as lagartas subiam nos troncos das árvores.
ela: bonitas, não?
ele: tem gente que morre de medo
ela: tem
ele: o melhor é jogar álcool e queimá-las
ela: meu deus!
ele: é, porque elas destroem as folhas, matam a árvore
ela: ah, é? mas são tão bonitas, não? eu não poderia queimá-las por causa da beleza
ele: mesmo sabendo que elas vão destruir as folhas? folha é menos vida.. ou não?
ela: também não sei, mas as lagartas parecem mais... mais carne, hen? e carne tem a ver com a gente
ele: eu me chateio com esse tipo de reflexão
ela: não me diga benzinho
ele: você se aborreceu
ela: e com a minha boceta você se chateia?
ele: é melhor eu ir embora...
ela: e esfregando o meu rabo na sua cara você se chateia?
ele: tô indo embora
ela: e te dando esse tiro no peito você se chateia?
o homem caiu ali no jardim, estatelado, ela só disse"que cara cafajeste", correu, sumiu. um menino viu a mulher correndo até ela sumir. virou-se e pensou: que mulher linda, meu, que rabo! taí uma que eu queria que esfregasse o rabo na minha cara. riu, muito contente.
é o teu primeiro conto Júnior?
é
é bom
você não nada mais, Júnior?
não
estar sendo, ter sido
sábado, 27 de dezembro de 2008
TELECO TECO OPUS N. 1
Das apresentações no Cine Odeon do espetáculo "O samba é a minha nobreza", um dos momentos mais inesquecíveis pra mim era quando entrava o Zé Cruz, que foi membro do lendário grupo "A voz do morro", que nos agraciava com o som do seu chapéu de palha e seu ar de malandro sério! E navegando por aí, deparei-me com um post no blog do Luis Nassif sobre o grande Dilermando Pinheiro, professor de Zé Cruz na arte de batucar no chapéu de palha. Não resisto e reproduzo essa preciosidade!
sexta-feira, 26 de dezembro de 2008
MADEMOISELLE SWING
Susie Arioli Band foi uma das minhas melhores descobertas musicais de 2008. E olha que isso não é qualquer coisa, pois foram muitas as minhas descobertas musicais de 2008!!
Pouco conhecido no Brasil, o grupo, liderado pela cantora Susie Arioli e seu parceiro, Jordan Officer, é uma referência quando se fala em jazz no Canadá. Arioli, além de ser cantora, acrescenta aos arranjos do guitarrista Officer uma bateria econômica, como deve ser. Basicamente a formação é de duas guitarras acústicas, baixo e bateria. Mas contam ainda com um imprescindível sax e, às vezes, uma terceira guitarra. A banda visita grandes standars do jazz norte-americano mas inclui no repertório um cancioneiro country com umas pitadas de pop-rock. É, sem dúvida, um trabalho de grande pesquisa. Ouvi muito os álbuns "Learn to smile again", "Pennies from heaven" e "That's for me"(de longe o meu preferido!). E posso dizer que é jazz e com muito swing! Assitir a uma apresentação desse grupo já é um dos meus desejos para 2009!!!
Pouco conhecido no Brasil, o grupo, liderado pela cantora Susie Arioli e seu parceiro, Jordan Officer, é uma referência quando se fala em jazz no Canadá. Arioli, além de ser cantora, acrescenta aos arranjos do guitarrista Officer uma bateria econômica, como deve ser. Basicamente a formação é de duas guitarras acústicas, baixo e bateria. Mas contam ainda com um imprescindível sax e, às vezes, uma terceira guitarra. A banda visita grandes standars do jazz norte-americano mas inclui no repertório um cancioneiro country com umas pitadas de pop-rock. É, sem dúvida, um trabalho de grande pesquisa. Ouvi muito os álbuns "Learn to smile again", "Pennies from heaven" e "That's for me"(de longe o meu preferido!). E posso dizer que é jazz e com muito swing! Assitir a uma apresentação desse grupo já é um dos meus desejos para 2009!!!quinta-feira, 25 de dezembro de 2008
PONTA DE AREIA
Ponta de Areia é uma linda canção. A música é do Milton Nascimento e a letra do Fernando Brant. Tem uma história: Fernando Brant era repórter e fez uma matéria sobre o fim da antiga estrada de ferro Bahia-Minas, que ligava Araçuaí, em Minas Gerais, até Caravelas, na Bahia. Ponta de Areia é uma cidadezinha bem perto de Caravelas. Algum tempo depois Brant recebeu uma música do Milton e pensou que tinha tudo a ver com aquela história. Lugares, sons e imagens que são inseparáveis...
