domingo, 26 de junho de 2011
sexta-feira, 24 de junho de 2011
PÉ, PLANTA, PALMA, MÃO.
flexibilidade é uma palavra a ser carregada na palmão da mão, na planta do pé, para o futuro. pé, planta, mão.
J.R. DURAN E MULATU ASTATKE
uma das coisas que eu mais gosto de fazer é comprar livros de fotografia e discos de jazz. essa semana fiz as duas coisas, casadinhas. comprei o disco 'inspiration information' de mulatu astatke & the heliocentrics e ainda o livro 'cadernos etíopes' de j. r. duran. cheguei em casa, tomei aquele banho merecedor, coloquei o cedezinho pra girar e comecei a folhear o livro. tudo cheio de tons, texturas, força e sensualidade. o disco é de uma beleza única, muito raiz, muito livre e muito antenado com a sonoridade do mundo hoje. o livro é uma dessas preciosidades editoriais que a cosacnaify anda nos presenteando. fina flor de fotografias. recomendo um e outro, os dois juntos. aprecie sem moderação. pra quem quiser baixar o disco, vem aqui.
quarta-feira, 22 de junho de 2011
AMOROSA
ando inspirada em imprimir minha cara nas coisas que eu gosto, de me ver através daquilo que me move. de me colocar dentro do meu mundo e das minhas coisas. se a inspiração é boa eu não sei, mas os discos que me servem de espelho são maravilhas desse mundo, isso eu tenho a mais absoluta certeza! decidi começar por 'matita-perê' de tom jobim e 'amoroso' de joão gilberto. aqui eu deixo o joão e eu, o resto vem depois, com mais inspiração, mais tempo e mais calma.
domingo, 19 de junho de 2011
CHICO, SIMPLESMENTE, CHICO.
o novo disco de chico buarque de hollanda, segundo promessas da produção, será lançado no dia 20 de junho e foi batizado de CHICO, simplesmente, CHICO, como nenhum outro disco da carreira do cantor e como ele é chamado por todos. espero, assim, um disco 'familiar', em tom intimista. e já conto as horas pra ter em mãos esse cedezinho mágico pois me sinto nas nuvens alimentada por esse desejo e essa vontade de colocar o bichinho pra girar. ouvir, reconhecer e divagar sobre as impressões dessa paisagem sonora que se descortina, mais uma vez, na obra de chico buarque. a capa é um lindo retrato em preto e branco, veja aqui uma cena de bastidor: http://www.chicobastidores.com.br/. e, em tempo, caetano veloso escreveu neste domingo, em sua coluna n'o globo, um texto inspirado sobre uma relação de espelhos na obra de chico buarque e do compositor guinga. vale a leitura. lembrando, antes do derradeiro ponto final, que hoje é aniversário do chico!
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sábado, 18 de junho de 2011
MEIA NOITE EM PARIS
talvez eu possa contar a minha vida através das estreias dos filmes de woody allen no brasil. ressaltando, claro, que nasci quando me mudei para são paulo, em 1995, pois em uberlândia não passava nenhum filme de woody allen nas telinhas dos cinemas da cidade. e essa talvez seja uma boa maneira de contar a minha vida, depois dos meus 25 anos. mas essa história é longa demais e agora eu só queria mesmo e rapidamente falar do novo filme de woody allen, meu cineasta preferido. todo rodado em paris o filme conta com a presença da linda marion cotilard e de carla bruni, a primeira-dama francesa. MEIA NOITE EM PARIS é um dos filmes mais deliciosos de woody allen. preciso rever, claro. e não só porque é uma bela declaração de amor pela 'cidade das luzes', mas também porque o filme alimenta, justamente, o grande imaginário que sustenta essa cidade. vemos uma paris perdida no tempo e no espaço, uma paris submersa pela chuva, uma paris capital do século XX envolta em uma névoa de tempo e da fumaça de cigarros. uma paris que apunhala os mais inspirados homens do século passado, uma paris que esbanja o charme das noites etílicas e literárias dos cafés e atêlies espalhados pela cidade. uma paris em que os homens viviam pela sua arte, em nome dela, para ela, a custa dela. uma paris que só na sala de cinema podemos encontrar... a primeira cena já vale o filme. é um belo passeio pela cidade com seus cenários monumentais mas sem, no entanto, o afeto das paisagens turísticas, do olhar furtuito e rápido. e o olhar de woody allen sobre o cotidiano da cidade é requintado e elegante, flagrantes urbanos que chegam aos nossos olhos de maneira indelével e musical. pois, certamente, o clarinete de sidney bechet não vai sair da sua cabeça depois da sessão. recomendo, vá bem acompanhado, beba um vinho depois e corra atrás de dois livros: 'paris é uma festa' de ernest hemingway e 'os anos loucos - a paris na década de 20' de willian wiser.
