vontade sem fim de sair andando por aí, sem rumo ou destino certo... vontade de me perder um pouco do cotidiano, da rotina escalavrante que essa vida tem. vontade de ser eu mesma em outra paisagem... vontade de improvisar, arriscar um salto pra dentro de mim mesma. vontade de ser um mapa, destino, parada. vontade de ser fonte, marco, início e fim, como o sol ou a lua. vontade de ser em carne viva, filete de sangue. vontade de não querer nada nem ninguém... vontade de ser livre de tudo o que é previsível, ridículo ou absurdo. vontade de ser sozinha, como um dia fui e nunca mais serei... vontade de ser lágrima quente. vontade de ser música, fogo, fábula... vontade de ser cinza, alimento, adubo .... vontade de ser fotografia antiga, relógio sem ponteiros, moldura vazia... vontade de ser tinta, cor, textura... vontade de ser punhal, espelho, reflexo. vontade de ser criança, balanço, sorriso.... vontade de ser grito, urro, uivo! vontade de ser pingo, chuva, enchurrada... vontade ser rio, peixe, pedra. vontade de ser pegada na areia, rastro, sinal. vontade de voar... vontade de ser fala, pura palavra, plurilíngua. vontade ser pele, pêlo, arrepio. vontade de não ser... ah, bruta flor do querer!!
sexta-feira, 3 de julho de 2009
BRUTA FLOR DO QUERER
vontade sem fim de sair andando por aí, sem rumo ou destino certo... vontade de me perder um pouco do cotidiano, da rotina escalavrante que essa vida tem. vontade de ser eu mesma em outra paisagem... vontade de improvisar, arriscar um salto pra dentro de mim mesma. vontade de ser um mapa, destino, parada. vontade de ser fonte, marco, início e fim, como o sol ou a lua. vontade de ser em carne viva, filete de sangue. vontade de não querer nada nem ninguém... vontade de ser livre de tudo o que é previsível, ridículo ou absurdo. vontade de ser sozinha, como um dia fui e nunca mais serei... vontade de ser lágrima quente. vontade de ser música, fogo, fábula... vontade de ser cinza, alimento, adubo .... vontade de ser fotografia antiga, relógio sem ponteiros, moldura vazia... vontade de ser tinta, cor, textura... vontade de ser punhal, espelho, reflexo. vontade de ser criança, balanço, sorriso.... vontade de ser grito, urro, uivo! vontade de ser pingo, chuva, enchurrada... vontade ser rio, peixe, pedra. vontade de ser pegada na areia, rastro, sinal. vontade de voar... vontade de ser fala, pura palavra, plurilíngua. vontade ser pele, pêlo, arrepio. vontade de não ser... ah, bruta flor do querer!!
quinta-feira, 2 de julho de 2009
ÁUREA MARTINS
Áurea Martins é uma das maiores cantoras do Brasil. Disso nunca tive dúvida! Quando essa mulher solta a voz não tem pra ninguém! E o arrepio rola solto pela espinha, do cócix até o pescoço! Conheço Áurea da noite carioca, antes mesmo de vir morar no Rio de Janeiro. Toda vez que vinha ao Rio procurava saber onde ela estaria cantando e ia lá. Agora que moro perto (somos vizinhas, até!) procuro não perder a oportunidade! Sempre bem acompanhada de excelentes músicos e repertório irretocável, Áurea esbanja interpretação e generosidade!É sempre um prazer ouví-la cantar, faz bem à alma. Acompanhei sua temporada no antigo 43, da rua do Ouvidor e no Santo Scenarium, recentemente! Agora ela vai cantar como nunca, depois do reconhecimento de melhor cantora de MPB pelo prêmio TIM, edição 2009, com o disco "Até Sangrar", lançado em 2008. "Até Sangrar" é um disco ímpar, foi produzido por Hermínio Bello de Carvalho e José Maria Rocha. Hermínio Bello dispensa apresentações e Zé Maria é um dos pianistas fabulosos que a musicalidade desse Brasil fez e faz. É um disco denso, intenso! com muito Lupcínio Rodrigues (Áurea, Zé Maria e Zezé Gonzaga tinham um show em homenagem ao Lupcínio Rodrigues e o disco resulta dessa parceria também...) mas tem ainda Chocolate, Vinícius, Tom Jobim, Donato e outros craques! além de uma versão inusitada de "Nada por mim" de Paula Toller e Herbert Vianna! Vale conferir!
