stephen michael king é um dos ilustradores de traço mais cativante que conheço. o primeiro trabalho dele que tive em mãos foi presente de uma vizinha para o aniversário de 5 anos de minha filha clarice. era 'ana, guto e o gato dançarino'. uma história linda de amor, amizade, coragem e criatividade. stephen michael king perdeu a audição aos 9 anos de idade e mora numa ilha australiana onde desenha e vive com a família. seus desenhos possuem todo o ambiente de uma ilha, muito céu, muito mar, muito azul, muito passarinho e muito, muito vento, e em quase todos livros tem um animal de estimação. seu último livro publicado (escrito e desenhado por ele) é 'você', de 2011. eu sou apaixonada pelo 'o homem que amava caixas', um livro bastante especial que explora a relação um pouco difícil, mas extremamente amorosa entre um pai e um filho. talvez esse livro espelhe um pouco a relação do ilustrador com o pai, o famoso escritor de suspense stephen king, autor de, entre outros livros, 'o iluminado'. 'o homem que amava caixas' foi adapatado pela 'cia de teatro artesanal' para um espetáculo que esteve em cartaz no 'oi futuro' de ipanema, no rio. a montagem, incrivelmente delicada, misturava máscaras e objetos animados e revelava uma séria pesquisa e total sintonia com do universo do autor: sons de vento, do mar, de passarinhos e, sobretudo, silêncios. fui comemorar o aniversário de oito anos de minha filha lá, levei toda a turma da escola e posso garantir que todos, crianças e adultos, saimos do teatro encantados e extasiados pela beleza da apresentação. mas talvez o personagem que eu mais goste de stephen michael king seja o 'folha'. o 'folha' aparece num livro sem palavras, só com imagens, um livro de rara beleza e leveza onde homem e natureza quase se confundem e a história é toda contada apenas pelos belos e delicados traços do autor. vale a pena um mergulho nesse trabalho, um clássico da literatura infantil, de ponta cabeça. e tenha certeza que você vai sonhar com o vento... total sensação de liberdade!
segunda-feira, 30 de maio de 2011
STEPHEN MICHAEL KING
stephen michael king é um dos ilustradores de traço mais cativante que conheço. o primeiro trabalho dele que tive em mãos foi presente de uma vizinha para o aniversário de 5 anos de minha filha clarice. era 'ana, guto e o gato dançarino'. uma história linda de amor, amizade, coragem e criatividade. stephen michael king perdeu a audição aos 9 anos de idade e mora numa ilha australiana onde desenha e vive com a família. seus desenhos possuem todo o ambiente de uma ilha, muito céu, muito mar, muito azul, muito passarinho e muito, muito vento, e em quase todos livros tem um animal de estimação. seu último livro publicado (escrito e desenhado por ele) é 'você', de 2011. eu sou apaixonada pelo 'o homem que amava caixas', um livro bastante especial que explora a relação um pouco difícil, mas extremamente amorosa entre um pai e um filho. talvez esse livro espelhe um pouco a relação do ilustrador com o pai, o famoso escritor de suspense stephen king, autor de, entre outros livros, 'o iluminado'. 'o homem que amava caixas' foi adapatado pela 'cia de teatro artesanal' para um espetáculo que esteve em cartaz no 'oi futuro' de ipanema, no rio. a montagem, incrivelmente delicada, misturava máscaras e objetos animados e revelava uma séria pesquisa e total sintonia com do universo do autor: sons de vento, do mar, de passarinhos e, sobretudo, silêncios. fui comemorar o aniversário de oito anos de minha filha lá, levei toda a turma da escola e posso garantir que todos, crianças e adultos, saimos do teatro encantados e extasiados pela beleza da apresentação. mas talvez o personagem que eu mais goste de stephen michael king seja o 'folha'. o 'folha' aparece num livro sem palavras, só com imagens, um livro de rara beleza e leveza onde homem e natureza quase se confundem e a história é toda contada apenas pelos belos e delicados traços do autor. vale a pena um mergulho nesse trabalho, um clássico da literatura infantil, de ponta cabeça. e tenha certeza que você vai sonhar com o vento... total sensação de liberdade!
sexta-feira, 27 de maio de 2011
ALMA LÍRICA BRASILEIRA
não dá pra falar do último disco de mônica salmaso sem antes comentar algumas palavras sobre o que é lirismo e lírico. pra mim, e só posso dizer por mim, lírico é tudo o que remete ao que está dentro, ao que mora no íntimo das coisas, ao que se refere ao que é próprio. pra mim tudo o que é lírico é uma espécie de canto, um hino. poesia cantada da alma de cada um. e não é à toa que o disco possui uma epígrafe poética assinada por mário quintana. o haicai do poeta gaúcho diz assim:
HUMILDE ORGULHO
aquele fiozinho d'água
não era um rio:
bastava-lhe ser um fio de música.
e foi levada por essas significações que dei play no cedezinho e começei a ouvir, numa tarde chuvosa do outono carioca, o 'alma lírica brasileira', da cantora com nelson ayres e teco cardoso, lançado pela 'biscoito fino'. capuccino na mão e barulho de chuva lá fora, só. eu já falei da mônica salmaso aqui e agora ouvindo esse disco sou levada aos teatros em forma de lira que ja entrei, aqueles pequenos, feitos de madeira. o disco remete a essa intimidade. o repertório não revela nada de novo, compositores consagrados, músicas que salmaso já cantou em shows, clássicos da música brasileira. e ouvindo esse disco amplio e amplifico a minha visão do que é música autoral pois, se esse não é disco autoral, nada mais pode ser. e qual cantora hoje arriscaria gravar 'trem das onze' ou 'a história de lily braun' recentemente gravada por maria gadu? e eu digo, a mesma cantora que grava 'labios que beijei', 'casamiento de negros', villa-lobos, herivelto martins e paulo vanzolini. muito há no disco da música do mundo de são paulo. sabemos, no entanto, que a música não mora em nenhum lugar, ou melhor, mora no ouvido de quem ouve e no coração de quem sente. mônica salmaso se veste de lirismo e evoca as rendas de bilros no encarte de três cores: branco, preto e vermelho e se afirma como um das maiores vozes que temos. nela não mora fantasias, roupas exóticas, badulaques na cabeça, nem performance alguma, o que há é a música, apenas a música. a alma lírica brasileira desse trio soa rara e mostra a fina sensibilidade e afinidade musical do grupo. meus ouvidos gostam, minha alma canta, puro lirismo.