quarta-feira, 15 de junho de 2011
O TAMBORIL DE INHOTIM
quão loucos são os sonhos. essa noite eu tive um desses que me deixou algumas pistas, sinais. infelizmente quase nunca consigo me lembrar dos sonhos por inteiro. mas quando isso acontece eu fico muito feliz. o de hoje foi meio simbólico pois eu sonhei com uma grande árvore, uma árvore que eu já toquei, já senti, já respirei o mesmo ar que ela, já pisei, descalça, no mesmo chão que a sustenta. o sonho era em inhotim, um belo e imenso museu a céu aberto que fica em minas gerais, perto de belo horizonte. eu fotografei inhotim e a foto da árvore ilustra esse pequeno texto. inhotim é um lugar especial onde podemos conviver com arte e natureza de uma maneira natural, única. é uma experiência inesquecível e eu quero voltar lá brevemente. e deve ser por isso que eu sonhei com o tamboril, a árvore centenária que impera naquele lugar, pura vontade minha de estar lá novamente. o tamboril é tão grande e majestoso que suas últimas folhas quase tocam as nuvens que se embaralham em seus galhos quando olhamos pra cima. é incrível sentar embaixo dessa árvore centenária que, ao contrário do se pode pensar, não é considerada uma madeira-de-lei, é uma árvore que está mais sujeita a fungos, cupins e outras pragas e, por isso mesmo, ela é linda e milagrosa e sobrevive ali há muitos e muitos anos. mas, no meu sonho, o tamboril tinha mudado de lugar, sim, estava em outro lugar, um descampado, sozinho, mais vitorioso ainda. e eu me pergutava: como mudaram essa árvore gigantesca de lugar? e então alguém me respondeu: fique tranquila, ninguém cortou a árvore em pedacinhos e a trouxe pra cá. trouxemos ela inteira, de uma vez só. então tá, sonho é sonho. e sabemos que o tamboril gigantesco, jamais, em hipótese alguma poderia ser arrancado inteiro de uma vez só, seria como arrancar o lugar todo, a paisagem que ali enfeita, desfazer o lugar, deixar uma cratera imensa e apagar uma centelha viva que mora nos meus desejos.
sexta-feira, 10 de junho de 2011
quinta-feira, 9 de junho de 2011
SOBRE BLOGS, AUTOPROMOÇÃO E A DONA CRÍTICA
trecho do pertinente e instigante texto de bernardo carvalho publicado no blog do Instituto Moreira Salles:
"A diferença entre o diário íntimo e o blog pessoal é o que me faz ter horror dos blogs. E só agora, passado o momento em que tudo era novidade e surpresa, é que me lembro disso. Porque já não tenho o que dizer. Que é que vou dizer se o que eu penso ofende sempre pelo menos uma pessoa próxima? Se eu fosse escrever num blog o que se escreve nos diários, em uma semana já não tinha amigos (nem herança). E esse é um escrúpulo que o autor do diário não tem, porque, em princípio, não escreve para ser lido nem publicado (em vida, pelo menos). O blog, ao contrário, é escrito só para isso, descaradamente. Seu objetivo primeiro e principal é se fazer publicar e ser lido. A ideia é fazer, mais do que amigos, “seguidores”. A medida da qualidade do blog pessoal é o número de acessos, como aliás quase tudo na internet. E daí que o que se escreve num blog pessoal é sempre calculado, por mais íntimo, verdadeiro, grosseiro ou ofensivo que pareça. É sempre a imagem que o autor quer vender de si, seja ela qual for. O blog é herdeiro do marketing pessoal. Vive de e para a autopromoção. O que ele mostra é o que o autor quer mostrar de si. Tanto faz se é por vaidade, por narcisismo ou por carência. É o oposto do diário. Ninguém quer perder amigos."
