quarta-feira, 11 de março de 2009

MÁRIO QUINTANA

silenciosamente
sem nenhum cacarejo
a noite põe
o ovo da lua

terça-feira, 10 de março de 2009

segunda-feira, 9 de março de 2009

MIO E MAO

Fiquei, durante anos de minha vida, tentando rever essa animação de massinha que passava no Globinho. Acho que era início dos anos 80, quem apresentava era a Paula Saldanha, com aqueles cabelos lindos. Passava antes do Sítio do Picapau Amarelo, se não me engano. Lembro-me que saia correndo da escola pra conseguir ver Globinho e o Sítio na Telefunken lá de casa. Meus primos e eventuais vizinhos enchiam a sala, pois muitos ainda nem tinham televisão colorida, e a velha Telefunken de tela gigante simplesmente arrasava!!Lembro também da família Barbapapa, dos patinhos de origami Quack Quack e de um desenho de linha de giz numa lousa azul. Eita memória!!! E dá-lhe youtube para revisitar a infância!!

É ISSO AÍ

"não gosta de goiaba, nem de pepino, nem de lentilha.
acha chet baker um chato.
dispensa doces e chocolates,
mas adoça o café até ficar insuportável.
não bebe certas cervejas, não gosta de uisque.
só come frutas da feira,
mas detona o hot-dog da esquina, completo!
só elogia o que "é do caralho"!
usa boné!!
se acha!
dorme comigo, mas reclama da cama.
e volta, sorrindo...
mas eu gosto, porque é leve, natural, sincero.
pode?"

terça-feira, 3 de março de 2009

03/03

agora a minha vontade é de sair caminhando pela areia de uma praia deserta, à luz de um luar que ilumina até a palma da mão. e de alguma maneira faço isso agora, sozinha na luz fria dessa tela lcd do computador. minha filha dorme lindamente ao lado, depois de ter se deliciado com um crepe de chocolate da creperia 'le blé noir', um lugar super charmoso em copacabana, onde celebramos a vida de minha amiga cibele, uma artista de extrema delicadeza e sensibilidade. a vida, não, as vidas, pois agora ela carrega mais uma na barriga. penso na minha falta de concentração e busco entender os motivos que me desnorteiam, são muitas as pre-ocupações da minha cabeça, são muitas as mudanças com ou sem perspectivas, são muitos os futuros caminhos. o pilequinho de gato negro aquece mais ainda a noite quente, o meu prédio não tem luz, blecaute total, e nem ventilador gira. tudo escuro e eu aqui, tentando terminar com estas palavras. daqui a trinta dias faço 38 anos! penso em muitas coisas, algumas nostágicas, outras nem tanto. penso no calor e nos prédios lacrimejantes do verão carioca, penso nas tarefas do meu dia de amanhã, penso numa ducha fria! e espero, com ansiedade, a lua cheia!

segunda-feira, 2 de março de 2009

DON HUNSTEIN E KIND OF BLUE

Dois de março e 22 de abril de 1959. Nestes dois dias foram gravadas as duas sessões do antológico, mitológico e indispensável disco Kind of Blue de Miles Davis e sua turma (o sexteto composto por John Coltrane - sax tenor, Cannonball Adderley - sax alto, Bill Evans - piano, Paul Chambers - baixo, Jimmy Cobb - bateria (que virá ao Brasil em maio) e, substituindo Evans em uma faixa, Wynton Kelly, além do próprio Miles no trompete).
Don Hunstein foi o fotógrafo que registrou em preto e branco a gravação daquele que é considerado por muitos um dos melhores discos de todos os tempos. Eu adoro esse tríptico com os retratos de Miles em uma viagem de profunda concentração.
Ashley Kahn para escrever o livro Kind of Blue – A História da Obra-prima de Miles Davis baseou-se, principalmente, nos depoimentos de Hunstein, do baterista Jimmy Cobb e do técnico de som da antiga Columbia. Além, é claro, de ter escutado na íntegra todos os sagrados takes daqueles dois dias.
Hunstein fotografou o universo musical de seu tempo. Frequentador assíduo da Columbia Records retratou personalidades como Bob Dylan, Duke Ellington, Billie Holiday, Charles Mingus, entre outros e assinou dezenas de capas de discos.
Hoje, exatamente 50 anos depois da primeira sessão das gravações, as imagens de Hunstein e os takes de Kind of Blue nos fazem ter a breve ilusão de que o tempo não envelhece.