HUMILDE ORGULHO
aquele fiozinho d'água
não era um rio:
bastava-lhe ser um fio de música.
e foi levada por essas significações que dei play no cedezinho e começei a ouvir, numa tarde chuvosa do outono carioca, o 'alma lírica brasileira', da cantora com nelson ayres e teco cardoso, lançado pela 'biscoito fino'. capuccino na mão e barulho de chuva lá fora, só. eu já falei da mônica salmaso aqui e agora ouvindo esse disco sou levada aos teatros em forma de lira que ja entrei, aqueles pequenos, feitos de madeira. o disco remete a essa intimidade. o repertório não revela nada de novo, compositores consagrados, músicas que salmaso já cantou em shows, clássicos da música brasileira. e ouvindo esse disco amplio e amplifico a minha visão do que é música autoral pois, se esse não é disco autoral, nada mais pode ser. e qual cantora hoje arriscaria gravar 'trem das onze' ou 'a história de lily braun' recentemente gravada por maria gadu? e eu digo, a mesma cantora que grava 'labios que beijei', 'casamiento de negros', villa-lobos, herivelto martins e paulo vanzolini. muito há no disco da música do mundo de são paulo. sabemos, no entanto, que a música não mora em nenhum lugar, ou melhor, mora no ouvido de quem ouve e no coração de quem sente. mônica salmaso se veste de lirismo e evoca as rendas de bilros no encarte de três cores: branco, preto e vermelho e se afirma como um das maiores vozes que temos. nela não mora fantasias, roupas exóticas, badulaques na cabeça, nem performance alguma, o que há é a música, apenas a música. a alma lírica brasileira desse trio soa rara e mostra a fina sensibilidade e afinidade musical do grupo. meus ouvidos gostam, minha alma canta, puro lirismo.
SÓ GAROTOS - JUST KIDS
eu nem ia dizer nada. mas não posso deixar de passar em branco. esse livro é MARAVILHOSO. referência fundamental nessa passagem de década. é uma linda história de amor, de amizade, de respeito e de admiração incondicionais. é ainda o relato da inspiração e do talendo de uma geração inteira que ainda hoje é referência em várias áreas das nossas culturas, da nossa cultura urbana. eu nunca tinha entendido direito o trabalho de robert mapplethorpe até ler esse livro. antes eu achava o trabalho dele estranho, sem link, debochado, provacador de maneira gratuita. mas patti smith me ensinou a respeitar muito o trabalho desse grande fotógrafo, pois me fez conhecer a alma desse homem de uma maneira ímpar. patti smith é uma mulher bela. erudita, culta, infinita. o livro é belo, cheio de linhas inspiradas e hipnotizantes. abrir na primeira página é descortinar um mundo. força e perseverança moram nessa mulher. uma corajosa, uma guerreira. e, meu deus, quão louco era esse mundo que hoje padece de uma caretice quadrada e dura. sim, viva os anos 60! leia, releia, presenteie, indique, eu fiz isso! quem sabe assim o mundo aprende a amar de vez?
quinta-feira, 26 de maio de 2011
A PORTA
fechadura fama
a fechadura da porta. da porta de casa.
espelho e maçaneta antigos.
bati essa porta com a chave dentro,
duas vezes em uma mesma semana.
é como se eu fugisse do meu mundo e
jogasse a chave fora... dá um desolamento, uma fragilidade, uma sensação de perda.
mas há o chaveiro da esquina que chamo e,
com ele, os sinais de arrombamento.
a chave, na mão, quase sempre abre a porta.
mas é fácil perder uma chave.
trocar a chave, esquecer a chave.
difícil é errar de porta, perder uma porta.
porta é portal. escolha a sua.
chave é passagem, senha, sina.
escolha a sua. a porta e a parede são brancas.
e nada de olhar pelo buraco da fechadura,
a porta está aberta.
entre, a casa é sua.
O assunto porta, fechadura, grades e afins está em pauta na minha vida. e, ontem, lendo o blog do instituto moreira salles, e constatando que não existe coincidências, mesmo! deparei-me com uma carta de maria rita kehl (sou fã dela) que fala, ente outras coisas, sobre nossos medos. recomendo a leitura do texto e da sua correspondência, nada imaginada, com armando freitas filho.
a fechadura da porta. da porta de casa.
espelho e maçaneta antigos.
bati essa porta com a chave dentro,
duas vezes em uma mesma semana.
é como se eu fugisse do meu mundo e
jogasse a chave fora... dá um desolamento, uma fragilidade, uma sensação de perda.
mas há o chaveiro da esquina que chamo e,
com ele, os sinais de arrombamento.
a chave, na mão, quase sempre abre a porta.
mas é fácil perder uma chave.
trocar a chave, esquecer a chave.
difícil é errar de porta, perder uma porta.
porta é portal. escolha a sua.
chave é passagem, senha, sina.
escolha a sua. a porta e a parede são brancas.
e nada de olhar pelo buraco da fechadura,
a porta está aberta.
entre, a casa é sua.
O assunto porta, fechadura, grades e afins está em pauta na minha vida. e, ontem, lendo o blog do instituto moreira salles, e constatando que não existe coincidências, mesmo! deparei-me com uma carta de maria rita kehl (sou fã dela) que fala, ente outras coisas, sobre nossos medos. recomendo a leitura do texto e da sua correspondência, nada imaginada, com armando freitas filho.
sexta-feira, 20 de maio de 2011
O QUE EU SOU,
"j'ai decidé faire de ma vie la matière même de ma parole". essa frase de duane michals me inspira muito e sempre. decido, então, depois que li os textos dele, somente fotografar o que sou, as minhas coisas e o meu mundo. fotografar a mim mesma não é um insulto. e, mesmo morto, como toda fotografia, o autorretrato ainda preserva algo que fomos um dia, um esboço do futuro, um pequeno tesouro de si mesmo. aqui você encontra os meus autorretratos.
quarta-feira, 18 de maio de 2011
XUE JIYE
se fosse pra usar apenas uma palavra para resumir o trabalho de xue jiye, usaria a palavra 'crueza', muito bem empregada por quem me apresentou essas pinturas. mas pra mim o trabalho como um todo transmite uma sensação não só de crueza, mas de descarnamento, desembrulho. há em xue jiye uma estranha sensação de negação do humano, um estoicismo auto-flagrante, uma punição indiferente. gosto bastante.