E daí eu me pegunto: será que é esse o motivo pelo qual as pessoas não se sentem à vontade em dizer o que realmente pensam? será que em tempos de internet, facebook e twitter estamos condenados a colecionar seguidores, fãs e gente que bomba o botão 'curtir' e a tecla 'compartilhar' e a morrer sem ouvir alguém dizer o que realmente acha sobre o nosso trabalho, nosso texto, nossa foto/piada/música? lembrando que seguidor de blog ou de twitter, contato de facebook e outras personalidades virtuais não são necessariamente 'amigos'. em tempos de internet tudo é ilusório e nos cercamos em uma prisão mental da vaidade que não há como fugir, a não ser se auto-deletando, se auto-excluindo... creio que nem toda crítica é destrutiva, eu procuro ouvir e aceitar e entender, sempre tentei. o exercício é difícil, desafio da vida, mas, sim, acho que a internet, apesar de toda a graça, significa o fim do pensamento crítico. se você fala mal ou se diz contra é simplesmente deletado, excluído ou bloqueado. o mundo virtual, nesse sentido, mais do que buscar a autopromoção de pessoas e de grupos, nem sempre talentosos, é uma massificação do pensamento, uma padronização do gosto, de imagens, de sons. fabricamos assim um mundo que nos é alheio e que não existe na esquina quando viramos a rua. não adianta ter mil seguidores se você almoça sozinho, acorda sozinha e planeja a sua próxima viagem independente de quem vai, ou não, te acompanhar. e assim as pessoas não conseguem mais falar o que pensam por medo de perder o amigo/seguidor/elogio fácil. mas o que fazer pra ressuscitar essa velha senhora aposentada, a dona crítica, no nosso mundo dos diários íntimos publicáveis?
"A diferença entre o diário íntimo e o blog pessoal é o que me faz ter horror dos blogs. E só agora, passado o momento em que tudo era novidade e surpresa, é que me lembro disso. Porque já não tenho o que dizer. Que é que vou dizer se o que eu penso ofende sempre pelo menos uma pessoa próxima? Se eu fosse escrever num blog o que se escreve nos diários, em uma semana já não tinha amigos (nem herança). E esse é um escrúpulo que o autor do diário não tem, porque, em princípio, não escreve para ser lido nem publicado (em vida, pelo menos). O blog, ao contrário, é escrito só para isso, descaradamente. Seu objetivo primeiro e principal é se fazer publicar e ser lido. A ideia é fazer, mais do que amigos, “seguidores”. A medida da qualidade do blog pessoal é o número de acessos, como aliás quase tudo na internet. E daí que o que se escreve num blog pessoal é sempre calculado, por mais íntimo, verdadeiro, grosseiro ou ofensivo que pareça. É sempre a imagem que o autor quer vender de si, seja ela qual for. O blog é herdeiro do marketing pessoal. Vive de e para a autopromoção. O que ele mostra é o que o autor quer mostrar de si. Tanto faz se é por vaidade, por narcisismo ou por carência. É o oposto do diário. Ninguém quer perder amigos."
