silenciosamentesem nenhum cacarejo
a noite põe
o ovo da lua







A primeira foto é um registro do meu pai e minha mãe no baile de carnaval do Praia Clube em Uberlândia. A outra foto somos eu e minha irmã Vanessa, na matiné do mesmo clube. Acho que as fotos são de 76/77, imagino eu. Tá faltando aí minha irmã mais nova que deveria ser uma bebezinha!! O que eu me lembro desses carnavais era que minha mãe se enfeitava toda e eu ganhava aquelas tradicionais estrelinhas coloridas pra enfeitar meu rosto também, além disso usava o blush rollon da Avon que ela tinha e eu mesma fazia duas bolas vermelhas em minhas bochechas. Sei que me perdia no salão da matiné, que tinha muita serpentina e confete e que não gostava muito da muvuca (dá pra perceber vendo a minha cara de pura diversão!!!). Meus pais pularam o carnaval praiano por anos a fio! Foi uma tradição na vida deles! Lembro ainda dos amigos do meu pai que tocavam trombone e trompete e que sempre trabalhavam nas bandas dos clubes garantindo assim um dinheirinho extra. O que mais me chama a atenção nessas fotos é que são uma propaganda explícita da Coca-Cola numa época em que seu slogan era "Isso é que é", que se tranformaria depois em "É isso aí" e enfim... Eu até gosto de carnaval, mas não gosto de multidão. O que complica muito! Curti demais o carnaval carioca de uns 5, 4 anos atrás, fui a todas as apresentações do Flor do Sereno, desde quando ele saia na Atlântica! Hoje tem gente demais e não dá pra 'brincar' como eu gostaria! Ô saudades!!
. ........ foto: rvk












Andando pelo Flamengo hoje à tarde, com uma pressa danada para pegar minha filha na escola, parei impaciente num sinal vermelho e fiquei esperando. Devo ter ficado ali alguns segundos, mas foi o tempo suficiente para receber um surpreendente elogio por parte de um homem que, como eu, esperava o sinal abrir. Ele me olhou e de cara disse: "Acho tão bonito flores no cabelo, as mulheres deveriam se enfeitar mais com flores! Seus pés também são lindos!". E com um sorriso de lado atravessou a rua correndo me dando um tchauzinho. Foi tudo tão breve que nem me lembro direito da pessoa. Fiquei admirada com o poder de observação desse homem, geralmente são as mulheres que são rápidas assim para olhar e comentar.
Como ele podia ter certeza que a minha flor era de verdade? Como ele pode olhar para os meus pés e para o meu cabelo em segundos e ainda me dizer o que estava pensando? Sua voz era bonita e ficou ressoando na minha cabeça entre buzinas e o barulho de automóveis passando. Eu adoro o lirismo das flores no cabelo, flores naturais. Minha maior inspiração nesse sentido sempre foi Lady Day. Tenho grande admiração por Billie Holiday, não só pela sensualidade de sua voz, mas também pelo luxo da bela flor de gardênia que exibia nos cabelos quando se apresentava em público. Depois disso o sinal abriu e continuei meu trajeto, agora com menos pressa. Fiquei, no entanto, pensando: onde é que eu vou encontrar uma flor de gardênia?

Musa inspiradora. 1917
Brejeira, 1932
A enigmática. 1921-1951.
Ousada. 1931-1933.
Antropomorfismo. 1920.
Um camafeu, 1918-1929.
Cigana e sedutora. 194-1941.
Liberdade. 1918-1959.
Homenagem. 1918-1923.
Insinuante. 1931
Sensualidade, ousadia. 1915.