quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

CAPITU

TV Globo/divulgação
Assisti a estréia de Capitu, ontem na TV Globo. Claro, não tinha como desprezar uma adaptação destas. Machado de Assis e sua mais popular e polêmica obra, os personagens mais perturbadores da literatura brasileira na televisão, com muita grana e a certeza de ver algo diferente e ousado no que se refere aos padrões Globo de entretenimento. Bom, confesso que gostei, apesar de duas ou três coisas terem me incomadado. A primeira foi a música. Ok, Machado é universal, extrapola fronteiras, atemporal mesmo, agora guitarra distorcida e rock em língua inglesa realmente foi muito para os meus ouvidos. Interessante a idéia de misturar o antigo e o moderno, como disse, Machado chega até nós fresco como Capitu, mas eu apostaria e gostaria de ter ouvido uma trilha mais brasileira, mesmo. Perdão, Tim Rescala, mas estranhei muito. Outra coisa que me incomodou foi a beleza e a sensualidade exaltada da atriz Letícia Persiles diante da meninice do pequeno Bentinho. Tudo bem, "ela parece ter 17 anos", como nos disse Machado. Mas o Bentinho não precisava aparentar ter 12, né? Por favor!! Ah, e a prima Justina como uma velha meio caquética? Gente será que li errado o livro? Amei, no entanto, a cena do muro, no jardim... Fiquei imaginando como essa passagem do texto seria mostrada na tela e me surpreendi tanto com o desenho de giz no chão e eles rodando, riscando.... beleza pura!

CENSURA

O que eu queria dizer...
não posso.
Isso que me invade
agora
não pode ser dito
dentro de um consultório médico
numa segunda-feira ensolarada.

A FILA

Na fila do banco todos esperam,
a mulher que esqueceu de pegar a senha,
o casal de mãos dadas,
o boy com fones de ouvido e capacete na mão,
a senhora elegante,
a menina que faz tranças na mãe.
Eu espero sentada.
A gerente também espera o fim do expediente,
a porta giratória alguém para barrar,
a caixa de acrílico chaves, celulares e moedas.
Eu, que a fila ande.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

SUNFLOWER

Noite passada resolvi fazer uma coisa que há tempos eu queria fazer. Organizar os bolachões aqui de casa. Tarefa árdua, já que os bichinhos são pesados e estavam numa desordem abissal.
Coloquei tudo em ordem alfabética, mas separei por grupos: música brasileira, jazz, rock, música erudita, música infantil e os outros... Passei a noite virando disco na velha vitrola. Quanto disco bom! Verdadeiras pérolas! E cada capa extraordinária como aquela de "Milagre dos Peixes" do Milton Nascimento que se dobra e desdobra e temos uma foto gigante do Milton moleque!!! Lindo! Mas vou citar um dos LP'S que não consegui parar de ouvir, uma verdadeira obra prima: Milt Jackson Sunflower. Adormeci e amanheci ouvindo... Outro desses discos "para gostar de jazz", não tem como não gostar. Dá para ouvir por aqui. Aliás, eu recomendo qualquer disco do Milt Jackson. Para quem não conhece, Milt Jackson era o vibrafone Modern Jazz Quartet. Levaria este disco para uma ilha deserta, com vitrola, é claro!

domingo, 7 de dezembro de 2008

PASSA TEMPO

Minha amiga Juliana, uma legítima jujuba, das vermelhas, me acompanhou um dia inteiro filmando e fotografando tudo! E a danada realizou um videozinho muito bacana e criativo com um dos momentos do meu dia, dedicado a mim mesma. O filme completo com o dia inteiro é ainda uma promessa! Confiram o post no blog dela, o Jardinage e vejam só o que ela fez!

RÊ BORDOSA

Sábado de manhã acordei com dor de cabeça, uma sede absurda, tudo provocado pelos excessos da sexta-feira. Para aliviar a ressaca resolvi caminhar, passei numa banca para comprar jornal e vi um desses livrinhos da LP&M com as tirinhas da Rê Bordosa. Não tive dúvidas, me sentindo a própria, comprei o livro e me entreguei às gargalhadas. Esse post é, então, em homenagem, a anti-heroína dos quadrinhos de Angeli. Quase toda mulher da minha geração é fã da Rê. Ela sai de casa sozinha, encara qualquer bar numa boa, passa a noite com qualquer um e nunca se lembra com quem porque está sempre bêbada. Mas a velha junkie não está nem aí para o que pensam dela e ainda sonha com um príncipe encantado quando fica deprê. Faz xixi de pé no banheiro dos homens e passa dias e noites mergulhada no submundo de sua banheira em companhia de homens que despreza. Eu nunca tinha entendido direito a morte da Rê Bordosa mas agora é tudo muito claro, nesse mundo medíocre e broxante não cabe a nossa querida Rê. Ela morre gorda e casada com o garçon do bar que mais frequentava, justamente quando ele sugere a vinda de um filho para aliviar o tédio. A causa mortis: o vírus tedius matrimonius. Engraçado que o que leva Rê Bordosa a explodir seja a questão da maternidade, tão almejada por tantas mulheres. A Rê realmente não poderia viver muito tempo, mesmo que seu fígado aguentasse por mais alguns anos. Nesse caso, então, vida longa aos quadrinhos!! Brindem com vodca, por favor!!

