quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

ONDE TUDO É NADA

me vejo sob um tapete de águas e montanhas
vôo alto
FASTEN SEAT BELT WHILE SEATED
atravesso um labirinto de nuvens
subo mais
lá em cima as fronteiras são infinitas

e tudo é muito azul
dou um salto
pra fora de mim mesma
nenhum medo
USE YOUR SEAT CUSTION FOR FLOTATION
as nuvens são frias.

domingo, 14 de dezembro de 2008

NOITES CARIOCAS

Adoro festas de 40 anos, a data é bem simbólica e sempre rende um comemoração daquelas!
E ontem não poderia ser diferente, exorcizamos o famigerado AI-5 com uma roda de samba antológica festejando os 40 anos do melhor bar do Rio de Janeiro, o Bip Bip. A noite foi linda demais. Lua cheia no céu, o Bip lotado de gente conhecida. "Quanto riso, oh, quanta alegria!". O livro lançado (o segundo sobre o Bip, pois o primeiro "Bip Bip, um bar a serviço da alegria", foi lançado em 2000, também numa noite de Dezembro) é uma delícia. Quem não tem uma história boa para contar sobre o Bip? Os textos são só um motivo pra gente desenrolar o novelo da memória. E folheando o livro qual não foi minha surpresa ao me deparar com uma foto bem na página 52? Eu, de cabelo joãozinho, nos idos anos 2000, ao lado de dois ilustríssimos compositores, Walter Alfaiate e Aldir Blanc. Lembro-me muito bem dessa noite, bar cheio, eu, na esquina do balcão, passava a todo momento um belo copo de wisque pro Aldir que, num rompante, levanta-se da cadeira com tamborim na mão e começa a cantar "o bêbado e a equilibrista". Momento lindo, raro e cheio de emoção que fica no memorial dos 40 anos do Bip. Pude repetir a foto só com o Walter Alfaiate, o sambista mais elegante que eu já vi na minha vida, pois o Aldir não deu o ar da graça! Alfredinho estava numa alegria de criança, como todos ali! Deu até uma vontade de carnaval!!
Que venham outras noites e outros livros. Sinto-me parte da história desse bar e dessa cidade, não tem mais jeito!

SULENTA EM FLOR II


Hoje de manhã, ao abrir as cortinas da janela me surpreendi com a quantidade de flocos brancos em cima de um dos vasinhos. Achei meio estranho pois tinha recolhido as plantinhas para dentro por conta da chuva e da umidade (suculentas são bravas e fortes mas água demais podem matá-las rapidinho...) Olhei com atenção e percebi que mais uma das minhas suculentas tinha florido.
Flores que ficam soltas, leves, leves de tão miúdas e delicadas. São como aquelas plumas de dente-de-leão que a gente sopra ao vento. Os flocos estavam dentro de um talo que cresceu e se abriu. Minhas suculentas são apenas alguns vasinhos na floreira do apartamento, mas fazem uma enorme diferença na minha vida.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

O QUE RESTA DE UMA NOITE


5 garrafas vazias,
4 mãos virando discos.
3 pares de copos sujos,
2 pratos desconfiados na pia.
1 pedido tranquilo de calma.
A marca dos meus dentes no calo de um dedo.

SUCULENTA EM FLOR I



Suculenta, estrela-flor do meu jardim.


A IMAGEM DO SOM

Adoro fotografar músicos em ação. Acho que é maneira que arrumei para fazer parte do encontro que a música proporciona. E gostaria de levar esse prazer mais a sério, tenho um álbum intitulado MÚSICA, publicado no Flickr. E como grande observadora, sou fã de alguns fotógrafos que realizaram muito bem este trabalho. Um deles é Pete Turner, fotógrafo americano fantástico e verdadeiro mestre da cor. Turner fez as capas de Milt Jackson Sunflower, Wave e Stone Flower do nosso Tom Jobim, entre outros trabalhos belíssimos. Creio que quase todas as capas dos discos da CTI, gravadora de Creed Taylor, produtor musical norte-americano, são de Pete Turner. Vale a pena dar uma olhada no site e conferir as páginas "The color of jazz".
Outro fotógrafo que admiro muito é Willian Claxton, morto em outubro deste ano. Ninguém soube como ele traduzir em imagens o jeito cool de ser do jazz west coast, suas fotografias de Chet Baker são clássicas. Claxton imortalizou em suas imagens grandes nomes do jazz norte americano. As fotografias de Claxton, ao contrário da explosão de cores do Turner, são sóbrias, cleans, todas em preto e branco. Dois gênios do olhar.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