E daí eu me pegunto: será que é esse o motivo pelo qual as pessoas não se sentem à vontade em dizer o que realmente pensam? será que em tempos de internet, facebook e twitter estamos condenados a colecionar seguidores, fãs e gente que bomba o botão 'curtir' e a tecla 'compartilhar' e a morrer sem ouvir alguém dizer o que realmente acha sobre o nosso trabalho, nosso texto, nossa foto/piada/música? lembrando que seguidor de blog ou de twitter, contato de facebook e outras personalidades virtuais não são necessariamente 'amigos'. em tempos de internet tudo é ilusório e nos cercamos em uma prisão mental da vaidade que não há como fugir, a não ser se auto-deletando, se auto-excluindo... creio que nem toda crítica é destrutiva, eu procuro ouvir e aceitar e entender, sempre tentei. o exercício é difícil, desafio da vida, mas, sim, acho que a internet, apesar de toda a graça, significa o fim do pensamento crítico. se você fala mal ou se diz contra é simplesmente deletado, excluído ou bloqueado. o mundo virtual, nesse sentido, mais do que buscar a autopromoção de pessoas e de grupos, nem sempre talentosos, é uma massificação do pensamento, uma padronização do gosto, de imagens, de sons. fabricamos assim um mundo que nos é alheio e que não existe na esquina quando viramos a rua. não adianta ter mil seguidores se você almoça sozinho, acorda sozinha e planeja a sua próxima viagem independente de quem vai, ou não, te acompanhar. e assim as pessoas não conseguem mais falar o que pensam por medo de perder o amigo/seguidor/elogio fácil. mas o que fazer pra ressuscitar essa velha senhora aposentada, a dona crítica, no nosso mundo dos diários íntimos publicáveis?
quarta-feira, 8 de junho de 2011
FRAGMENTOS DE UM DISCURSO AMOROSO
decidi há um tempo que minhas fotografias e as coisas que eu escrevo e publico devem estar, originariamente, primeiramente, sempre, ligadas a mim, ao meu mundo e às coisas que eu faço. "j'ai decidé faire de ma vie la matière même de ma parole", como já disse aqui. voltar meus olhos pra o meu corpo, meu rosto, minhas coisas, minha casa, para o que eu vejo, para o que me faz gelar, para o que deixa meu coração aos pulos, para o que me move, me toca, me molha, para o que me faz criar... comecei a série sobre a minha casa, sobre o lugar onde vivo e que me cerca, sobre isso que é a minha paisagem interna, para o que compartilho com alguns escolhidos mas que, mesmo que agora muitos possam ver, poucos podem entender.... dei o nome de fragmentos de um discurso amoroso, nome de um dos mais belos textos de roland barthes que eu li muito moleca, quase sem nada na cabeça, quase sem entender nada, revisitei o livro e uso o título, na aposta de que é preciso experiência pra entender um monte de coisas, é preciso tempo pra gente poder ver as coisas com olhos mais profundos. segue aqui o começo da série...
domingo, 5 de junho de 2011
quinta-feira, 2 de junho de 2011
AS LINHAS DE STEINBERG
um verdadeiro escritor que, no lugar de palavras, só usava linhas. saul steinberg tem um desenho elegante que me encanta, adoooro desenhos com uma só linha, e nisso, ele é um mestre. um verdadeiro cronista bem humorado da sociedade moderna, do mundo urbano, da vida nas metrópoles. a exposição SAUL STEINBERG, AS AVENTURAS DA LINHA está em cartaz no instituto moreira salles no rio de janeiro. imperdível! clique aqui e assita a um documetário sobre o artista.