Leia mais sobre Hunstein no ipsis litteris e também no rockarchive.com. Aliás o rockarchive é um site muito legal para quem gosta de música e fotografia.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

PORTA-ALIANÇAS



Diretamente do fundo do baú! Fotos antigas, eu com carinha de anjo, no auge da minha primeira infância. Levei alianças até o altar 7 vezes. 7 vezes!!! Juro! Fui a primeira filha, a primeira neta e a primeira sobrinha da família, acho que não tinham muita opção!!! Eu era o tipo perfeito, bonitinha e bem comportada! Minha mãe diz até hoje que só dei trabalho a partir dos vinte anos!!! Mas não fui daminha só dos meus tios não, fui das vizinhas também! Certa vez fui convidada no meio da rua para ser dama de honra de um casal. Eles pagaram tudo, o vestido, o cabelereiro, sapatinhos e tal... Acho essa história incrível! E posso dizer que nunca tive vontade de me casar em igreja por conta dessas experiências, engraçado isso. Agora, que me deu vontade de ter 7 maridos, isso não posso negar!!!

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

VENTANIA

um vento bravo entrou pela minha janela, derrubou o vaso de terra no chão, fez rolar a bola branca da luminária japonesa pela casa inteira, bateu a porta da sala com estardalhaço e quebrou o vidro que se estilhaçou em mil pedaços.
por um momento pensei, é ele o vento e eu o vidro, mil pedaços que agora não fazem sentido algum.
na confusão louca dos meus sentimentos pedi distância, tempo pra pensar no que não se pensa.
bobagem, "o que a gente sente, sente."
e esse vento ventante, ventador e altaneiro refrescou tudo a minha a volta.
entrou num rompante.
impossível colocar rédeas se ele entra sem pedir licença.
se ele é solto e livre e forte,
como um desejo.
"como um sangue novo
como um grito no ar
correnteza de rio
que não vai se acalmar"

DIVAGAÇÕES NA MADRUGADA

Pra Juju e a Jojo

domingo, 22 de fevereiro de 2009

CONTERRÂNEOS VELHOS DE GUERRA

Era uma noite de domingo de carnaval, mas não era dia de descanso, pelo contrário, o trabalho ali não parava. O ano 1969, há exatos 50 anos. O lugar: Brasília, ou melhor, a construção da cidade moderna. Brasília era um imenso canteiro de obras, quase 100 mil trabalhadores com suas famílias tocavam a obra para a data marcada para a inauguração: 21 de abril de 1960. O fato, ocorrido no dormitório de uma das grandes construtoras de Brasília, a Pacheco Fernandes, até hoje é envolto em névoas. Cansados de engolir uma comida de péssima qualidade, os candangos se manifestaram e foram reprimidos a bala pela Guarda Especial de Brasília (GEB) dentro de seus alojamentos, enquanto muitos dormiam. A imprensa, na época, foi impedida de comentar, somente um pequeno jornal mineiro publicou uma matéria denunciando a chacina e relatando o descaso e as condições sub-humanas as quais os verdadeiros construtores da futura capital estavam submetidos. Até hoje não se sabe o número de mortos, alguns dos candangos que foram testemunhas e sobreviventes da chacina falam em centenas de homens, caminhões de corpos enterrados em vala comum. Vladimir Carvalho, cineasta paraibano que dedica sua vida realizando documentários sobre o Brasil, foi um dos poucos mexer esse assunto não grato. "Conterrâneos Velhos de Guerra" é um filme corajoso, trata da construção de Brasília do ponto de vista dos trabalhadores e procura desenredar o fio da memória para que ele não nos leve ao esquecimento. É preciso lembrar o que foi sufocado, apagado e esquecido para que futuras gerações possam aflorar novas memórias dos subterrâneos da invenção do poder.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

