sábado, 7 de fevereiro de 2009
EU POR ELA
Sei que em algum canto está ela retratando cheiros e cores para reflexos que poderiam passar imunes não fosse sua graciosidade e sutileza . Ela apalpa uma flor, sente sua textura, se pudesse degustaria com a boca esta flor . Para quê? Para entendê-la, captá-la, sentí-la? Chuto o verbo saborear. Seu sorriso tem a ver com um lado infantil de conhecer. È um sorriso do observador que penetra o que escolheu. Com ela, vem toda uma forma de olhar, de estar Ela contribui para o mundo dos seus amigos. Com ela me emancipei.
uma descrição do que Andrea Lion é, para mim
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009
o dia tá lindo.o calor insuportável.
não tenho dinheiro.
vou sair a tarde.
tomar banho de mar.
fritar no sol.
comprar acetona e jornal.
censurar algumas cores.
ver o mar em preto e branco.
desligar-me daquilo que me amarra.
sintir-me uma barata tonta
de sol e calor,
pronta para ser mordida.
mas não quero carne de ninguém.
sonhei com ele hoje,
no melhor do nosso tempo.
mas não paro pra pensar nisso.
acordei ao lado de uma coisa boa
que num abraço despediu-se
e com meu rosto entre suas mãos beijou-me a boca.
arrumo minha bolsa,
filtro solar, água e um livro do leminski.
de vez em quando,
só a poesia me salva.
Quadro de Monica Lion
terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
EDWARD CURTIS

Aproveitando a deixa da minha amiga, poeta, musicista e comediante Nora Fortunato, vou falar um pouco de Edward Curtis, fotógrafo norte-americano. Curtis nasceu em 1868 e seu interesse pela fotografia e pelos índios de seu país foi bastante precoce. Autodidata, confeccionou sua própria camera e começou a fotografar os nativos da região de Seatle, lugar onde morava, em um projeto que hoje resulta em 20 volumes de textos, 20 pastas e aproximadamente 2.500 imagens intituladas The North American Indian. Seu trabalho talvez seja o mais importante registro norte-americano de identidade visual dos costumes e tradições dos vários povos indígenas ancestrais do país. Curtis tinha consciência da morte dessas culturas nativas com a chegada das novas malhas ferroviárias, a expansão territorial, entre outros fatores... Os retratos são impressionantes, a força de cada linha do rosto de homens e mulheres que em poucos anos teriam seus descendentes dizimados de suas terras são de uma realidade brutal. No Brasil talvez possamos comparar o trabalho de Curtis com a pesquisa etno-fotográfica de Cláudia Andujar, fotógrafa que dedica sua vida ao conhecimento e registro da cultura yanomami. Quem mora ou vai a Curitiba poderá apreciar a exposição o "Legado Sagrado" de Curtis que está na Galeria da Caixa até 1 de março de 2009. Espero que essa exposição venha logo para o Rio de Janeiro. E quem tiver intresse em conhecer virtualmente alguns dos incríveis retratos desse fotógrafo aventureiro é só clicar aqui.
domingo, 1 de fevereiro de 2009
CLARICES
Laranjeiras e Cosme Velho andam ganhando por suas ruas vários desenhos em 'stencil', essa técnica de desenho em papelão ou chapa vazada. Já cruzei com Friedrich Nietzsche, Clarice Lispector e a clássica "seja vegetariano". Não resisti nesse domingo à noite quando eu e minha filha cruzamos com um deles ao descer a rua do Cosme Velho em direção à Rua das Laranjeiras, nosso "caminho da roça", e fiz a foto com as duas Clarices. Duas inspirações... E agora me lembrei que li 'não sei onde' (acho que no JB) uma matéria sobre uma garota que tira fotos de pessoas nas ruas segurando um livro ou uma foto de Clarice Lispector na intenção de divulgar e estimular a leitura de sua obra. Sei que ao menos curiosidade esse trabalho vem despertando nas pessoas. Creio que a idéia do 'stencil' deve ser um pouco por aí. Vou ver se recupero essa leitura e acrescento aqui a referência correta!!
sábado, 31 de janeiro de 2009
sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
PINHOLE
'praia vermelha' - negativo em papel agfa vencido, dia de chuva,
12 minutos de exposição

'praia vermelha' - cópia positiva.

'movimento dos barcos' - negativo em papel agfa vencido,
dia de sol, 3 minutos de exposição.