terça-feira, 17 de maio de 2011
BUTECO 'PÉ SUJO'
sou uma andarilha. e andando (e bebendo) pelas ruas do rio de janeiro sempre encontro coisas interessantes pra fotografar e admirar. muitas vezes descubro coisas que um olhar comum não veria. gosto de perceber detalhes escondidos... os butecos 'pé sujo' estão, infelizmente, acabando. no lugar deles estão surgindo butecos repaginados que exibem cardápios com preços de bares bacanas, os garçons ganham uniformes e aventais mais limpos e a freguesia muda, obviamente. muita gente conhece como 'copo sujo', 'bunda de fora', ou seja lá o que for. eu gosto e frequento os 'pé sujo', cerveja barata e papo com um fiel amigo, não preciso de mais nada, muitas vezes... mas ao mesmo tempo os 'pé sujo' são difíceis, quase nunca arrisco comer nada, mas gosto de olhar os avos coloridos e o apetite de alguns mais animados em devorar os danados com sal, cachaça ou cerveja. os banheiros, no geral, são péssimos, as cantadas, então,... bom, deixa pra lá.... as fotos são feitas pelo celular, na pressa, muitas vezes depois do brinde, muitas vezes sendo empurrada pelos garçons ou por algum frequentador mais bêbado que eu... a série mais completa está aqui. e como continuo andando e bebendo, deve aumentar aos goles, ooops, aos poucos...
quarta-feira, 11 de maio de 2011
NARCISO
na casa da minha mãe, em uberlândia, tem um vaso de narcisos, o vaso é uma herança da minha avó. narciso é uma planta de folha verde escura e larga e meio comprida, quase um mini arbusto. é lindíssima. eu passava café nas folhas pra elas ficarem ainda mais brilhantes quando morava com a minha mãe. a flor é cheirosa, pode ser branca ou amarela (nunca vi narciso amarelo, mas sei que existe...), cheia de pólen e fica assim, voltada pro chão, por isso o nome 'narciso'. pra mim é uma alegria chegar em casa e encontrar aquele vaso florido, sinto a presença de minhas avós....
clicando aqui você pode ver outras flores e cactus para um daltônico.
clicando aqui você pode ver outras flores e cactus para um daltônico.
terça-feira, 10 de maio de 2011
FOTO ESCAMBO - RIO DE JANEIRO
O Foto Escambo é um projeto democrático que visa fomentar o colecionismo e o apreço pela imagem. Um resgate do hábito de possuir uma foto impressa, usando esta forma ancestral de comércio, a troca de um bem por outro, sem a necessidade de dinheiro, promovemos uma interação entre pessoas que gostam de fotografia. mais informaçãoes aqui no blog do foto escambo
segunda-feira, 9 de maio de 2011
JAMES MOLLISON
retratos quase humanos, nome que dou a uma série do fotógrafo britânico james mollison, são fotografias de uma realidade arrebatadora. james mollison é ligado aos trabalhos da benetton que possui uma fundação que fomenta trabalhos de fotógrafos do mundo inteiro. vale a pena uma visita ao site desse grande fotógrafo . gosto bastante dos retratos-denúncia de 'where children sleep'.
EDUARDO GALEANO
"somos um mar de foguinhos. o mundo é isso, uma montão de gente, um mar de foguinhos. não existem dois fogos iguais, cada um brilha com luz própria entre todos os outros. existem fogos grandes, existem fogos pequenos e fogos de todas as cores. existe gente de fogo sereno que nem fica sabendo do vento. existe gente de fogo louco que enche o ar de faíscas. alguns fogos, fogos bobos, não iluminam nem queimam. mas outros, outros ardem a vida com tanta vontade que não se pode olhá-lo sem pestanejar, e quem se aproxima se incendeia".
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JEAN-JACQUES SEMPÉ


um dos ilustradores mais incríveis que eu conheci nos últimos tempos é jean-jacques sempé. seu traço é elegante, preciso, rico em detalhes. adoro a sua ilustração para o 'petit nicolas', parceria com rené goscinny, que foi onde travei o primeiro contato com o seu trabalho. hoje eu li 'raul taburin', um livro sensível e delicado, todo escrito e desenhado por ele, uma preciosidade.
domingo, 8 de maio de 2011
MUDANÇAS RADICAIS
uma das coisas que mais me incomada hoje em dia, além de ter que depilar, é pintar o cabelo. eu adoro pintar as unhas, 'fazer o pé', deixar as unhas negras, vermelhas... raramente 'faço' a sobrancelha, sempre sou eu quem pinta o meu cabelo e, muitas vezes, pinto as unhas eu mesma. detesto 'salão de beleza', odeio aquelas revistas, a televisão ligada, papo de cabeleireiro e, no geral, muitas mulheres reunidas. mas, enfim... o meu problema é grande pois tenho apenas 40 anos para ser tão grisalha como sou. meus cabelos são de uma senhora de quase 60 anos. estou completamente grisalha. e quero, muito, muito, deixar os cabelos brancos aparecerem fartos e brilhantes.. mas falta coragem. eu teria que fazer como no vídeo da cris bierrenbach, fotógrafa-artista que adoro o trabalho. só um gesto radical desses faria sentido pra mim. jamais deixaria a raiz crescer aos poucos... quero muito me ver com o cabelo que eu tenho, sem recursos cosméticos... sinto que a coragem está crescendo! veja aqui o vídeo: http://flic.kr/p/5pqfCD
sexta-feira, 6 de maio de 2011
O PORTÃO DA ESCOLA
o portão da escola da clarice, em dia ensolarado, fotos feitas pelo meu celular... deu vontade de levar a camera outro dia e fazer um ensaio de verdade... inspiração é uma coisa engraçada, bate qualquer hora, em qualquer lugar. e eu ando inspirada, tendo sonhos incríveis, vestindo novas cores, buscando mudar de caminho, buscando novos sabores... acho que estou apaixonada! é, é isso, estou apaixonada! ah, que coisa boa! a série completa aqui: http://www.flickr.com/photos/andreanestrea/sets/72157626661446948/show/
segunda-feira, 2 de maio de 2011
quarta-feira, 27 de abril de 2011
VER COM OS SENTIDOS
"A fotografia não é uma propriedade exclusiva das pessoas que vêem, mas também uma propriedade possível dos cegos." Evgen Bavcar.
o trabalho de evgen bavcar é absolutamente incrível, cego desde os 11 anos de idade, ele nos revela um mundo que escapa aos olhos de quem vê. seus sentidos veem por ele, ele vê através de tudo... esse nu entre luzes lembra muito um autorretrato que fiz. eu não conhecia essa imagem até hoje, mas dialogo com ela. o autorretrato está aqui.