OUTROS CARNAVAIS

A primeira foto é um registro do meu pai e minha mãe no baile de carnaval do Praia Clube em Uberlândia. A outra foto somos eu e minha irmã Vanessa, na matiné do mesmo clube. Acho que as fotos são de 76/77, imagino eu. Tá faltando aí minha irmã mais nova que deveria ser uma bebezinha!! O que eu me lembro desses carnavais era que minha mãe se enfeitava toda e eu ganhava aquelas tradicionais estrelinhas coloridas pra enfeitar meu rosto também, além disso usava o blush rollon da Avon que ela tinha e eu mesma fazia duas bolas vermelhas em minhas bochechas. Sei que me perdia no salão da matiné, que tinha muita serpentina e confete e que não gostava muito da muvuca (dá pra perceber vendo a minha cara de pura diversão!!!). Meus pais pularam o carnaval praiano por anos a fio! Foi uma tradição na vida deles! Lembro ainda dos amigos do meu pai que tocavam trombone e trompete e que sempre trabalhavam nas bandas dos clubes garantindo assim um dinheirinho extra. O que mais me chama a atenção nessas fotos é que são uma propaganda explícita da Coca-Cola numa época em que seu slogan era "Isso é que é", que se tranformaria depois em "É isso aí" e enfim... Eu até gosto de carnaval, mas não gosto de multidão. O que complica muito! Curti demais o carnaval carioca de uns 5, 4 anos atrás, fui a todas as apresentações do Flor do Sereno, desde quando ele saia na Atlântica! Hoje tem gente demais e não dá pra 'brincar' como eu gostaria! Ô saudades!!

achei a foto das bochechas com blush!

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

RETRATO DE UM DIA

. ........ foto: rvk
acordei com a faxineira em casa, quitéria sempre reclama do calor, chova ou faça sol. almocei salada de feijão fradinho e levei clarice na escola. consegui o desconto esperado, 50%!! vou ao banco, pego um ônibus e chego no paço imperial. burle marx à mancheia. quanta cor, curva e jardim. homem extraordinário, cantava lindamente, mostra o vídeo que vi. saboreio tudo isso com um gosto na boca de coca-cola e café. depois caminhamos pelo arco dos teles. mais ônibus, calor e leque. despedida sisuda no ponto final. tomo uma ducha e pego clarice que pede açaí com tapioca no tacacá. jantamos pastel de queijo com arroz integral. e agora, na tela do computador, vejo fotos e mais fotos do carnaval. e na luz fria do quarto escuro penso com calma na grandeza dos homens. burle marx foi um homem genial! quanta vida naqueles olhos! o aterro do flamengo, a calçada da avenida atlântica e os jardins da pampulha são visões que eu jamais poderia esquecer! penso no largo do machado e no parque guinle, tão pertos de mim, projetados por ele e tão desprezados, sujos e entregues ao descaso de certos homens, outros. isso sem falar no aterro do flamengo que abriga família inteiras. acho que não estávamos preparados pra tanto! um homem à frente de seu tempo, sem dúvida, sem dúvida!!

MAFALDA

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

PIN-OKIA

Como eu havia prometido, aí estão as fotografias que fiz na PIN-OKIA, minha câmera pinhole de filme 35 mm ASA 100. Gostei do resultado, principalmente por se tratar de uma primeira experiência. As imagens ficaram muito esverdeadas, dei uma corrigida básica no photoshop adicionando um pouco de magenta, pero... Confesso que fiquei tentada em comprar o super colorido Reala, da Fuji, pra fazer novos experimentos. Acho que o lance das cores é fundamental aqui. Diferente da experiência com a câmera de lata e com papel p&b, pois são processos distintos. Com o negativo de 35 mm tenho uma maior rapidez na exposição e a latitude do filme ajuda no resultado. No papel a possibilidade de erro é bem maior. Esse filme foi "batido" numa tarde, com exposição em torno de 4 segundos no sol, 7 segundos na sombra e cerca de 12 segundos no interior.

supermercado zona sul

escadaria do arte sesc - flamengo

instituto bennet - do chão

instituto bennet, flamengo, do chão.

mercadinho são josé, do tapume


biblioteca da unirio, da calçada.

praia de botafogo, no chão

café do atêlie da imagem

clarice lendo na sala amarela.

supermercado zona sul, das maças.

telemar, do postinho


tv. euricles de matos, laranjeiras, do lixo.


instituto benjamin constant - urca

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

OS TRAPALHÕES



Passeando pela blogsfera encontrei esse vídeo sensacional. Dei muita risada, imperdível!

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

PALADAR REFINADO?