sábado, 6 de dezembro de 2008

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

40 AN0S DE BIP BIP

13 de dezembro de 1968. O Ato Institucional número 5 é decretado em Brasília anunciando os dias de chumbo que estariam por vir. Mas como tudo nessa vida tem seu lado bom, a data é também o marco de inauguração de um melhores bares do Rio de Janeiro, o BIP BIP, na rua Almirante Gonçalves, em Copacabana. O Bip é uma instituição do samba carioca, não dá para falar da história do samba no Rio de Janeiro sem passar por ali. Eu já presenciei rodas de samba antológicas, momentos que fazem desta cidade um lugar tão especial e musical. Quantas vezes não sai pelas ruas de Copacabana cantarolando um samba novo da noite passada no Bip? Além disso, o bar é uma delícia, você vai lá pega sua própria cerveja, sente-se em casa! E o Alfredinho, lendário pelo seu humor e pelas broncas também antológicas, é, na verdade, um doce de pessoa!!! Bom, tudo isso para falar que no próximo dia 13 de Dezembro vai acontecer a festa dos 40 anos!!! A rua vai fechar e a roda de samba vai acontecer no meio do povo. Imperdível! Nada mais carioca, nada mais Copacabana!

ENTRE COXAS




quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

BALLADS

Um bom bocado da minha tarde de hoje foi dedicado à delicada tarefa de dissipar fios de cabelo e alinhar nuvens. Isso feito, aperto o play no meu tocador de cd's para ouvir, pois esse começo de noite exige, o fundamental John Coltrane Quartet - Ballads. Esse é um daqueles discos "para gostar de jazz", não tem jeito! Para quem não conhece vai aqui uma palhinha.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

PLONGÉE



Minha amiga Juju conseguiu um mergulho no meu cotidiano, ou pelo menos em um momento dele, rotineiro, diário, com estas duas fotografias. Toda manhã faço meu café e gosto de fazer meu próprio café. Uso coador de pano, como antigamente, não só pelo hábito secular, mas também para evitar ficar jogando fora mil filtros de papel, já que aqueles filtros de plástico, por favor, nem pensar... Adoro o cheiro que fica no ar quando a água fervente cai sobre o pó, produzindo mil borbulhas. Tomo café diariamente, é uma das primeiras coisas que faço quando acordo, esteja onde eu estiver. Levo pó de café e coador até para acampamento, detesto café solúvel. Gosto de café forte, preto. Em casa tomo com pouco açúcar, na rua meu expresso é curto, amargo. Sempre ofereço café aos meus amigos, até os que não tomam (como a Juju ou a Eleonora, por exemplo) acabam tomando um xícarazinha... E só tomo café fresco, feito na hora, café de garrafa térmica de jeito nenhum... E tomo de duas a três vezes por dia, só evito à noite, tenho medo da insônia, pois, apesar do uso diário, o café ainda me excita. Além de tudo isso, "Café" pode ser um lugar, uma bebida ou um momento. Adoro conversas em torno de uma xícara de café. Dizem que é um veneno e tem uma frase do Voltaire, maravilhosa: "claro que café é um veneno, mas um veneno lento, faz 40 anos que eu bebo!"

domingo, 30 de novembro de 2008

O QUE VOCÊ TEM NA CABEÇA?


Escolha uma peruca e saia por aí!

RECICLAGEM

O peixe,
que antes vivia preso no aquário,
agora jaz,
nas páginas de um livro.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

RUBENS RODRIGUES TORRES FILHO


NIILIRISMO
É fácil confessar: - Claro, te quero.
O sobressalto desse teu sorriso.
Extravagantes luas exorbitam.

MATÉRIA PRIMA
Esta palavra contém
um poema
este poema não
contém palavras. Uma
palavra
e
outra
dançando a ciranda
compondo o
colar
Dou-te o colar
queres as contas
que são as contas
sem o colar
palavra água
palavra sede
feliz encontro
onde bebemos
sem freio

JANELAS
Minha amada me diz: - Mete.
Céus! Me sinto um meteoro -
e vou indo, feito um globo,
feito um bobo, uma vedete,
um luminoso sinistro.
Ela quer, alguém diria
(quem diria?), ela reflete
compenetrada alegria
por me sentir tão minério,
penhascos e companhia:
essa praia e seus mistérios.
A natureza copia.


Estes três poemas tomaram conta da minha cabeça neste começo de noite, encontram sua razão de estarem aqui por isso e por outros motivos também...
Rubens Rodrigues Torres Filho é poeta, filósofo, tradutor e germanista.
Site oficial: http://www.art-bonobo.com/rrtf/21.htm

VOCÊ É O QUE VOCÊ COME

Meu almoço de hoje, salada delícia irresistível com alface crespa, tomate cereja, pepino japonês, broto de alfafa, brócolis americano e couve-flor. Tudo orgânico, regado com azeite extra virgem e molho shoyu de boa qualidade. Não troco por nada, viu!