Áurea Martins é uma estrela negra de voz rouca, preciosidade, uma verdadeira guerreira!!
Próximo show:
Áurea Martins convida Emilio Santiago.
Dias 08 e 09 de Julho
Teatro de Arena da CAIXA Cultural Rio.
Fotografia: Walter Firmo
terça-feira, 30 de junho de 2009
segunda-feira, 29 de junho de 2009
TIME OUT
álbum fundamental do quarteto quebra tudo de Dave Brubeck, pianista dos maiores que ainda está na ativa. Apesar de muita gente considerar 'menor' a galerinha do jazz west coast, eu digo, em bom tom, que adoro! Do trompete de Chet Baker ao sax de Paul Desmond. E como não vou ficar aqui repetindo palavras, ouçam "Take Five" e leiam a coluna de Carneiro. Vale a pena! A capa do disco acima é de Neil Fujita.sexta-feira, 26 de junho de 2009
KING OF POP
Assistindo ontem a um documentário na Globo News sobre a morte inesperada do Rei do Pop, minha filha, indignada com o meu monópolio da TV (ela tinha acabado de ganhar o aparelho!), me pergunta, quando a imagem mostra Michael, há poucos anos, cantando num show espetacular no Japão: "É esse o Michael Jackson, mãe?". E eu respondo: "É, Clarice". Na sequência, a imagem muda, vem Thriller, e mais uma vez a pergunta:"É esse o Michael Jackson, mãe?". E eu respondo: "Sim, Clarice, é esse!". Por fim surge na tela aquela carinha de anjo black power dos Jackson 5. "Quem é esse, mãe?" - pergunta ela. E eu respondo: "Michael Jackson, Clarice!!!!". E ela não se contém: "Caramba, mãe, mas quantos Michael Jackson são?".Difícil explicar para uma criança a radical mudança na feição de uma ídolo tão querido por milhões de pessoas. E a mim não interessa a cara que ele escolheu ter. O que realmente importa é que ele me fez dançar. Primeiro juntinho, de rosto colado, nas domingueiras dançantes promovidas pelas turminhas de escola ao som de I'll be there e outras baladas dos Jackson 5. Sim, só me lembro das baladas, coração na boca, rosto suando, respiração quente.... Depois, quando eu completava exatos 13 anos, veio Thriller!!!! E dancei, imitando Michael Jackson, na garagem de casa, na garagem dos vizinhos, na garagem das minhas tias em Goiânia, onde passei as férias daquele ano e em quase todas as festas que fui e que acabam em dança. Michael Jackson é um clássico, isso não se discute!! Dancei muito, gel molhado no cabelo, ombreiras e tudo o que a moda pedia. Ah, os anos 80!!! Eternos anos 80!!
quarta-feira, 24 de junho de 2009
terça-feira, 23 de junho de 2009
sexta-feira, 19 de junho de 2009
DIANNE REEVES
Dizem que Dianne Reeves é uma das maiores cantoras de jazz da atualidade, herdeira de Ella e Sarah. Pra mim ela é muito mais, pra mim é a maior cantora que já vi cantar. E foi na noite fria de ontem no Vivo Rio que, ao ouví-la, me lembrei não só de Ella ou Sarah, mas o show, sua voz e sua maneira de cantar me lembraram ainda Bobby Mcferrin, Elis Regina e Clementina de Jesus. Sonoridades e mais sonoridades. Com um time impecável de músicos, entre eles Romero
Lubambo que eu também nunca tinha visto tocar ao vivo, o show foi sensacional! Memorável para os reles mortais como eu e o querido Maldonado, que me convidou para esse delírio de sons!! Ela é super simpática, recebeu quem quis vê-la, autografou os discos, sorriu e pousou pras fotos!!! Uma lady!quinta-feira, 18 de junho de 2009
domingo, 14 de junho de 2009
domingo, 7 de junho de 2009
SE TUDO PODE ACONTECER
Lindo, lírico, poético! Puro deleite!
