
foto: madalena schwartz
o que você faz com as pedras que aparecem pelo caminho?
foto do papai




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mário schenberg foi um homem fascinante (físico brilhante, crítico de arte, político), uma dessas jóias raras que o recife sempre nos presenteia. o retrato acima é assinado por madalena schwartz, a grande dama da fotografia. há nele uma atmosfera única, uma ausência de segundo plano que inquieta e fascina. é um belo retrato-instântaneo. o retrato está na pose, incontestável! e o instantâneo surge no baile fugaz da fumaça branca. é tudo fumaça-nuvem-pensamento que exala do charuto e se apodera dos cabelos, emoldurando a face de linhas sóbrias e compenetradas. os cabelos, fartas mechas brancas, escorrem pela fotografia feito água de cahoeira que respinga em nossos olhares admirados. a mão, que segura o charuto-cinzel, escultor de fumaça e pensamentos, impõe uma dramaticidade tão forte na imagem que quase nos vemos, por um breve segundo, a repetir o mesmo gesto.
eu não seria a pessoa que sou hoje sem algumas das referências que marcaram a minha vida. e uma das minhas referências mais fortes de arte foi, e ainda é, o trabalho do Grupo Galpão. no começo dos anos 90, na faculdade de história da UFU, eu assisti pela primeira vez a uma encenação do grupo. era nada mais nada menos de um dos maiores espetáculos de teatro que eu já vi em toda a minha vida, Romeu e Julieta, de Sheakespeare. nem é preciso dizer de meu fascínio, pois a peça é unânime nos elogios da crítica e é, definitivamente, a melhor montagem de Romeu e Julieta de todos os tempos. esse dia histórico, com direito a lua nova no céu colorido do cerrado foi, infelizmente, marcado como a última apresentação da atriz e fundadora do grupo, Wanda Fernandes, que morreria, dias depois, num trágico acidente de carro. depois disso sempre procurei ir até onde o grupo estaria se apresentando. vi a 'Rua da amargura', 'Um Moliére imaginário', 'Um Homem é um homem'. Ontem assisti novamente a uma apresentação do grupo no parque dos patins na lagoa, aqui no Rio de Janeiro e, mais uma vez me emocionei muito. 'Till, a saga de um herói torto' me encantou não só pelo trabalho excepcional da trupe de cantores, instrumentistas e atores, mas ainda pelo fato de poder vê-los mais uma vez e sair dali plena daquelas imagens e de sua maneira tão única de fazer teatro. acompanhar a trajetória desse grupo é uma das alegrias da minha vida. e não foi sem uma ponta de tristeza que pude perceber como a grande atriz Teuda Bara mal consegue caminhar e mesmo assim fascina com sua força e brilho no palco. sim, vale a pena ir até onde o Galpão está!
"quando entrar setembro..."