Adoro ouvir Ponta de Areia, com a Nana, o Milton, a Elis, e outros. Recentemene a americana Esperanza Spalding gravou a canção. Spalding, cantora e contrabaixista, aparece com força no cenário musical misturando pop, jazz, grooves e música brasileira. Linda, novíssima e cheia de talento. Aproveito para registrar que se eu pudesse teria o meu cabelo igualzinho ao dela, pois é o que sugere o meu estado de espírito atualmente.Voilà!
Adoro ouvir Ponta de Areia, com a Nana, o Milton, a Elis, e outros. Recentemene a americana Esperanza Spalding gravou a canção. Spalding, cantora e contrabaixista, aparece com força no cenário musical misturando pop, jazz, grooves e música brasileira. Linda, novíssima e cheia de talento. Aproveito para registrar que se eu pudesse teria o meu cabelo igualzinho ao dela, pois é o que sugere o meu estado de espírito atualmente.Voilà!
quarta-feira, 24 de dezembro de 2008
segunda-feira, 22 de dezembro de 2008
HILDA HILST
"me vejo negro, artificioso como quem não se vê. a loucura é sépia. ou talvez pro ovo. a loucura é algures, não em mim. os corvos naquele céu eram de um outro, minha loucura é rajada, esparzida de cores, loucura é escarcéu, é não, é chumbosa, pesada, o olho do cafre sobre aquela que lhe arranja o dinheiro, é inviesada, esquiva, mas vigilante, o olho do meganha sobre o biltre. é nada, é tímida, medrosa, se acasala nos cantos"
trecho de: estar sendo. ter sido. último livro em prosa da autora.
trecho de: estar sendo. ter sido. último livro em prosa da autora.
domingo, 21 de dezembro de 2008
MAKELY KA
Makely é meu amigo, fazíamos filosofia, eu em Uberlândia (antes da transferência para a USP) e ele em Ouro Preto, nos idos anos 90. Nos encontramos poucas vezes, em alguns cenários diferentes: Uberlândia, Ouro Preto, Belo Horizonte. O rapaz diz quem é: "Já fui técnico em eletrônica industrial. Já trabalhei como garçom, balconista e abandonei no último semestre o curso de filosofia. Já fiz também uns bicos como videoartista e fotógrafo. Ultimamente ganho uns trocados como um operário da contra-indústria." Seu trabalho AUTÓFAGO merece atenção e as apresentações que vão rolar no Rio de Janeiro, nos finalmentes de 2008, também! Não vou ficar aqui rasgando seda! Confiram o poeta Makely Ka, Kiko Klaus e Pedro Morais.
sábado, 20 de dezembro de 2008
MOI-MÊME

gosto do meu corpo por partes, mais que do todo. monto e desmonto o quebra-cabeças que sou.
e mesmo as partes, para fazerem sentido, precisam do ângulo certo, do momento certo, do olhar certo. componho as partes do que sou. o todo pouco interessa. o todo é apenas uma porção de pedaços, fragmentos e cortes que, às vezes, fazem sentido. o dedo na boca. a mão no bolso. os brincos na orelha. o preto ou o carmim nas unhas. a sandália que mais desnuda do que veste o pé. o rímel preto nos cílios. o cabelo solto, livre e avermelhado. o anel no dedo eleito para ser vitrine. a sobrancelha sem pinça. o olhar que vê o que quer.
sou muito mais feixe do que tronco.