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Sem um pingo de paciência com a humanidade hoje.

domingo, 23 de novembro de 2008

DU BOS - SÉC XVIII

A alma tem suas necessidades
como as tem o corpo;
e uma das maiores necessidades do
homem é a de ter o espírito ocupado.
O tédio que segue em breve a inação
da alma é um mal tão doloroso para
o homem que ele empreende muitas
vezes os mais penosos trabalhos a fim de
poupar a si mesmo a aflição de ser por
ele atormentado... Na realidade, a agitação em
que as paixões nos mantêm, mesmo durante a
solidão, é tão viva que qualquer outro estado é
um estado de langor ao dessa agitação.
Assim, corremos instintivamente atrás das coisas que
podem excitar nossas paixões, embora tais coisas nos
causem impressões que nos custam muitas vezes noites
inquietas e dias dolorosos: mas os homens
em geral sofrem ainda mais quando vivem sem paixões do
que quando elas o fazem sofrer.

sábado, 22 de novembro de 2008

DESASSOMBRO


ultimamente tem sido assim,
uma insônia abriga esse assombro.
chá verde, internet, mp3 e rabiscos...
o dia nasce e eu amanheço,
procuro sombra.
o sol me pega pela mão
giro, circunflexa.
então ando, como e bebo (às vezes demais!),
escrevo, danço, avisto o mundo, disparo flechas,
deleto perfis, saio nua por aí.
marco uma viagem, só a volta.
se tu quisesses, eu dormiria!

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

MINHA ARMA É O QUE A MEMÓRIA GUARDA

A Panair do Brasil era para mim, até ontem, uma espécie de mito. Lá nos sertões de Minas, onde avião demorou muito a pousar, eu só conhecia a Panair através da música do Milton Nascimento e do Fernando Brant na voz da Elis, um grito!! Ontem assisti ao documentário Panair do Brasil de Marco Altberg e me surpreendi com a bela aula de história sobre esse período (opss... ia falar período negro, perdão Zumbi!!!), sobre esse período lamentável da nossa história em que os militares deitaram e rolaram neste pais. Um caso de violência jurídica, uma das mais veladas e violentas formas de coagir, porque não sangra... Vale muito a pena ver este filme e mostrá-lo para as novas gerações. Não só porque nos conta uma 'história mal contada', mas também por mostrar a força da luta dos funcionários da antiga companhia em manter viva a memória da Panair . Eu ainda posso dizer que o filme me tocou de um modo muito particular e me emocionei de verdade quando o Paulo Betti interpreta a crônica de Carlos Drummond de Andrade "Leilão do ar" e Elis a canção do Milton e do Brant "Conversa de bar - saudades dos aviões da Panair". Os artistas realmente são as antenas desse mundo, essa crônica e essa canção falam mais que milhares de palavras.... Claro, todo o contexto traçado pelo filme é de fundamental importância para que tudo fique mais claro e o espectador possa, sozinho, compreender toda aquela história. Transubstanciar esse absurdo, essa indignação histórica em música, poesia e arte é realmente uma tarefa para poucos!!! Encontrei um post da música no youtube (não é a mesma imagem que a aparece no filme, mas é a mesma música e com a Elis - linda, vestida de dourado, como ela aparecia no grande poster pregado na melhor parede do meu quarto quando eu era adolescente, outras memórias....) A crônica do Drummond, infelizmente não encontrei.

Ontem tivemos um dia delicioso!. Eu, Juju, Pedro e Fernando fomos ao Instituto Moreira Salles ver a exposição do Alécio de Andrade que chega ao fim este final de semana, só isso já valeria o dia, a exposição está maravilhosa e Alécio de Andrade é um verdadeiro poeta da imagem em preto e branco, um grande mestre! Áí veio passeio pelo jardim do IMS, cafezinho, papo, cineminha... Bom, depois disso tudo, nos despedimos do Fernando e rumamos meio perdidos até cair no Buteco da Praia para comer um daqueles famosos sanduíches com abacaxi e mais empadinhas, pasteizinhos, chopinhos e tal... Decidimos acabar a noite no Bip Bip em Copacabana, que há mil anos não vou... E não posso deixar de registrar aqui a cena surreal que vimos: um cara com um florete na mão, treinando esgrima com um coqueiro, isso em plena praia do Flamengo!!! Enfim... encontramos o Gustavo no Bip e demos com a cara na porta. Alfredinho tirou o feriado para descansar e nós resolvemos ir até o Cafeína da Constante Ramos para adoçar mais ainda esse dia com aqueles doces maravilhosos!!. Eu tomei chá verde com cachaça!!! Juro!!! E, novamente na saída, mais uma cena surreal, um bichinho lindo, todo verde, todo folha, deu o ar da graça e deixou se fotografar.... na hora pensamos que era um louva-a-deus (na verdade eu jurava que era, efeito da cachaça, será?) mas agora vejo que não, louva-a-deus é mais magrinho, com a cabeça empinadinha... até agora não descobri o nome desse bichinho todo camuflado de folha...