A RODA DO DESEJO



Era domingo e era noite.
Ela dançava pra ele,
a música dele.
Sua saia rodava
junto com ela,
linda, vermelha,
rodopiante.
Parecia uma brincadeira,
dessas de quintal, de rua de antigamente.
Ele gostou do que viu,
pavoneou-se todo,
mas não deixou nesga de pano vermelho
entrar no vazio do seu desejo.
"Ele tem venda preta nos olhos",
pensou ela.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

CAPITU

TV Globo/divulgação
Assisti a estréia de Capitu, ontem na TV Globo. Claro, não tinha como desprezar uma adaptação destas. Machado de Assis e sua mais popular e polêmica obra, os personagens mais perturbadores da literatura brasileira na televisão, com muita grana e a certeza de ver algo diferente e ousado no que se refere aos padrões Globo de entretenimento. Bom, confesso que gostei, apesar de duas ou três coisas terem me incomadado. A primeira foi a música. Ok, Machado é universal, extrapola fronteiras, atemporal mesmo, agora guitarra distorcida e rock em língua inglesa realmente foi muito para os meus ouvidos. Interessante a idéia de misturar o antigo e o moderno, como disse, Machado chega até nós fresco como Capitu, mas eu apostaria e gostaria de ter ouvido uma trilha mais brasileira, mesmo. Perdão, Tim Rescala, mas estranhei muito. Outra coisa que me incomodou foi a beleza e a sensualidade exaltada da atriz Letícia Persiles diante da meninice do pequeno Bentinho. Tudo bem, "ela parece ter 17 anos", como nos disse Machado. Mas o Bentinho não precisava aparentar ter 12, né? Por favor!! Ah, e a prima Justina como uma velha meio caquética? Gente será que li errado o livro? Amei, no entanto, a cena do muro, no jardim... Fiquei imaginando como essa passagem do texto seria mostrada na tela e me surpreendi tanto com o desenho de giz no chão e eles rodando, riscando.... beleza pura!

CENSURA

O que eu queria dizer...
não posso.
Isso que me invade
agora
não pode ser dito
dentro de um consultório médico
numa segunda-feira ensolarada.

A FILA

Na fila do banco todos esperam,
a mulher que esqueceu de pegar a senha,
o casal de mãos dadas,
o boy com fones de ouvido e capacete na mão,
a senhora elegante,
a menina que faz tranças na mãe.
Eu espero sentada.
A gerente também espera o fim do expediente,
a porta giratória alguém para barrar,
a caixa de acrílico chaves, celulares e moedas.
Eu, que a fila ande.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

SUNFLOWER

Noite passada resolvi fazer uma coisa que há tempos eu queria fazer. Organizar os bolachões aqui de casa. Tarefa árdua, já que os bichinhos são pesados e estavam numa desordem abissal.
Coloquei tudo em ordem alfabética, mas separei por grupos: música brasileira, jazz, rock, música erudita, música infantil e os outros... Passei a noite virando disco na velha vitrola. Quanto disco bom! Verdadeiras pérolas! E cada capa extraordinária como aquela de "Milagre dos Peixes" do Milton Nascimento que se dobra e desdobra e temos uma foto gigante do Milton moleque!!! Lindo! Mas vou citar um dos LP'S que não consegui parar de ouvir, uma verdadeira obra prima: Milt Jackson Sunflower. Adormeci e amanheci ouvindo... Outro desses discos "para gostar de jazz", não tem como não gostar. Dá para ouvir por aqui. Aliás, eu recomendo qualquer disco do Milt Jackson. Para quem não conhece, Milt Jackson era o vibrafone Modern Jazz Quartet. Levaria este disco para uma ilha deserta, com vitrola, é claro!

domingo, 7 de dezembro de 2008

PASSA TEMPO

Minha amiga Juliana, uma legítima jujuba, das vermelhas, me acompanhou um dia inteiro filmando e fotografando tudo! E a danada realizou um videozinho muito bacana e criativo com um dos momentos do meu dia, dedicado a mim mesma. O filme completo com o dia inteiro é ainda uma promessa! Confiram o post no blog dela, o Jardinage e vejam só o que ela fez!