terça-feira, 26 de abril de 2011
REVOLUÇÃO DO OLHAR RUSSO
esse vídeo, um tanto didático, que achei no youtube, nos dá uma visão geral do que foi a vanguarda russa em termos de imagem. a exposição 'Aleksandr Ródtchenko: revolução na fotografia' que esteve em cartaz no Instituto Moreira Salles no Rio de Janeiro e fica até 01/05 na nova Pinacoteca do Estado, em São Paulo, é uma das mais bonitas e bem montadas exposições que eu já pude ver em toda a minha vida. praticamente todas as ampliações são de época, vintage, como se diz hoje em dia, e feitas pelo próprio Ródtchenko, ou seja, são verdadeiros tesouros. nunca vi nada tão precioso em fotografia. e olha que tive em mãos alguns retratos de Nadar de meados do século XIX, verdadeiras jóias, quando fui bolsista da Biblioteca Nacional. o que faz essas imagens serem tão preciosas, no entanto, é o conjunto delas. estão expostas no Brasil uma parte considerável do acervo e do olhar de Ródtchenko que foi pintor, escultor e designer gráfico, além de excelente fotógrafo. imperdível pra quem está em São Paulo. eu passei duas tardes maravilhosas apreciando esta exposição na sede do IMS aqui o Rio, com direito a cafezinho, dia de sol e boa companhia. recomendo o catálago da exposição!
sábado, 23 de abril de 2011
DOMENICO - 2 (+ X + Y + Z) = CINE PRIVÊ
o título do post não é uma provocação, mas uma preposição que, contrariando a matemática e a lógica, só eu posso afirmar. confesso que só voltei meus olhos pra domenico e sua turma, o tal projeto +2, depois que eles assinaram a trilha sonora do grupo corpo. tenho muita, muita preguiça pras coisas novas que pintam por aí, principalmente no cenário musical do rio de janeiro. minha opção primeira, segunda e terceira é sempre ouvir os meus velhos discos de jazz ou música instrumental. curiosidade, no entanto, é uma coisa que sempre tive e acabei tendo em mãos e ouvidos o disco 'cine privê'. ouvi uma vez e senti um certo estranhamento, o que é um bom sinal. foi fácil apertar o play novamente e o 'disco rodou' algumas vezes aqui em casa. eu só vi domênico duas vezes, a primeira foi durante um show de silvia machete no oi futuro e depois, em outro oi futuro, na peça do domingos de oliveira. obviamente que já tinha visto, em dvd, o 'adriana partimpim 2' com a minha filha e o cara tá lá na bateria e tals.. bom, mas tudo isso pra começar a falar do disco. acho que pra dizer certas coisas precisamos nos situar, é bom que o leitor saiba de onde estou falando, por isso a necessidade de tantas palavras, por mais banais.... eu gosto do disco. tem uma sonoridade ímpar, deliciosos barulhinhos e uma voz que parece que tá aqui ao lado, no sofá da sala. não sei se isso é um elogio, obviamente que são impressões. as músicas que mais gostei são 'os pinguinhos' (parece uma brincadeira com uma criança ou, pelo menos, com o universo infantil) e 'pedra e areia', que é demais de boa. adorei a canção que fala italiano, vi ao vivo antes de ouvir o disco e gostei bastante, foi a porta de entrada para o disco. mas a minha preferida talvez seja 'sua beleza', foi ouvindo essa faixa que meu pensamento musical vez links com outras coisas que ouço... e falo aqui de memória musical, antes de tudo, e de paisagens sonoras, imagens que cantam, fotografias que dançam, miragens... enfim, 'X', 'Y' e 'Z' são variáveis, imagine cada uma delas... ouça o disco, veja o filme!
terça-feira, 19 de abril de 2011
TUAREG
'mas ele é guerreiro, ele é bandoleiro, ele é justiceiro, ele é mandigueiro, ele é um tuareg!'
essa noite deu uma vontade avassaladora de ouvir gal costa dos bons e velhos tempos. meu disco preferido dela é o 'cantar', mas pra dar uma arejada resolvi ouvir esse LP, que é de 69, chave de ouro pra essa década louca... infelizmente o meu vinil não tá em boas condições e recorri ao youtube pra ouvir as faixas desse disco que é um dos mais experimentais e radicais de gal costa. pouco visitado, é certo, mas absolutamente incrível e ousado! psicodelia, rock, experimentalismos totais... aí tem jards macalé, guitarra de lanny gordin, capinam, roberto e erasmo, caetano, tudo junto e misturado com uma boa dose de fúria. eu adoro a segunda faixa do lado A, 'tuareg', música de jorge ben, o jor, que tem o mesmo título do livro de alberto vasquez-figueiro, livro que eu ainda li mas quero muito ler. dizem que 'tuareg', nome de origem árabe, significa 'abandonado pelos deuses'. os tuaregues são um povo, homens que vivem há milênios no deserto do sahara, ou seja, é um povo bravo é forte! aumente o volume e faça da sua sala uma pista de dança!PARADA CARDÍACA
essa minha secura
essa falta de sentimento
não tem ninguém que segure,
vem de dentro.
vem da zona escura
donde vem o que sinto.
sinto muito,
sentir é muito lento.
essa falta de sentimento
não tem ninguém que segure,
vem de dentro.
vem da zona escura
donde vem o que sinto.
sinto muito,
sentir é muito lento.
paulo leminski
domingo, 17 de abril de 2011
ARÍCIA MESS
arícia mess é uma cantora cheio de gestios e dona da voz. seu disco 'onde mora o segredo' é todo bem cuidado e eu recomendo! fui no show que aconteceu aqui no rio de janeiro no dia 02.04. quem tiver oportunidade de vê-la cantar, não perca! as outras fotos estão aqui.
quarta-feira, 13 de abril de 2011
O CADERNO AMARELO
'caminhar de mãos dadas atravessando estações' é uma das páginas d'o caderno amarelo'. 'o caderno amarelo' era pra ter sido uma homenagem, uma declaração de amor, a tradução de uma vontade de estar junto, um gesto de absoluta entrega e motivação. quando ele começou a ser 'escrito' existia tudo o que movia, existia uma admiração incondicional e um afeto cego que se foi como éter, evaporou, desapareceu, num átimo, num istmo, num lapso... o caderno ficou inacabado e, por motivos não aleatórios, ficou sem meio, ficou sem fim. o caderno é a materialização de certas frases, de certos momentos, de alguns desejos e constatações que a gente só tem quando está apaixonado e vive num mundo onde só cabem duas pessoas. 'o caderno amarelo' foi entregue a quem ele foi dedicado inicialmente, mas acabou sendo devolvido. eu pedi que ele me devolvesse. e ele me devolveu. se fosse eu a pessoa que tivesse ganhado esse caderno, eu juro, jamais devolveria, guardaria pra sempre... por isso, esse caderno pertence a quem o concebeu. e apesar de tudo o que o inspirou não existir mais - e talvez nunca tenha existido, esse caderno, quando começou a ser escrito, era só desejo de querer bem, de bem querer... nada que o originou previa que seu fim seria ficar dentro de um envelope pardo, escrito 'apto 1215' a caneta azul, no fundo de uma gaveta escura...suas folhas agora são uma espécie de lembrança de algo perdido, de algo que não faz e não fez nenhum sentido. é uma espécie de memória de um lugar que a gente conhece e mas não sabe mais como chegar... segue aqui o link para quem quiser ver o caderno inteiro, mesmo sem fim...: o caderno amarelo no flickr.