Saramago disse hoje no seu Caderno: "Meter uma lagosta viva em água a ferver e cozinhá-la ali é uma velha prática culinária no mundo ocidental. Parece que se a lagosta já for morta para o banho, o sabor final será diferente, para pior. Há também quem diga que a rubicunda cor vermelha com que o crustáceo sai da panela se deve justamente à altíssima temperatura da água. Não sei, falo por ouvir dizer, sou incapaz de estrelar convenientemente um ovo. Um dia vi num documentário como alimentam os frangos, como os matam e destroçam, e pouco me faltou para vomitar. E outro dia, que não se me apagou da memória, li numa revista um artigo sobre a utilidade dos coelhos nas fábricas de cosméticos, ficando a saber que as provas sobre qualquer possível irritação causada pelos ingredientes dos champús se fazem por aplicação directa nos olhos desses animais, segundo o estilo do negregado Dr. Morte, que injectava petróleo no coração das suas vítimas. Agora, uma curta notícia aparecida nos jornais informa-me de que, na China, as penas de aves destinadas a recheio de almofadas de dormir são arrancadas assim mesmo, ao vivo, depois limpas, desinfectadas e exportadas para delícia das sociedades civilizadas que sabem o que é bom e está na moda. Não comento, não vale a pena, estas penas bastam."

E os caranguejos que também vão pra água fervente ainda mexendo as garrinhas? E o tal do patê de Foie Gras (literalmente fígado gordo) que é produzido a partir das maiores atrocidades contra os gansos? Ultimamente tenho colaborado muito pouco com a matança de animais e o descaso com a natureza. Procuro ser uma consumidora consciente, uso e abuso dos alimentos orgânicos, ecologicamente corretos e tal... Evito ao máximo qualquer desperdício com os alimentos. Reduzi drasticamente o consumo de carnes, qualquer uma delas. Mas os alimentos orgânicos são muito mais caros e nem sempre posso comprá-los como gostaria. Adoro picanha, feijoada e salaminho, mas como com a felicidade de uma criança uma proteína de soja bem preparada ou um belo ovo caipira estrelado. E assim vou, procurando um equilíbrio para não deixar a balança pender muito para o lado de lá. O corpo também agradece!

TODAS AS CORES

LA LUNA

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

DA CABEÇA AOS PÉS

Andando pelo Flamengo hoje à tarde, com uma pressa danada para pegar minha filha na escola, parei impaciente num sinal vermelho e fiquei esperando. Devo ter ficado ali alguns segundos, mas foi o tempo suficiente para receber um surpreendente elogio por parte de um homem que, como eu, esperava o sinal abrir. Ele me olhou e de cara disse: "Acho tão bonito flores no cabelo, as mulheres deveriam se enfeitar mais com flores! Seus pés também são lindos!". E com um sorriso de lado atravessou a rua correndo me dando um tchauzinho. Foi tudo tão breve que nem me lembro direito da pessoa. Fiquei admirada com o poder de observação desse homem, geralmente são as mulheres que são rápidas assim para olhar e comentar. Como ele podia ter certeza que a minha flor era de verdade? Como ele pode olhar para os meus pés e para o meu cabelo em segundos e ainda me dizer o que estava pensando? Sua voz era bonita e ficou ressoando na minha cabeça entre buzinas e o barulho de automóveis passando. Eu adoro o lirismo das flores no cabelo, flores naturais. Minha maior inspiração nesse sentido sempre foi Lady Day. Tenho grande admiração por Billie Holiday, não só pela sensualidade de sua voz, mas também pelo luxo da bela flor de gardênia que exibia nos cabelos quando se apresentava em público. Depois disso o sinal abriu e continuei meu trajeto, agora com menos pressa. Fiquei, no entanto, pensando: onde é que eu vou encontrar uma flor de gardênia?

domingo, 8 de fevereiro de 2009

FUMAR ERA SONHAR


Muito antes do cowboy da Marlboro entrar em cena ou da década de 80 vincular imagens de esportes radicais e cigarros, a publicidade da insdústria do tabaco vivia da sedução e do glamour da imagem feminina. A propaganda de cigarros sempre foi extremamente criativa e bonita. Atrizes famosas do cinema mundial como Rita Hayworth, Marilyn Monroe, Marlene Dietrich, entre outras, foram fotografadas com piteiras e cigarros à mão, imagem que correspondia com a emancipação e o requinte das mulheres nas primeiras décadas do século XX. As imagens abaixo são de comerciais ou de capas da antiga Revista Souza Cruz.
Musa inspiradora. 1917
Brejeira, 1932
A enigmática. 1921-1951.
Ousada. 1931-1933.
Antropomorfismo. 1920.
Um camafeu, 1918-1929.
Cigana e sedutora. 194-1941.
Liberdade. 1918-1959.
Homenagem. 1918-1923.
Insinuante. 1931
Sensualidade, ousadia. 1915.