RÊ BORDOSA

Sábado de manhã acordei com dor de cabeça, uma sede absurda, tudo provocado pelos excessos da sexta-feira. Para aliviar a ressaca resolvi caminhar, passei numa banca para comprar jornal e vi um desses livrinhos da LP&M com as tirinhas da Rê Bordosa. Não tive dúvidas, me sentindo a própria, comprei o livro e me entreguei às gargalhadas. Esse post é, então, em homenagem, a anti-heroína dos quadrinhos de Angeli. Quase toda mulher da minha geração é fã da Rê. Ela sai de casa sozinha, encara qualquer bar numa boa, passa a noite com qualquer um e nunca se lembra com quem porque está sempre bêbada. Mas a velha junkie não está nem aí para o que pensam dela e ainda sonha com um príncipe encantado quando fica deprê. Faz xixi de pé no banheiro dos homens e passa dias e noites mergulhada no submundo de sua banheira em companhia de homens que despreza. Eu nunca tinha entendido direito a morte da Rê Bordosa mas agora é tudo muito claro, nesse mundo medíocre e broxante não cabe a nossa querida Rê. Ela morre gorda e casada com o garçon do bar que mais frequentava, justamente quando ele sugere a vinda de um filho para aliviar o tédio. A causa mortis: o vírus tedius matrimonius. Engraçado que o que leva Rê Bordosa a explodir seja a questão da maternidade, tão almejada por tantas mulheres. A Rê realmente não poderia viver muito tempo, mesmo que seu fígado aguentasse por mais alguns anos. Nesse caso, então, vida longa aos quadrinhos!! Brindem com vodca, por favor!!

sábado, 6 de dezembro de 2008

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

40 AN0S DE BIP BIP

13 de dezembro de 1968. O Ato Institucional número 5 é decretado em Brasília anunciando os dias de chumbo que estariam por vir. Mas como tudo nessa vida tem seu lado bom, a data é também o marco de inauguração de um melhores bares do Rio de Janeiro, o BIP BIP, na rua Almirante Gonçalves, em Copacabana. O Bip é uma instituição do samba carioca, não dá para falar da história do samba no Rio de Janeiro sem passar por ali. Eu já presenciei rodas de samba antológicas, momentos que fazem desta cidade um lugar tão especial e musical. Quantas vezes não sai pelas ruas de Copacabana cantarolando um samba novo da noite passada no Bip? Além disso, o bar é uma delícia, você vai lá pega sua própria cerveja, sente-se em casa! E o Alfredinho, lendário pelo seu humor e pelas broncas também antológicas, é, na verdade, um doce de pessoa!!! Bom, tudo isso para falar que no próximo dia 13 de Dezembro vai acontecer a festa dos 40 anos!!! A rua vai fechar e a roda de samba vai acontecer no meio do povo. Imperdível! Nada mais carioca, nada mais Copacabana!

ENTRE COXAS




quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

BALLADS

Um bom bocado da minha tarde de hoje foi dedicado à delicada tarefa de dissipar fios de cabelo e alinhar nuvens. Isso feito, aperto o play no meu tocador de cd's para ouvir, pois esse começo de noite exige, o fundamental John Coltrane Quartet - Ballads. Esse é um daqueles discos "para gostar de jazz", não tem jeito! Para quem não conhece vai aqui uma palhinha.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

PLONGÉE



Minha amiga Juju conseguiu um mergulho no meu cotidiano, ou pelo menos em um momento dele, rotineiro, diário, com estas duas fotografias. Toda manhã faço meu café e gosto de fazer meu próprio café. Uso coador de pano, como antigamente, não só pelo hábito secular, mas também para evitar ficar jogando fora mil filtros de papel, já que aqueles filtros de plástico, por favor, nem pensar... Adoro o cheiro que fica no ar quando a água fervente cai sobre o pó, produzindo mil borbulhas. Tomo café diariamente, é uma das primeiras coisas que faço quando acordo, esteja onde eu estiver. Levo pó de café e coador até para acampamento, detesto café solúvel. Gosto de café forte, preto. Em casa tomo com pouco açúcar, na rua meu expresso é curto, amargo. Sempre ofereço café aos meus amigos, até os que não tomam (como a Juju ou a Eleonora, por exemplo) acabam tomando um xícarazinha... E só tomo café fresco, feito na hora, café de garrafa térmica de jeito nenhum... E tomo de duas a três vezes por dia, só evito à noite, tenho medo da insônia, pois, apesar do uso diário, o café ainda me excita. Além de tudo isso, "Café" pode ser um lugar, uma bebida ou um momento. Adoro conversas em torno de uma xícara de café. Dizem que é um veneno e tem uma frase do Voltaire, maravilhosa: "claro que café é um veneno, mas um veneno lento, faz 40 anos que eu bebo!"

domingo, 30 de novembro de 2008

O QUE VOCÊ TEM NA CABEÇA?


Escolha uma peruca e saia por aí!

RECICLAGEM

O peixe,
que antes vivia preso no aquário,
agora jaz,
nas páginas de um livro.