terça-feira, 12 de abril de 2011
JUAN RULFO
"no filtro as gotas caem uma após a outra. ouve-se, saída da pedra, a água cair dentro do cântaro.
ouve-se. ouvem-se ruídos; pés que se arrastam no chão, que andam, que vão e vêm. as gotas continuam caindo sem parar. o cântaro transborda fazendo a água correr sobre um chão molhado."
ouve-se. ouvem-se ruídos; pés que se arrastam no chão, que andam, que vão e vêm. as gotas continuam caindo sem parar. o cântaro transborda fazendo a água correr sobre um chão molhado."
trecho de 'pedro páramo', foto de juan rulfo.
segunda-feira, 11 de abril de 2011
SATURDAY SUN
dia desses, melhor dizendo, sábado desses, sai de casa pra trabalhar mais cedo. fazia uma manhã ensolarada e eu, de dentro do ônibus, o 434 que passa no flamengo e vai em direção ao leblon pela lagoa, fiz uma série de fotos. queria traduzir um pouco como é ver a cidade de dentro de um ônibus em alta velocidade. eu gosto de fazer esse caminho, adoro passar pela lagoa. é um dos cenários mais bonitos do rio. e é dentro desse cenário que penso o quanto é bom viver nessa cidade. a inspiração pras fotos foi, na verdade, a música de nick drake, que dá nome ao post, 'saturday sun'. adoro nick drake e estava ouvindo o disco que tem essa música sem parar nestes dias. pra ver mais fotos, é só clicar aqui.
domingo, 10 de abril de 2011
KEITH JARRETT NO RIO
ontem tive uma noite especial, fui ao theatro municipal do rio de janeiro pra ver o concerto solo de um dos maiores pianistas do mundo. nem sei dizer quando conheci o trabalho de keith jarrett, mas desde sempre gostei. do clássico 'koln koncert' ao último disco, 'jasmine', sempre que posso e cabe, ouço o cara. tenho dois DVD's, 'último solo' e 'the art of improvisation'. queria muito ter o concerto de colônia (köln concert) em CD, pra poder ouvir sempre, mas não tenho, infelizmente. confesso ainda que um dos meus maiores desejos e assistir a uma apresentação de keith jarrett com o jack dejohnette e gary peacock, o trio de ouro! de qualquer modo, o concerto de ontem foi lindo e emocionante, com direito aos gemidos, sussurros e grunhidos tão tradicionais do pianista. keith jarrett é sexy aos 66 anos e revelou uma maneira de tocar que eu, realmente, nunca tinha visto. uma agilidade absurda, uma intimidade ímpar com o instrumento. show!! vesti o vestido que melhor me veste, usei meus brincos mais preciosos e fui para o municipal apreciar o espetáculo. theatro lotado, todo mundo em silêncio, não vi ninguém fotografando (ele odeia ser fotografado), uma beleza de público, fiquei orgulhosa do rio. e nos dois set's de 40 minutos cada, e nos três bis, fui levada por diversas paisagens sonoras que nunca vão sair da minha cabeça. sai leve e plena do theatro municipal. e digo que só experimentei sensação parecida em minha vida no dia que terminei de ler 'grande sertão veredas' do guimarães rosa. fui dormir repleta de paisagens e aventuras!
foto da apresentação na sala são paulo, 06.04.quarta-feira, 23 de março de 2011
LIZ TAYLOR
quando eu era uma moleca de pensamentos diletantes lá na minha minas natal, queria entender como uma mulher podia ser tão bonita como elizabeth taylor. e ficava pensando na sua proeza de colecionar maridos... invejei liz taylor, queria ter sete maridos como ela. mas achava a artimanha impossível, eu não tinha aqueles olhos violeta de parar quarteirões... somente muito depois é que fui conhecer a história de vinicius de moraes, outro colecionador de amores, e percebi que o lance não tinha muita relação com a beleza, não. na oportunidade, eu casava, fácil, com os dois!
terça-feira, 22 de março de 2011
REAL DREAMS - DUANE MICHALS
duane michals é um dos fotógrafos mais instigantes que eu conheci nos últimos tempos. e como as coisas não aparecem à toa nas nossas vidas, eu diria que conhecê-lo foi como quebrar o espelho. e daí dá-lhe juntar estilhaços.... suas fotografias são provocações, como provocação é esse texto. sugiro que vc imprima e leia com atenção. é um soco no estômago de qualquer fotógrafo. para visualizar algumas das fotos (séries) que compõem esse livro, é só clicar REAL DREAMS. os grifos no texto são meus.
Duane Michals
Real Dreams
Nada é o que eu, uma vez pensei que fosse. Você não é quem você pensa que é. Você não é nada que possa imaginar.
Eu sou um escritor de contos. A maioria dos fotógrafos são repórteres. Eu sou uma laranja, eles são maças.
Nós temos que tocar outras pessoas para permanecermos humanos. O toque é a única coisa que pode nos salvar. Eu uso a fotografia para me ajudar a explicar minha experiência para mim mesmo.
Alguns fotógrafos disparam, literalmente, em tudo o que se move, desejando de alguma maneira, em toda aquela confusão, descobrir "uma fotografia". A diferença entre o artista e o amador é o senso de controle. Há um grande poder em saber exatamente o que você está fazendo, mesmo quando você não sabe...
Nós todos somos estrelas, apenas não sabemos isto. Eu pratico ser Duane Michals todos os dias e é tudo o que eu sei.
A maioria dos retratos são mentiras. As pessoas raramente são o que parecem ser, especialmente em frente a uma câmera. Você pode me conhecer por toda sua vida e nunca se revelar, mostrar seu interior para mim. Interpretar rugas como personalidade é insulto não insight.
A história da fotografia ainda não foi escrita. Você vai escrevê-la. Ninguém fotografou um nu até você fotografar, ninguém fotografou uma seqüência ou pimentões até você fotografá-loo. Nada foi feito até você fazê-lo. Não existem mais respostas, tire Weston das suas costas, esqueça Frank, Adams, White, não olhe para fotografias. Mate o Buda, eu sou meu próprio herói.