'movimento dos barcos', cópia positiva.
quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
RECEITA
segunda-feira, 26 de janeiro de 2009
palavras, palavras.
vontade de falar e ouvir, necessidade de diálogo comigo mesma.
sinto-me desafiada pelo silêncio, pelo meu silêncio. o silêncio me condena ao exagero, ao devaneio.
ando sempre com papel e caneta. escrevo todos os dias.
esse abundar de dizeres e falas talvez seja um pouco do que me restou do trabalho árduo com a filosofia.
sobejos.
fiquei impregnada pela lida com a palavra, metier dos filósofos, dos poetas e dos escritores.
palavra-escárnio, palavra-lasciva, palavra-pedra.
minha palavra é vítima de mim mesma, sofre da loucura de se fazer viva no papel ou na tela do computador. a brancura sempre desafiadora do papel e da tela...
um vazio que grita aos meus ouvidos: "comete aqui teus pecados. livra-te dos teus silêncios. vem perder-te em tuas ranhuras equívocas. risca em minha pele tua fúria."
e lá vou eu me excedendo no gesto da escrita, gritando meus insanos hieróglifos, arabescos indecifráveis. e vivo assim perpetuando o meu pecado diário, puro vício sub-reptício.
domingo, 25 de janeiro de 2009
CLACLA
sábado, 24 de janeiro de 2009
sexta-feira, 23 de janeiro de 2009
WHEN YOU'RE AWAY
acordei, tomei café da manhã com minha mãe e minha filha. fiz um 'chai', aquele chá indiano de cravo, canela, cardamomo e pimenta. fiz de tanto a eleonora falar que era delicioso e tal... mas não gostei muito porque o lance leva leite e achei estranho o gosto da pimenta e do leite juntos na boca. adoro pimenta, e ultimamente tenho usado muito a do tipo dedo-de-moça nos meus pratos.
mas o leite uso com muita parcimônia, me enjoa um pouco..
tentei dar cabo na tese de doutorado que tenho que ler mas ainda não consegui terminar...
essa última semana foi uma mistura de susto e surpresa, tive três momentos muito bons de absoluta entrega à mulher que sou. e justo num momento absolutamente maternal, com mãe e filha por perto, o que é um pouco raro.
ando rodeada de um desejo de ser uma coisa nova, mais radiante. e tento, mas não depende só de mim. e acho que é por isso que estou meio sem saber para onde ir.
eu agora ouço when you're away, disco de absoluta grandeza na voz de carmen mcrae. ouço porque me traz uma paz tranquila, e é isso que eu quero ter sempre, o coração tranquilo.minha filha está rodeada das suas bonecas e minha mãe brinca com ela. elas riem muito.
sinto falta de algumas coisas preciosas que estão sempre na minha vida, entre elas um pouco da rotina do meu dia-a-dia que, apesar de às vezes ser completamente entediante e claustrofóbica, é um pouco necessária para que eu consiga fazer aquilo que tenho urgência.
o tempo anda meio arrastado e eu me arrasto junto com ele.
essa chuva não ajuda muito, muito menos o telefone mudo.
quinta-feira, 22 de janeiro de 2009
IS THAT ALL THERE IS
como compositora contribuiu, entre outras coisas, com as canções do filme a Dama e o Vagabundo, da Disney, além de interpretar no longa as vozes dos personagens Querida e Peggy e dos gatos siameses Si e Am. Dona de uma voz deslumbrante e de uma sensualidade absurda, Peggy Lee foi uma personidade que influenciou muitos figurões que estão por aí, de Paul McCartney a Madonna. Eu passo mal toda vez que ouço Black Coffee e só não postei ela cantando essa música porque não encontrei nada. Aliás, é lamentável que tenhamos tão poucas imagens de Lee disponíveis e no Brasil raros discos seus em circulação. O vídeo abaixo é muito bom, reparem na cara de extase de Benny Goodman!!
quarta-feira, 21 de janeiro de 2009
terça-feira, 20 de janeiro de 2009
SÃO SEBASTIÃO
No dia 20 de janeiro de 1995 eu estava no arraial de Trancoso na Bahia. Era para eu passar só o dia, fui para a festa de São Sebastião que também é padroeiro da cidade. Foi uma festa linda do povo da cidade com direito a show da Gal Costa no 'quadrado', forrozinho com Elba Ramalho cantando e viagens lisérgicas na praia de nudismo ao amanhecer. Vendi minha passagem de volta e fiquei na cidade por mais um mês, completamente apaixonada pelo lugar. Nunca mais voltei, o que é uma pena. Hoje vivo na cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro que me proporcionou um dia inesquecível também. E esse dia começou ontem. Depois de quase trinta dias sozinha, sem família por perto, recebi minha filha e minha mãe que chegaram na cidade, uma no Galeão, a outra na Rodoviária. Clarice, minha filha carioquíssima, ao me ver, me abraçou, me beijou, me abraçou, me beijou e disse: "Mamãe, eu estava com muitas, muitas saudades de você. Mas eu estava com muitas saudades do Rio de Janeiro também. Vamos à praia?". Rimos muito e prometi a praia. Hoje acordamos cedo e fomos para a beira do mar. Passamos quase um dia inteiro na praia, compartilhando o sol, o mar, a areia e os biscoitos Globo com mate, plenas de amor de mãe e filha. Viva São Sebastião, meu padroeiro de dias memoráveis!
domingo, 18 de janeiro de 2009
AL SATTERWHITE

As fotografias de Al Satterwhite são cheias de movimento e quase sempre representam o átimo de uma ação, o que faz com que seu olho seja absolutamente privilegiado para a fotografia de esportes. Mas o cara não se limita aos esportes e o seu portifólio é recheado de pequenas obras de arte, seja na consolidação de um trabalho autoral ou na fotografia para cinema que também é o seu forte. A saturação de cores nos revela um mundo novo em que o choque do olhar e das cores é o que mais parece valer. Descobri o trabalho desse fotógrafo incrível através da assinatura nessa fantástica foto de Stewie Wonder em uma matéria sobre os 50 anos da gravadora Motown no ipsis litteris, o blog do Grijó. Como vocês sabem, meu olhar está antenadíssimo para as imagens dos músicos em qualquer tempo e lugar. E as minhas descobertas estão sendo excepcionais!. Al Satterwhite é ainda um excelente retratista e pirei com essa foto do escritor Hunter S. Thompson. Vale a pena colorir o olhar com suas imagens! Ah! E ele tem algumas fotos de suculentas em flor, adoro!!!!!!!