quarta-feira, 1 de junho de 2011
segunda-feira, 30 de maio de 2011
STEPHEN MICHAEL KING
stephen michael king é um dos ilustradores de traço mais cativante que conheço. o primeiro trabalho dele que tive em mãos foi presente de uma vizinha para o aniversário de 5 anos de minha filha clarice. era 'ana, guto e o gato dançarino'. uma história linda de amor, amizade, coragem e criatividade. stephen michael king perdeu a audição aos 9 anos de idade e mora numa ilha australiana onde desenha e vive com a família. seus desenhos possuem todo o ambiente de uma ilha, muito céu, muito mar, muito azul, muito passarinho e muito, muito vento, e em quase todos livros tem um animal de estimação. seu último livro publicado (escrito e desenhado por ele) é 'você', de 2011. eu sou apaixonada pelo 'o homem que amava caixas', um livro bastante especial que explora a relação um pouco difícil, mas extremamente amorosa entre um pai e um filho. talvez esse livro espelhe um pouco a relação do ilustrador com o pai, o famoso escritor de suspense stephen king, autor de, entre outros livros, 'o iluminado'. 'o homem que amava caixas' foi adapatado pela 'cia de teatro artesanal' para um espetáculo que esteve em cartaz no 'oi futuro' de ipanema, no rio. a montagem, incrivelmente delicada, misturava máscaras e objetos animados e revelava uma séria pesquisa e total sintonia com do universo do autor: sons de vento, do mar, de passarinhos e, sobretudo, silêncios. fui comemorar o aniversário de oito anos de minha filha lá, levei toda a turma da escola e posso garantir que todos, crianças e adultos, saimos do teatro encantados e extasiados pela beleza da apresentação. mas talvez o personagem que eu mais goste de stephen michael king seja o 'folha'. o 'folha' aparece num livro sem palavras, só com imagens, um livro de rara beleza e leveza onde homem e natureza quase se confundem e a história é toda contada apenas pelos belos e delicados traços do autor. vale a pena um mergulho nesse trabalho, um clássico da literatura infantil, de ponta cabeça. e tenha certeza que você vai sonhar com o vento... total sensação de liberdade!
sexta-feira, 27 de maio de 2011
ALMA LÍRICA BRASILEIRA
não dá pra falar do último disco de mônica salmaso sem antes comentar algumas palavras sobre o que é lirismo e lírico. pra mim, e só posso dizer por mim, lírico é tudo o que remete ao que está dentro, ao que mora no íntimo das coisas, ao que se refere ao que é próprio. pra mim tudo o que é lírico é uma espécie de canto, um hino. poesia cantada da alma de cada um. e não é à toa que o disco possui uma epígrafe poética assinada por mário quintana. o haicai do poeta gaúcho diz assim:
HUMILDE ORGULHO
aquele fiozinho d'água
não era um rio:
bastava-lhe ser um fio de música.
e foi levada por essas significações que dei play no cedezinho e começei a ouvir, numa tarde chuvosa do outono carioca, o 'alma lírica brasileira', da cantora com nelson ayres e teco cardoso, lançado pela 'biscoito fino'. capuccino na mão e barulho de chuva lá fora, só. eu já falei da mônica salmaso aqui e agora ouvindo esse disco sou levada aos teatros em forma de lira que ja entrei, aqueles pequenos, feitos de madeira. o disco remete a essa intimidade. o repertório não revela nada de novo, compositores consagrados, músicas que salmaso já cantou em shows, clássicos da música brasileira. e ouvindo esse disco amplio e amplifico a minha visão do que é música autoral pois, se esse não é disco autoral, nada mais pode ser. e qual cantora hoje arriscaria gravar 'trem das onze' ou 'a história de lily braun' recentemente gravada por maria gadu? e eu digo, a mesma cantora que grava 'labios que beijei', 'casamiento de negros', villa-lobos, herivelto martins e paulo vanzolini. muito há no disco da música do mundo de são paulo. sabemos, no entanto, que a música não mora em nenhum lugar, ou melhor, mora no ouvido de quem ouve e no coração de quem sente. mônica salmaso se veste de lirismo e evoca as rendas de bilros no encarte de três cores: branco, preto e vermelho e se afirma como um das maiores vozes que temos. nela não mora fantasias, roupas exóticas, badulaques na cabeça, nem performance alguma, o que há é a música, apenas a música. a alma lírica brasileira desse trio soa rara e mostra a fina sensibilidade e afinidade musical do grupo. meus ouvidos gostam, minha alma canta, puro lirismo.