Os livros de fotografia normalmente tem títulos como: O olhar do fotógrafo, ou a visão de..... e assim por diante, ou ainda, olhando fotografias; é como se os fotógrafos não tivessem cérebro, apenas olhos.
Todas as coisas passam, assim até você passará. Precisamente agora seu tempo esta passando, precisamente agora.
Eu me flagro falando com fotografias. Vejo uma fotografia de uma mulher e pergunto, "isso é tudo que você tem para falar? Posso ver os longos cabelos e o vestido. Será ela uma puta; uma mãe delicada, uma consumidora. Será que ela acredita em alguma coisa? Eu quero saber mais.
Enquanto escrevo isto, nesse exato momento, milhares de pessoas estão morrendo, milhares estão nascendo. A terra está completamente viva com o brilho da primavera, estrelas estão explodindo - meu Deus! Esse é o grande mistério onde todos nós vivemos, é isso que chamamos vida, isso é o encontro transbordando tudo e eu penso que nunca saberei, nunca.
Eu sou o limite do meu trabalho. Você é o limite do seu. Isso é uma viagem. Nós não vivemos aqui. Quando eu falo, eu quero dizer nós. Tão rápido quanto eu digo a palavra agora ela já se torna passado.
É muito fácil para o fotógrafo falsear, basta sair e fotografar vinte pizzarias, vai estar tudo lá: nas diferenças, nas mudanças.
Algumas influências abrem portas e nos liberam, outras fecham e nos sufocam. A fotografia é particularmente sufocante.
Eu acredito na imaginação. O que não posso ver é infinatamente mais importante do que eu posso ver.
Os fotógrafos me dizem aquilo que já sei como o reconhecimento da beleza, coisas incômodas ou bizarras e isso não é a questão. Você teria que ser uma geladeira para não ser tocado pela beleza de um parque como Yosemite. A questão é lidar com a experiência total tanto emocionalmente como visualmente. Os fotógrafos devem me dizer o que eu não sei.
Acho as limitações da fotografia estática enormes. Alguém tem que redefinir fotografia, tal qual é necessário redefinir a própria vida em termos das nossas próprias necessidades. Cada geração deveria redefinir linguagem e todas as suas experiências em termos pessoais.
A palavra chave é expressão - não fotografia, não pintura, não escrita. Você é o evento, não seus pais, amigos, gurus, somente você pode ensinar a si mesmo.
Tudo que experimentamos está na nossa mente, é tudo cabeça, o que você está lendo agora, ouvindo agora, sentindo agora...
Nós todos temos medo da morte. Mas nós já morremos, basta olhar a fotografia da formatura do ginásio, quem você vê ali esta morto, a foto do seu casamento, "ela" está morta. Precisamente agora você morreu.
Tentar comunicar os sentimentos verdadeiros de alguém em meus próprios termos é um constante problema.
Sou compulsivo com minhas preocupações com a morte, em outras palavras estou me preparando para a minha morte, mas se alguém num momento pusesse uma arma em meu estômago eu me mijaria e todas as minhas especulações metafísicas se molhariam.
Quando você olha minhas fotografias, você está olhando meus pensamentos. Sou muito atraído à pessoa de Stefan Mihal, ele é o homem que nunca me tornei, somos completamente opostos, apesar de termos nascido no mesmo momento e se por acaso nos encontrássemos, explodiríamos como matéria e anti-matéria. Ele é a minha sombra e eu procuro me salvar dele.
Eu apenas fotografo o que conheço, minha vida, não tenho a presunção de saber como são os negros, as famílias suburbanas ou travestis e nunca acredito em fotografias dessas pessoas posando para a câmera.
Eu não sei de nada, e não posso contar com nada. Eu não estou certo de alguma vez ter tido certeza. Não sei o que terei deixado para traz quando chegar aos cinqüenta anos, e isto está bem.
A visão das palavras nesta folha me agrada, é como uma forma de trilha que eu tenha deixado para traz, pistas, marcas estranhas, a prova que eu estiva aqui alguma vez.
Quando eu tinha nove anos (no ano em que meu irmão Timothy nasceu) eu costumava sentar-me na beira da cama e ficar imóvel muito tempo depois que minha família já tinha ido dormir. Tentava encontrar o "eu" de mim, e que nesse silêncio acharia em algum lugar lá dentro do meu corpo o meu "eu". Continuo procurando!
Nós somos todos uma construção mental, mudem nossas químicas, nosso ponto de referência e a realidade mudará.
Sou um fotógrafo profissional e um místico diletante, mas preferiria ser um místico profissional e um fotógrafo diletante.
Lembro da primeira vez que fiquei sozinho, tinha uns nove anos, vivia com minha avó, e meu melhor amigo Art tinha saído com sua família. A tarde pareceu longa e vazia. Sentia falta de alguém, estava vazio e uma enorme sensação de falta.
Nenhuma das minhas fotografias existiriam, no chamado mundo real, se eu não as tivesse inventado. Elas não são encontros acidentais, testemunhos nas ruas. Eu sou o irresponsável. Estando Bresson lá ou não, aquelas pessoas teriam feito seu pic-nic à margem do Sena. Eles foram eventos históricos. Não existe uma fotografia. Não há um tipo de fotografia. O único valor de julgamento é o trabalho intrinsecamente. Será que ele me toca, mexe, me preenche?
Qualquer um que define fotografia me apavora. Essas pessoas são foto-fascistas. Os limitadores. Eles sabem! Temos de lutar para nos libertar constantemente, não somente de nós mesmos mas sobre tudo daqueles que sabem.
As vezes parece que estou a espera de que alguma coisa aconteça. É tão difícil imaginar que seja eu a pessoa que está escrevendo isto. Sinto-me uma outra pessoa, não interessada em uma ampliação perfeita e sim em uma idéia perfeita, pois idéias perfeitas sobrevivem à ampliações ruins, reveladores ruins e baratos, essas tais idéias podem mudar nossas vidas.
"Se Duane deseja fazer fotografia, ele deveria fazer um estudo sobre os trabalhadores rurais ou operários, que são assuntos que podem provocar algumas mudanças sociais, fazer algo por mais alguém, alguma coisa nobre. Isto é o que eu faria."- Stefan Mihal
Nós temos maneiras de fazer as mais extraordinárias experiências parecerem ordinárias, Nós verdadeiramente trabalhamos para destruir nossos milagres. Os melhores artistas deram de si próprios em seus trabalhos. Magrite foi um prêmio, Atget, Eakins, Redon, Brandt, Sanders, Balthus, De Chirico, Whitman, Cavafy. Aí está tudo o que se tem pra dar, eu sou meu presente a vocês e vocês são sues presentes pra mim.