MINHA RUA

Nasci nesta rua. Rua Brasília. Morei nela até os meus 25 anos. Minha mãe mora nela até hoje. E aqui habita muito da minha infância. Não tem mais o brejo no fim da rua, é verdade, mas ainda tem o quintal da Dona Dulce, com sua horta maravilhosa, oferta certa de um bom chá a qualquer hora. Não tem mais a árvore que meu avô plantou, mas a Dona 'Badia continua morando na esquina. Não tem mais a tranquilidade de outrora, hoje passa muito carro, mas meus sobrinhos e minha filha ainda podem brincar por ali com a salvaguarda de um olhar adulto. Não tem mais o meu avô... e nem a minha prima Edna que, nessa mesma rua, me passou uma 'rasteira baiana' que me deixou sem fala por horas. O leiteiro não passa mais de manhã pra deixar as garrafas de leite na porta, nem a carroça do verdureiro, nem o cara que gritava: "áaaalgodão doce, tróooooca-se a garrafa" (não sobrava uma daquelas garrafas de cor verde em casa, todas viravam flocos doces e coloridos...). Alguns vizinhos se foram, mas agora vejo os seus netos. Antigamente, como consta na escritura da casa, o bairro se chamava Vila das Tabocas, hoje é Bairro Bom Jesus. Foi aqui, na antiga Vila das Tabocas, que meu pai comprou um terreno para construir a casa 'meia-água' em que morou com minha mãe até eu ter uns 12 anos. Depois a casinha foi demolida, lembro muito bem desse dia, meu Tio Paulo com um trator gigantesco foi o responsável pela derrubada. Depois papai construiu o atual sobrado, que era uma das casas mais bonitas do bairro. Lembro das festas de rua, do meu pai colocar suas caixas de som (eram 4 caixas super potentes, gigantescas) para transmitirem a todos os vizinhos as finais da Copa do Mundo ou as quadrilhas de São João. Se essa rua fosse minha eu não mandava asfaltar, queria que permanecesse assim, com as pedras que viram os meus primeiros passos, que sentiram meu coração bater forte e quase sair pela boca quando viu o meu primeiro amor passar. Nessa rua aprendi a andar de bicicleta, aprendi a namorar, desfilei com todas as minhas roupas novas. Nessa rua andava com a minha mobilete azul, presente de 15 anos. Essa rua me viu grávida, me viu bêbada, me viu translúcida. E eu vejo essa rua como minha, sim...
sexta-feira, 19 de dezembro de 2008
quinta-feira, 18 de dezembro de 2008
O CERRADO
o cerrado sempre está em mim.
mas não é sempre que posso estar nele.
ser do cerrado, eu sou.
amo as árvores tortas,
a palheta quase infinita de tons verdes.
a paisagem da minha infância.
e como gosto de olhar, olhar e olhar esse cerrado.
adoro os frutos, todos exóticos por natureza
buriti, gabiroba, pequi, cajá-manga,
baru, caju, cagaita.
passei estes últimos dias admirando e saboreando esta natureza.
indo, literalmente, 'catar gabiroba no mato',
com direito a banho noturno em piscina de água
quente, quente, quente, pelando.
ê Minas, ê Góias!
fui e voltei pelo mesmo caminho.
600 km de puro silêncio verde
que não saem dos meus olhos.
VÍCIO
Era cego e ficava o dia inteiro sentado na escadaria da porta da igreja, usava uns óculos escuros de aro vermelho e sempre que passava alguém, estendia o pires que nunca desgrudava de uma de suas mãos. De vez em quando uma moeda tilintava e ele agradecia acenando levemente a cabeça. Ele não precisava daquilo, muitos sabiam, mas estava acostumado ao barulho das moedas que caiam no pires.
domingo, 14 de dezembro de 2008
NOITES CARIOCAS
E ontem não poderia ser diferente, exorcizamos o famigerado AI-5 com uma roda de samba antológica festejando os 40 anos do melhor bar do Rio de Janeiro, o Bip Bip. A noite foi linda demais. Lua cheia no céu, o Bip lotado de gente conhecida. "Quanto riso, oh, quanta alegria!". O livro lançado (o segundo sobre o Bip, pois o primeiro "Bip Bip, um bar a serviço da alegria", foi lançado em 2000, também numa noite de Dezembro) é uma delícia. Quem não tem uma história boa para contar sobre o Bip?