HUMILDE ORGULHO
aquele fiozinho d'água
não era um rio:
bastava-lhe ser um fio de música.
e foi levada por essas significações que dei play no cedezinho e começei a ouvir, numa tarde chuvosa do outono carioca, o 'alma lírica brasileira', da cantora com nelson ayres e teco cardoso, lançado pela 'biscoito fino'. capuccino na mão e barulho de chuva lá fora, só. eu já falei da mônica salmaso aqui e agora ouvindo esse disco sou levada aos teatros em forma de lira que ja entrei, aqueles pequenos, feitos de madeira. o disco remete a essa intimidade. o repertório não revela nada de novo, compositores consagrados, músicas que salmaso já cantou em shows, clássicos da música brasileira. e ouvindo esse disco amplio e amplifico a minha visão do que é música autoral pois, se esse não é disco autoral, nada mais pode ser. e qual cantora hoje arriscaria gravar 'trem das onze' ou 'a história de lily braun' recentemente gravada por maria gadu? e eu digo, a mesma cantora que grava 'labios que beijei', 'casamiento de negros', villa-lobos, herivelto martins e paulo vanzolini. muito há no disco da música do mundo de são paulo. sabemos, no entanto, que a música não mora em nenhum lugar, ou melhor, mora no ouvido de quem ouve e no coração de quem sente. mônica salmaso se veste de lirismo e evoca as rendas de bilros no encarte de três cores: branco, preto e vermelho e se afirma como um das maiores vozes que temos. nela não mora fantasias, roupas exóticas, badulaques na cabeça, nem performance alguma, o que há é a música, apenas a música. a alma lírica brasileira desse trio soa rara e mostra a fina sensibilidade e afinidade musical do grupo. meus ouvidos gostam, minha alma canta, puro lirismo.
SÓ GAROTOS - JUST KIDS
eu nem ia dizer nada. mas não posso deixar de passar em branco. esse livro é MARAVILHOSO. referência fundamental nessa passagem de década. é uma linda história de amor, de amizade, de respeito e de admiração incondicionais. é ainda o relato da inspiração e do talendo de uma geração inteira que ainda hoje é referência em várias áreas das nossas culturas, da nossa cultura urbana. eu nunca tinha entendido direito o trabalho de robert mapplethorpe até ler esse livro. antes eu achava o trabalho dele estranho, sem link, debochado, provacador de maneira gratuita. mas patti smith me ensinou a respeitar muito o trabalho desse grande fotógrafo, pois me fez conhecer a alma desse homem de uma maneira ímpar. patti smith é uma mulher bela. erudita, culta, infinita. o livro é belo, cheio de linhas inspiradas e hipnotizantes. abrir na primeira página é descortinar um mundo. força e perseverança moram nessa mulher. uma corajosa, uma guerreira. e, meu deus, quão louco era esse mundo que hoje padece de uma caretice quadrada e dura. sim, viva os anos 60! leia, releia, presenteie, indique, eu fiz isso! quem sabe assim o mundo aprende a amar de vez?
quinta-feira, 26 de maio de 2011
A PORTA
fechadura fama
a fechadura da porta. da porta de casa.
espelho e maçaneta antigos.
bati essa porta com a chave dentro,
duas vezes em uma mesma semana.
é como se eu fugisse do meu mundo e
jogasse a chave fora... dá um desolamento, uma fragilidade, uma sensação de perda.
mas há o chaveiro da esquina que chamo e,
com ele, os sinais de arrombamento.
a chave, na mão, quase sempre abre a porta.
mas é fácil perder uma chave.
trocar a chave, esquecer a chave.
difícil é errar de porta, perder uma porta.
porta é portal. escolha a sua.
chave é passagem, senha, sina.
escolha a sua. a porta e a parede são brancas.
e nada de olhar pelo buraco da fechadura,
a porta está aberta.
entre, a casa é sua.