Muitos fotógrafos fotografam as vidas das outras pessoas, raramente a sua própria. Nós temos que nos libertar para nos transformar em aquilo que somos. A fotografia descreve muito bem.
Nossos pais e avós nos protegem da morte, mas quando eles morrem ninguém mais se coloca entre nós e a morte.
Uma vez pensei que o tempo fosse horizontal, e que se olhasse à minha frente eu poderia ver a próxima quarta-feira, agora vejo que ele é vertical, diagonal e perpendicular. É tudo muito confuso.
As pessoas acreditam na realidade das fotografias, mas não na realidade das pinturas, isso dá uma vantagem enorme para o fotógrafo, mas desafortunadamente os fotógrafos também acreditam na realidade das fotografias.
As sentenças mais importantes normalmente são formadas de duas palavras: eu amo, me desculpe, por favor, me perdoe, me toque, eu preciso, eu gosto, muito obrigado. Tudo é assunto para a fotografia, especialmente as coisas difíceis da vida: ansiedades, traumas de infância, mágoas, pesadelos, desejos sexuais, todas essas coisas que não podem ser vistas são as mais significativas e não podem ser fotografadas apenas sugeridas.
Eu gostaria de conversar com William Blake e Thomas Eakins.
(Introdução do livro "Real Dreams" de 20 de junho de 1976)
"Uma tentativa frustrada de fotografar a realidade"
Que idiota fui eu ao acreditar que seria tão fácil. Eu confundi as aparências de automóveis, árvores e pessoas com realidade e acreditei que uma fotografia dessas aparências seria necessariamente uma fotografia delas. É uma verdade melancólica o fato que eu nunca serei capaz de fotografar as coisas da realidade e portanto só poderei falhar.
Eu sou um reflexo fotografando outros reflexos com seus reflexos.
Fotografar a realidade é fotografar o nada.
quinta-feira, 17 de março de 2011
A CINELÂNDIA É DO BARACK
hoje eu fui até a cinelândia para comprar ingressos pro theatro municipal. ainda não pude ver o imponente theatro depois da reforma, que acompanhei de perto, pois trabalhei um ano na biblioteca nacional, justamente no período da reforma. eu gosto de pegar o metrô e descer na estação cinelândia e subir (quisera eu bem devargazinho) a escada rolante da saída 'passeio', adoooro sentir no meu rosto o vento forte que sempre sopra ali. adoro ver chegar devagar a imponência dos prédios antigos que ainda podem contemplar o pão-de-açúcar, o morro mais bonito do rio, de onde estão, quietos, impávidos, colossais. gosto de avistar o chafariz que enfeita o vazio deixado pela demolição do palácio monroe e gosto de imaginar um outro rio, onde esse palácio ainda vivia. gosto de tomar café no cine odeon, apesar do preço abusivo do café (quatro reais!) e me deliciar com o saboroso creme brûllée que servem ali. gosto de brincar de amelie poulain e quebrar delicadamente com a ponta da colher a crosta crocante do doce. gosto de rabiscar pensamentos em guardanapos sentada na mesa do café e observar o vento nos cabelos das árvores e dos transeuntes, gosto de ver saias sendo seguradas e mãos arrumando jubas retunbantes.... mas não gosto de ver o theatro municipal com cercas duplas, sinto-me exilada de um amor antigo. e não tenho vontade alguma de ver um filme chamado 'bruna surfistinha', em cartaz no mais bonito cinema da cidade. gosto ainda de almoçar no natural 'roots' que tem num dos prédios antigos e decadentes, um que fica bem ao lado do mcdonald's. acho engraçado comer uma comida macrobiótica vendo pessoas se entupirem de gordura e química do outro lado da rua... nesse restaurante tem um buda pendurado na parede, de bunda pra quem entra, acho engraçado e ali a garçonete, muito sem graça, me entregou o bilhete de um admirador bem mais velho que eu. e depois o coroa ainda me seguiu um pouquinho, com o olhar, claro...
com o municipal todo cercado não entendi direito onde os ingressos estavam sendo vendidos. mas consegui a atenção de um dos seguranças que estavam em alvíssaras com o movimento enorme da marcação do esquema de segurança para o discurso do presidente norte americano barack obama. o simpático segurança me levou até o anexo onde, finalmente, consegui comprar os ingressos pra mim, minha filha e meu amigos pra vermos 'metrópolis' com orquestra e ainda o meu tão desejado ingresso para o show de keith jarret. tive uma tarde recheada de bons prazeres, alimento da minha alma carioca que vislumbra paisagens que se hospedam na cinelândia!
com o municipal todo cercado não entendi direito onde os ingressos estavam sendo vendidos. mas consegui a atenção de um dos seguranças que estavam em alvíssaras com o movimento enorme da marcação do esquema de segurança para o discurso do presidente norte americano barack obama. o simpático segurança me levou até o anexo onde, finalmente, consegui comprar os ingressos pra mim, minha filha e meu amigos pra vermos 'metrópolis' com orquestra e ainda o meu tão desejado ingresso para o show de keith jarret. tive uma tarde recheada de bons prazeres, alimento da minha alma carioca que vislumbra paisagens que se hospedam na cinelândia!
terça-feira, 15 de março de 2011
MENINAS TRISTES
o encantamento arrebatador das meninas tristes de nicoletta ceccoli. essa imagem é uma das minhas preferidas. como disse meu amigo, POEsia. tem algo de Poe, algo de Escher... E agora elas me lembrarm outras amigas, lindas e menos tristes, andréa, cris e georgia!
sexta-feira, 11 de março de 2011
DESENHOS ERÓTICOS DE KLIMT
os desenhos eróticos de klimt são uma verdadeira preciosidade. sensuais e envolventes, mesmo para os dias de hoje, revelam que o pintor tinha verdadeira obsessão pela beleza feminina. seus cadernos de desenho eróticos formam um belo retrato do feminino, um retrato despido de pudores. uma verdadeira delícia pros olhos.
terça-feira, 8 de março de 2011
DIA DA MULHER
desculpem, mas dia da mulher é o caramba! sou pela igualdade de direitos e torço por um tempo e um espaço em que as pessoas sejam tratadas como pessoas, e não como homens e mulheres! e não estou, afirmando isto, sendo machista e indo contra décadas de reconhecimento da mulher como parte integrante desse mundo. mas creio que precisamos dar, sempre e sempre, um passo a mais. viva o transgênero! viva flávio de carvalho, patti smith, frida kahlo, george sand, elke maravilha e laerte! em nome da superação do 'azulzinho pra menino' e 'rosinha pra menina'!