Arnaldo Antunes, Alice Ruiz, Paulo Tatit, João Bandeira.
quarta-feira, 3 de junho de 2009
segunda-feira, 25 de maio de 2009
BUDAPESTE
“Budapeste” é uma história de amor pela palavra, pela cidade e também de um homem por uma mulher. Li o livro em duas noites seguidas, na época do lançamento. É um livro denso, forte e me envolveu totalmente. O filme não conta com a mesma força, o grande problema das adaptações... Em suas páginas, Chico Buarque explora várias relações binárias, duplas e espelhadas entre Costa e suas mulheres (Vanda e Kriska), a relação de identidade do homem com as cidades, Budapeste e Rio de Janeiro e o amor pelas línguas: o português e o húngaro (a cena no telefone público - vermelho e de ficha!! - traduz isso quando Costa grava suas palavras em uma secretária eletrônica a saudade de falar 'saudade', 'pão de açúcar', 'Guanabara', 'maracanã', 'marimbondo', 'adstringência'). E entendo essas relações como uma contraposição entre o que é essencial e o que é aparente, o que fica absolutamente evidente na relação entre Costa e Vanda. Ele não aparece, é um ghost writer, vive pela palavra, na busca por suas histórias encomendadas, ela é o que se vê na TV, uma fachada, nada mais. Um aparência, o outro essência. Budapeste, no filme, é amarela sépia em uma fotografia que poderia acrescentar de verdade. Essa afirmação pode soar gratuita, mas é assim que vejo, nenhuma surpresa, nenhum grande choque, apenas algumas pequenas variações sobre o olhar de Lula Carvalho que já deixou sua marca em "Feliz Natal". É bom lembrar que a direção é do grande Walter Carvalho, “fotógrafo que dirige”, como ele próprio se define, mas a produção e roteiro de Rita Buzzar (de "Olga", filme que não gosto). Admirei muito, no entanto, a cena em que Kriska e Costa se conhecem (foi o primeiro encontro dos dois atores também). Gosto ainda da cena absolutamente autoral da estátua esquartejada de Lênin a navegar pelo rio Danúbio e confesso que não fica muito claro para quem vê o filme o fato da história acontecer ao mesmo tempo em que é narrada, em que é escrita. Afora isso achei completamente desnecessária aquela “feijoada completa” e sua tradução para o húngaro à beira mar (lembrando Noel Rosa: “o samba não tem tradução”), sem falar que é ridículo traduzir uca, torresmo e etc, a mim soou fake, cartão postal barato da cidade. Detesto Giovana Antonneli e Paola Oliveira e por falar nisso, os nus do filme, apesar de serem lindos, excedem, aquela pitada a mais que muda o sabor. E achei bem bacana o filme ser falado em húngaro, com legendas em português, e não em inglês, como geralmente acontece, finalmente um grande acerto para o cinema nacional!!
Walter Carvalho é diretor de fotografia de "Lavoura Arcaica" e "Cleópatra", entre outros; co-dirigiu "Cazuza - O Tempo Não Para", com Sandra Werneck e "Janela da Alma", com João Jardim, dirigiu ainda o documentário "Moacir, Arte Bruta".
quinta-feira, 14 de maio de 2009
domingo, 10 de maio de 2009
DIA DAS MÃES
Acordamos tarde. Tomamos café da manhã juntas, na mesa, como poucas vezes ela faz, pois quase sempre quer comer na frente da televisão, o que eu detesto, por isso cortei a TV a cabo. Agora, na TV, só DVD, escolhidos por mim. Depois dançamos, tomamos banho, nos vestimos e passamos o mesmo perfume. Preparei o almoço. Saimos para ir ao mercado comprar papel alumínio e queijo parmesão. Ela levou a boneca japonesa e no meio do caminho queria que eu carregasse, como sempre faz. Eu disse que não iria carregar a boneca, pois cada um deve carregar as suas coisas. Ela chorou e gritou no meio da rua. Esperei, pacientemente, o showzinho terminar e continuamos o trajeto. Cada uma de nós, então, pegamos em um braço da boneca e fomos assim, caminhando de mãos dadas, as três. Ao telefone falei com as avós e com meu pai. Almoçamos, eu e ela, e nos preparamos para um passeio por Laranjeiras, tomamos sorvete e depois fomos ao Oi Futuro. Lemos, ouvimos música e vimos uma exposição de fotografias. Encontramos com a Juju e sua família. Compramos flores, viemos pra casa, recebemos uma visita boa. Depois fomos comprar o maravilhoso pão de queijo da padaria que abriu ao lado de casa. Voltamos pra casa, assistimos um DVD, jantamos e nos preparamos para dormir... Um dia como outro qualquer, com a tarefa cotidiana de 'educar', impor limites, buscar coisas boas para serem compartilhadas, vividas, lembradas.
