veja aqui o vídeo: http://flic.kr/p/5pqfCD
sexta-feira, 6 de maio de 2011
O PORTÃO DA ESCOLA
o portão da escola da clarice, em dia ensolarado, fotos feitas pelo meu celular... deu vontade de levar a camera outro dia e fazer um ensaio de verdade... inspiração é uma coisa engraçada, bate qualquer hora, em qualquer lugar. e eu ando inspirada, tendo sonhos incríveis, vestindo novas cores, buscando mudar de caminho, buscando novos sabores... acho que estou apaixonada! é, é isso, estou apaixonada! ah, que coisa boa! a série completa aqui: http://www.flickr.com/photos/andreanestrea/sets/72157626661446948/show/
segunda-feira, 2 de maio de 2011
quarta-feira, 27 de abril de 2011
VER COM OS SENTIDOS
"A fotografia não é uma propriedade exclusiva das pessoas que vêem, mas também uma propriedade possível dos cegos." Evgen Bavcar.
o trabalho de evgen bavcar é absolutamente incrível, cego desde os 11 anos de idade, ele nos revela um mundo que escapa aos olhos de quem vê. seus sentidos veem por ele, ele vê através de tudo... esse nu entre luzes lembra muito um autorretrato que fiz. eu não conhecia essa imagem até hoje, mas dialogo com ela. o autorretrato está aqui.
terça-feira, 26 de abril de 2011
REVOLUÇÃO DO OLHAR RUSSO
esse vídeo, um tanto didático, que achei no youtube, nos dá uma visão geral do que foi a vanguarda russa em termos de imagem. a exposição 'Aleksandr Ródtchenko: revolução na fotografia' que esteve em cartaz no Instituto Moreira Salles no Rio de Janeiro e fica até 01/05 na nova Pinacoteca do Estado, em São Paulo, é uma das mais bonitas e bem montadas exposições que eu já pude ver em toda a minha vida. praticamente todas as ampliações são de época, vintage, como se diz hoje em dia, e feitas pelo próprio Ródtchenko, ou seja, são verdadeiros tesouros. nunca vi nada tão precioso em fotografia. e olha que tive em mãos alguns retratos de Nadar de meados do século XIX, verdadeiras jóias, quando fui bolsista da Biblioteca Nacional. o que faz essas imagens serem tão preciosas, no entanto, é o conjunto delas. estão expostas no Brasil uma parte considerável do acervo e do olhar de Ródtchenko que foi pintor, escultor e designer gráfico, além de excelente fotógrafo. imperdível pra quem está em São Paulo. eu passei duas tardes maravilhosas apreciando esta exposição na sede do IMS aqui o Rio, com direito a cafezinho, dia de sol e boa companhia. recomendo o catálago da exposição!
sábado, 23 de abril de 2011
DOMENICO - 2 (+ X + Y + Z) = CINE PRIVÊ
o título do post não é uma provocação, mas uma preposição que, contrariando a matemática e a lógica, só eu posso afirmar. confesso que só voltei meus olhos pra domenico e sua turma, o tal projeto +2, depois que eles assinaram a trilha sonora do grupo corpo. tenho muita, muita preguiça pras coisas novas que pintam por aí, principalmente no cenário musical do rio de janeiro. minha opção primeira, segunda e terceira é sempre ouvir os meus velhos discos de jazz ou música instrumental. curiosidade, no entanto, é uma coisa que sempre tive e acabei tendo em mãos e ouvidos o disco 'cine privê'. ouvi uma vez e senti um certo estranhamento, o que é um bom sinal. foi fácil apertar o play novamente e o 'disco rodou' algumas vezes aqui em casa. eu só vi domênico duas vezes, a primeira foi durante um show de silvia machete no oi futuro e depois, em outro oi futuro, na peça do domingos de oliveira. obviamente que já tinha visto, em dvd, o 'adriana partimpim 2' com a minha filha e o cara tá lá na bateria e tals.. bom, mas tudo isso pra começar a falar do disco. acho que pra dizer certas coisas precisamos nos situar, é bom que o leitor saiba de onde estou falando, por isso a necessidade de tantas palavras, por mais banais.... eu gosto do disco. tem uma sonoridade ímpar, deliciosos barulhinhos e uma voz que parece que tá aqui ao lado, no sofá da sala. não sei se isso é um elogio, obviamente que são impressões. as músicas que mais gostei são 'os pinguinhos' (parece uma brincadeira com uma criança ou, pelo menos, com o universo infantil) e 'pedra e areia', que é demais de boa. adorei a canção que fala italiano, vi ao vivo antes de ouvir o disco e gostei bastante, foi a porta de entrada para o disco. mas a minha preferida talvez seja 'sua beleza', foi ouvindo essa faixa que meu pensamento musical vez links com outras coisas que ouço... e falo aqui de memória musical, antes de tudo, e de paisagens sonoras, imagens que cantam, fotografias que dançam, miragens... enfim, 'X', 'Y' e 'Z' são variáveis, imagine cada uma delas... ouça o disco, veja o filme!