Os textos são só um motivo pra gente desenrolar o novelo da memória. E folheando o livro qual não foi minha surpresa ao me deparar com uma foto bem na página 52? Eu, de cabelo joãozinho, nos idos anos 2000, ao lado de dois ilustríssimos compositores, Walter Alfaiate e Aldir Blanc. Lembro-me muito bem dessa noite, bar cheio, eu, na esquina do balcão, passava a todo momento um belo copo de wisque pro Aldir que, num rompante, levanta-se da cadeira com tamborim na mão e começa a cantar "o bêbado e a equilibrista". Momento lindo, raro e cheio de emoção que fica no memorial dos 40 anos do Bip. Pude
repetir a foto só com o Walter Alfaiate, o sambista mais elegante que eu já vi na minha vida, pois o Aldir não deu o ar da graça! Alfredinho estava numa alegria de criança, como todos ali! Deu até uma vontade de carnaval!!
Que venham outras noites e outros livros. Sinto-me parte da história desse bar e dessa cidade, não tem mais jeito!
SULENTA EM FLOR II
Hoje de manhã, ao abrir as cortinas da janela me surpreendi com a quantidade de flocos brancos em cima de um dos vasinhos. Achei meio estranho pois tinha recolhido as plantinhas para dentro por conta da chuva e da umidade (suculentas são bravas e fortes mas água demais podem matá-las rapidinho...) Olhei com atenção e percebi que mais uma das minhas suculentas tinha florido.
Flores que ficam soltas, leves, leves de tão miúdas e delicadas. São como aquelas plumas de dente-de-leão que a gente sopra ao vento. Os flocos estavam dentro de um talo que cresceu e se abriu. Minhas suculentas são apenas alguns vasinhos na floreira do apartamento, mas fazem uma enorme diferença na minha vida.
sexta-feira, 12 de dezembro de 2008
O QUE RESTA DE UMA NOITE
A IMAGEM DO SOM
Adoro fotografar músicos em ação. Acho que é maneira que arrumei para fazer parte do encontro que a música proporciona. E gostaria de levar esse prazer mais a sério, tenho um álbum intitulado MÚSICA, publicado no Flickr. E como grande observadora, sou fã de alguns fotógrafos que realizaram muito bem este trabalho. Um deles é Pete Turner, fotógrafo americano fantástico e verdadeiro mestre da cor. Turner fez as capas de Milt Jackson Sunflower, Wave e Stone Flower do nosso Tom Jobim, entre outros trabalhos belíssimos. Creio que quase todas as capas dos discos da CTI, gravadora de Creed Taylor, produtor musical norte-americano, são de Pete Turner. Vale a pena dar uma olhada no site e conferir as páginas "The color of jazz".
Outro fotógrafo que admiro muito é Willian Claxton, morto em outubro deste ano. Ninguém soube como ele traduzir em imagens o jeito cool de ser do jazz west coast, suas fotografias de Chet Baker são clássicas. Claxton imortalizou em suas imagens grandes nomes do jazz norte americano. As fotografias de Claxton, ao contrário da explosão de cores do Turner, são sóbrias, cleans, todas em preto e branco. Dois gênios do olhar.quinta-feira, 11 de dezembro de 2008
A RODA DO DESEJO
Era domingo e era noite.
Ela dançava pra ele,
a música dele.
Sua saia rodava
Ela dançava pra ele,
a música dele.
Sua saia rodava
junto com ela,
linda, vermelha,
rodopiante.
Parecia uma brincadeira,
dessas de quintal, de rua de antigamente.
Ele gostou do que viu,
pavoneou-se todo,
mas não deixou nesga de pano vermelho
entrar no vazio do seu desejo.
"Ele tem venda preta nos olhos",
pensou ela.
linda, vermelha,
rodopiante.
Parecia uma brincadeira,
dessas de quintal, de rua de antigamente.
Ele gostou do que viu,
pavoneou-se todo,
mas não deixou nesga de pano vermelho
entrar no vazio do seu desejo.
"Ele tem venda preta nos olhos",
pensou ela.
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