O assunto porta, fechadura, grades e afins está em pauta na minha vida. e, ontem, lendo o blog do instituto moreira salles, e constatando que não existe coincidências, mesmo! deparei-me com uma carta de maria rita kehl (sou fã dela) que fala, ente outras coisas, sobre nossos medos. recomendo a leitura do texto e da sua correspondência, nada imaginada, com armando freitas filho.
a fechadura da porta. da porta de casa.
espelho e maçaneta antigos.
bati essa porta com a chave dentro,
duas vezes em uma mesma semana.
é como se eu fugisse do meu mundo e
jogasse a chave fora... dá um desolamento, uma fragilidade, uma sensação de perda.
mas há o chaveiro da esquina que chamo e,
com ele, os sinais de arrombamento.
a chave, na mão, quase sempre abre a porta.
mas é fácil perder uma chave.
trocar a chave, esquecer a chave.
difícil é errar de porta, perder uma porta.
porta é portal. escolha a sua.
chave é passagem, senha, sina.
escolha a sua. a porta e a parede são brancas.
e nada de olhar pelo buraco da fechadura,
a porta está aberta.
entre, a casa é sua.
O assunto porta, fechadura, grades e afins está em pauta na minha vida. e, ontem, lendo o blog do instituto moreira salles, e constatando que não existe coincidências, mesmo! deparei-me com uma carta de maria rita kehl (sou fã dela) que fala, ente outras coisas, sobre nossos medos. recomendo a leitura do texto e da sua correspondência, nada imaginada, com armando freitas filho.
sexta-feira, 20 de maio de 2011
O QUE EU SOU,
"j'ai decidé faire de ma vie la matière même de ma parole". essa frase de duane michals me inspira muito e sempre. decido, então, depois que li os textos dele, somente fotografar o que sou, as minhas coisas e o meu mundo. fotografar a mim mesma não é um insulto. e, mesmo morto, como toda fotografia, o autorretrato ainda preserva algo que fomos um dia, um esboço do futuro, um pequeno tesouro de si mesmo. aqui você encontra os meus autorretratos.
quarta-feira, 18 de maio de 2011
XUE JIYE
se fosse pra usar apenas uma palavra para resumir o trabalho de xue jiye, usaria a palavra 'crueza', muito bem empregada por quem me apresentou essas pinturas. mas pra mim o trabalho como um todo transmite uma sensação não só de crueza, mas de descarnamento, desembrulho. há em xue jiye uma estranha sensação de negação do humano, um estoicismo auto-flagrante, uma punição indiferente. gosto bastante.
terça-feira, 17 de maio de 2011
BUTECO 'PÉ SUJO'
sou uma andarilha. e andando (e bebendo) pelas ruas do rio de janeiro sempre encontro coisas interessantes pra fotografar e admirar. muitas vezes descubro coisas que um olhar comum não veria. gosto de perceber detalhes escondidos... os butecos 'pé sujo' estão, infelizmente, acabando. no lugar deles estão surgindo butecos repaginados que exibem cardápios com preços de bares bacanas, os garçons ganham uniformes e aventais mais limpos e a freguesia muda, obviamente. muita gente conhece como 'copo sujo', 'bunda de fora', ou seja lá o que for. eu gosto e frequento os 'pé sujo', cerveja barata e papo com um fiel amigo, não preciso de mais nada, muitas vezes... mas ao mesmo tempo os 'pé sujo' são difíceis, quase nunca arrisco comer nada, mas gosto de olhar os avos coloridos e o apetite de alguns mais animados em devorar os danados com sal, cachaça ou cerveja. os banheiros, no geral, são péssimos, as cantadas, então,... bom, deixa pra lá.... as fotos são feitas pelo celular, na pressa, muitas vezes depois do brinde, muitas vezes sendo empurrada pelos garçons ou por algum frequentador mais bêbado que eu... a série mais completa está aqui. e como continuo andando e bebendo, deve aumentar aos goles, ooops, aos poucos...
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