sexta-feira, 8 de maio de 2009
MAIO MAIO MAIO
Feito bóia ébria boiarei
Maio
Filmes rápidos plágios sonharei
E dispenso até a esperança
Contente com a epiderme de um lugar
Que a brisa deste mês beija e balança
É maio
Maio maio maio maio é
Maio
Sonho sonho sonho sonharei
Nenhum monstro em maio me assusta
E até o tempo o devorador
Já sabe que sou em quem o degusta
Maio
E me
Deito
No chão
Céu água-marinha sobre mim
Sem nem
Lembrar
Quem foi que no verão cruel
Veio passo a passo
E seqüestrou meu coração
Mas não levou o céu
Que avisto aqui do chão
Waly Salomão/João Bosco/Antônio Cícero
domingo, 3 de maio de 2009
E AGORA?
noites com 12 horas de sono.
descanso merecido pós pós.
fiquei nervosa, como nem eu previa, na defesa do mestrado, mas deu tudo certo.
fui aprovada com louvor, altos elogios e indicação do texto para publicação.
o que significa outro trabalho.
mas o incrível é que não sinto alívio.
sim, uma etapa passou, não devo nada a ninguém.
mas devo a mim mesma,
cobrança maior que existe.
sei que quero continuar estudando fotografia, pesquisando, lendo muito, vendo tudo, quero dar aulas, doutorado, pós-doc, o que vier por aí eu topo.
fico pensando nessa minha trajetória cheia de voltas
uberlândia, são paulo, rio de janeiro.
história, filosofia, memória social.
o que significa isso? eu, é claro!
mas não me pergunte pra onde vou!
por isso a falta de alívio.
caminante no hay camino, se hace camino al andar...
então vou por aí...
vou sair e comprar os jornais, desfrutar do sol morno dessa linda manhã de domingo,
não penso que há outra coisa para ser feita agora!
sexta-feira, 1 de maio de 2009
terça-feira, 28 de abril de 2009
podemos ter a certeza de que não somos mais os mesmos.
(porque a gente é meio borboleta, depende do que nos envolve pra gente se transformar ...).
quinta-feira, 23 de abril de 2009
23 DE ABRIL


Hoje é um dia especial pra mim. Porque hoje é dia de São Jorge vou presentear alguns dos meus amigos mais próximos com um pequeno vaso com uma espada de são jorge plantada por mim. O vaso vai com os votos de proteção e coragem. Porque hoje é dia de São Jorge, de Capadócia, do Rio de Janeiro, vou me vestir de vermelho e branco, as cores de Xangô. Mas porque hoje também é dia de São Pixinguinha, um dos maiores músicos que esse Brasil já teve, acordei ouvindo Choro e quero passar por todos os discos que tenho do velho Pizindim para comemorar esse que é o Dia Nacional do Choro. Vou ouvir "Rosa", "Carinhoso", "Lamentos", "Samba de fato", "1 x 0", "Naquele tempo" entre outras músicas também memoráveis.
E se hoje é 23 de abril, é também dia de Geraldo Pereira, o rei do sincopado, um dos sambistas que mais aprecio. Vou sambar de saia rodada na minha sala ouvindo "Falsa baiana", 'Escurinho/Escurinha", "Bolinha de papel", "Você está sumindo"... tudo daquele disco que eu adoro e que é só Geraldo Pereira na voz de Bebel Gilberto e Pedrinho Rodrigues. Mas hoje também é dia de um querido amigo, André Francioli, o bravo pirata do cinema brasileiro, diretor dos curtas "O Mundo Segundo Sílvio Luiz" e "Veja e Ouça – Maria Baderna no Brasil" e por isso mesmo acabei de ver "Aranhas Tropicais", seu mais novo filme. Alguns bons motivos para um belo brinde!