terça-feira, 1 de março de 2011
NICK DRAKE POR MARIANA MAGNAVITA
mariana magnavita compõem sua próprias músicas. é cantora e compositora. mas sua música tem dívídas com outros compositores e cantores. um deles é nick drake. mariana é uma brasileira-baiana, inglesa-oxfordiana e filtrou muito bem em seu trabalho o universo da música que ouviu desde criança. nick drake, com o clássico 'pink moon', ganha aqui uma versão com a percussão de jam da silva, caxixis e uma pegada que quebra o véu um pouco sombrio que há na interpretação original de nick drake. viola e cello, tão ao gosto da folk music inglesa, dão charme e força ao arranjo do chileno solovera, que comanda o violão. a música é universal e mágica. mariana magnavita é dona de rara beleza e de uma voz linda e demonstra nesse vídeo uma leveza e uma segurança ímpar. ensaio, passagem de som e show, tudo ligado pelo fio condutor da dança da menina que canta!o áudio é da apresentação ao vivo no solar de botafogo, no rio de janeiro.
fotos da apresentação no solar de botafogo aqui.
e aqui fotos do ensaio
fotos da apresentação no solar de botafogo aqui.
e aqui fotos do ensaio
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
MONICA SALMASO, GUINGA, LULA GALVÃO
acabei de chegar do teatro rival. adoro a monica salmaso e não perderia essa oportunidade de vê-la cantando ao lado de guinga e lula. o show foi lindo e incrível. música sem cenário ou figurino. musica nua no palco. pura música!
mais fotos aqui no meu flickr!
sexta-feira, 28 de janeiro de 2011
NICK DRAKE
em caso de amor pleno e absoluto com nick drake, cantor e compositor inglês, avesso a sociedade e a fama. viveu no mundo dele, ensimesmado, e nos legou uma pequena obra com incríveis pérolas. conheci 'pink moon' na elegante interpretação de mariana magnavita em recente apresentação da cantora no rio de janeiro. nick drake gravou três discos 'five leaves left' (69), 'bryter layter' (70), 'pink moon' (71,) e continua influciando gerações com sua música. seu último álbum foi gravado em duas sessões de estúdio, a meia noite, e o cantor estava acompanhado apenas do engenheiro de som e de seu violão. nick drake talvez seja fácil como um vício... morreu aos 27 anos, suicídio, provavelmente...
quinta-feira, 20 de janeiro de 2011
NELSON RODRIGUES
"falam de tudo. da moral, do comportamento, dos sentimentos, das reações, dos medos, das imperfeições, dos erros, das criancices, ranzinzisses, chatices, mesmices, grandezas, feitos, espantos. sobretudo falam do comportamento e falam porque supõem saber. mas não sabem, porque jamais foram capazes de sentir como o outro sente. se sentissem não falariam."
o grande nelson rodrigues, em frase solta pelo mundo, sempre enfiando a faca enferrujada até o fundo e rodando, rodando...
o grande nelson rodrigues, em frase solta pelo mundo, sempre enfiando a faca enferrujada até o fundo e rodando, rodando...
quarta-feira, 19 de janeiro de 2011
DUO FERRAGUTTI KRAMER
duo de acordeons com toninho ferragurtti e bebe kramer, ontem, no CCBB do rio de janeiro. a apresentação é parte da 'mostra reflexos' que acontece no mês de jnaeiro. imperdível! é proibido fotografar shows no CCBB mas, fiz algumas fotinhas, até a bateria da minha camera acabar. mais fotos aqui.
domingo, 16 de janeiro de 2011
MARIANA MAGNAVITA
MARIANA MAGNAVITA
No Teatro Solar de Botafogo / 26/01/2011 - 22h
Após uma temporada de shows na Inglaterra, no próximo dia 26 de janeiro (quarta-feira), a cantora e compositora baiana Mariana Magnavita desembarca, no Solar de Botafogo, para o show de lançamento do EP “Autograph”, além das músicas de seu primeiro CD “White”, gravado em Oxford, na Inglaterra. No palco, Mariana (voz e violão) é acompanhada por Jorge Solovera (violão), com as participações especiais de Jam da Silva (percussão) e Lui Coimbra (violoncelo).
R$40,00 Bilheteria
R$30,00 primeiras 100 à chegarem
R$20,00 meia e lista amiga (enviar nome completo para musicanosolar@gmail.com)
IMPERDÍVEL!
No Teatro Solar de Botafogo / 26/01/2011 - 22h
Após uma temporada de shows na Inglaterra, no próximo dia 26 de janeiro (quarta-feira), a cantora e compositora baiana Mariana Magnavita desembarca, no Solar de Botafogo, para o show de lançamento do EP “Autograph”, além das músicas de seu primeiro CD “White”, gravado em Oxford, na Inglaterra. No palco, Mariana (voz e violão) é acompanhada por Jorge Solovera (violão), com as participações especiais de Jam da Silva (percussão) e Lui Coimbra (violoncelo).
R$40,00 Bilheteria
R$30,00 primeiras 100 à chegarem
R$20,00 meia e lista amiga (enviar nome completo para musicanosolar@gmail.com)
IMPERDÍVEL!
terça-feira, 11 de janeiro de 2011
MARCELO JENECI
vi ontem um show lindo e delicado e leve e emocionante! marcelo jeneci com sua banda e orquestra recebendo convidados como marcelo camelo e tulipa ruiz e foi incrível! sou fã, comprei o disco e quero mais shows. nem vou ficar falando muito, se você não conhece, corra pro youtube e divirta-se!
tirei fotos no show, veja clicando aqui:
tirei fotos no show, veja clicando aqui:
sexta-feira, 7 de janeiro de 2011
quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
quarta-feira, 29 de dezembro de 2010
MAPAS
pesquisando texturas, cores, formas, curvas, tons, semi-tons, sombras...
slide show de fotos no flicker
slide show de fotos no flicker
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
DE PONTA CABEÇA
áurea martins é uma das minhas cantoras favoritas. sempre que posso vou ouví-la. muito bem acompanhada de excelentes musicos e repertório impecável, áurea é uma das grandes vozes da música brasileira. herdeira da linhagem nobre da MPB, assim com letras maiúsculas, áurea é guerreira, forte, intérprete única. seu novo disco 'de ponta cabeça', coroa essa cantora com uma certa pecha de cantora de fossa, de desilusões, não é à toa, nesse caso, já que o disco destila as dores de amor de hermínio bello de carvalho, autor de todas as músicas. de qualquer modo, vale a pena ouvir áurea martins, sempre e muito! recomendo, muitíssimo, as apresentações da cantora, que sempre nos surpreende do alto dos seus 70 anos!
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