terça-feira, 19 de abril de 2011
TUAREG
'mas ele é guerreiro, ele é bandoleiro, ele é justiceiro, ele é mandigueiro, ele é um tuareg!'
essa noite deu uma vontade avassaladora de ouvir gal costa dos bons e velhos tempos. meu disco preferido dela é o 'cantar', mas pra dar uma arejada resolvi ouvir esse LP, que é de 69, chave de ouro pra essa década louca... infelizmente o meu vinil não tá em boas condições e recorri ao youtube pra ouvir as faixas desse disco que é um dos mais experimentais e radicais de gal costa. pouco visitado, é certo, mas absolutamente incrível e ousado! psicodelia, rock, experimentalismos totais... aí tem jards macalé, guitarra de lanny gordin, capinam, roberto e erasmo, caetano, tudo junto e misturado com uma boa dose de fúria. eu adoro a segunda faixa do lado A, 'tuareg', música de jorge ben, o jor, que tem o mesmo título do livro de alberto vasquez-figueiro, livro que eu ainda li mas quero muito ler. dizem que 'tuareg', nome de origem árabe, significa 'abandonado pelos deuses'. os tuaregues são um povo, homens que vivem há milênios no deserto do sahara, ou seja, é um povo bravo é forte! aumente o volume e faça da sua sala uma pista de dança!PARADA CARDÍACA
essa minha secura
essa falta de sentimento
não tem ninguém que segure,
vem de dentro.
vem da zona escura
donde vem o que sinto.
sinto muito,
sentir é muito lento.
essa falta de sentimento
não tem ninguém que segure,
vem de dentro.
vem da zona escura
donde vem o que sinto.
sinto muito,
sentir é muito lento.
paulo leminski
domingo, 17 de abril de 2011
ARÍCIA MESS
arícia mess é uma cantora cheio de gestios e dona da voz. seu disco 'onde mora o segredo' é todo bem cuidado e eu recomendo! fui no show que aconteceu aqui no rio de janeiro no dia 02.04. quem tiver oportunidade de vê-la cantar, não perca! as outras fotos estão aqui.
quarta-feira, 13 de abril de 2011
O CADERNO AMARELO
'caminhar de mãos dadas atravessando estações' é uma das páginas d'o caderno amarelo'. 'o caderno amarelo' era pra ter sido uma homenagem, uma declaração de amor, a tradução de uma vontade de estar junto, um gesto de absoluta entrega e motivação. quando ele começou a ser 'escrito' existia tudo o que movia, existia uma admiração incondicional e um afeto cego que se foi como éter, evaporou, desapareceu, num átimo, num istmo, num lapso... o caderno ficou inacabado e, por motivos não aleatórios, ficou sem meio, ficou sem fim. o caderno é a materialização de certas frases, de certos momentos, de alguns desejos e constatações que a gente só tem quando está apaixonado e vive num mundo onde só cabem duas pessoas. 'o caderno amarelo' foi entregue a quem ele foi dedicado inicialmente, mas acabou sendo devolvido. eu pedi que ele me devolvesse. e ele me devolveu. se fosse eu a pessoa que tivesse ganhado esse caderno, eu juro, jamais devolveria, guardaria pra sempre... por isso, esse caderno pertence a quem o concebeu. e apesar de tudo o que o inspirou não existir mais - e talvez nunca tenha existido, esse caderno, quando começou a ser escrito, era só desejo de querer bem, de bem querer... nada que o originou previa que seu fim seria ficar dentro de um envelope pardo, escrito 'apto 1215' a caneta azul, no fundo de uma gaveta escura...suas folhas agora são uma espécie de lembrança de algo perdido, de algo que não faz e não fez nenhum sentido. é uma espécie de memória de um lugar que a gente conhece e mas não sabe mais como chegar... segue aqui o link para quem quiser ver o caderno inteiro, mesmo sem fim...: o caderno amarelo no flickr.
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