terça-feira, 1 de setembro de 2009

No jardim das rosas
De sonho e medo
Pelos canteiros de espinhos e flores
Lá, quero ver você
Olerê, Olará, você me pegar

domingo, 30 de agosto de 2009

DEUS E O DIABO NA TERRA DO SOL

glauber rocha, maurício do valle, othon bastos, rogério duarte, antônio conselheiro, euclides da cunha, guimarães rosa, villa-lobos, sérgio ricardo, corisco, lampião, deus , o diabo, o vaqueiro, o coronel, o sol, o sertão, monte santo, o nordeste, canudos ,o brasil, o cangaço, a caatinga, a luta, a guerra, o cinema brasileiro, 1964.

sábado, 29 de agosto de 2009

GAL, NO CAMINHO DO SOM

"uma asa na alma, uma asa no ar"
avarandado, solar, tropical, tropicalista bossa-nova, florido. cada uma dessas palavras são próprias para se falar do disco 'cantar', 1974, de gal costa. é também um dos meus discos preferidos. descoberta tardia ali no comecinho dos anos 90. comprei de um professor do departamento de história da ufu, adalberto paranhos, pesquisador e colecionador de discos, que vendeu toda a sua coleçao de lp's para comprar cd's. (imagino que ele deve ter se arrependido de ter feito isso!). comprei vários bolachões dele, o elis abaixo, esse da gal, um vadico, novos baianos, o primeiro do ed mota, e nem sei quantos mais. 'cantar' é suave e tranquilo. produzido por caetano veloso, o disco tem quatro faixas de joão donato. pra mim é um disco que exala bossa nova, a bossa nova dos tropicalistas. não tem outro disco da gal que eu goste tanto, um barato total! e agora que recuperei minha antiga vitrola, foi o primeiro a rodar, lado a, lado a, lado b, lado b....
Direção de produção e estúdio: Caetano Veloso e Perinho Albuquerque
Arranjos: João Donato, Caetano Veloso, Gilberto Gil e Perinho Albuquerque
Capa: Rogério Duarte
Fotos: Tereza Eugênia

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

ELIS EM PLENITIUDE

"Em pleno verão" é um dos meus discos preferidos e inaugura a década de 70 em grande estilo. E não podia ser diferente, Elis grava nesse disco Roberto Carlos, Tim Maia e Jorge Ben, aqueles mesmos carinhas que reunidos em uma banda faziam sucesso nos bailinhos da Tijuca no final da década de 60. Nem precisa dizer que Elis tinha o dom caro que marca o perfil das grandes cantoras, de escolher a dedo seus músicos e compositores. A faixa "As curvas da estrada de Santos" que fecha o lado B do vinil é arrebatadora. E no lado B temos a estréia de Tim Maia na bolacha preta. A produção dessa pérola ficou a cargo do Nelson Motta (o cara tá em todas, incrível!) e a direção musical é do grande e pouco conhecido Erlon Chaves. A foto da capa é de Gil Prates e está exposta ali na mesinha da minha sala ao lado de um ramalhete de sempre-vivas.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

A DITA

abrideira, branquinha, engasga gato, esquenta guela, cura-tudo, danada, fecha-corpo, arrebenta peito uca, cachaça, pinga, ela, cana, caiana, parati, perigosa, mata bicho, santinha, gororoba, malvada, birita, arranca toco, tira-teima, venenosa.... chame como quiser, não recuso nenhuma!

domingo, 16 de agosto de 2009

MIRANDA

Miranda é a cachoeira da minha vida. Linda e pequenina, mas exuberante e forte! Chegar até a sua queda é tranquilo, mas é sempre uma aventura. Passar a tarde ali é renovar energias, limpar a alma e lavar o ânimo! Nem sei quantas vezes fui ali me banhar, apreciar o tempo da água despecando, das folhas caindo e da força do vento ao pentear as folhagens à volta dele.... Dou o dito. Abrenúncio. Essas melancolias. O senhor vê: existe cachoeira; e pois? Cachoeira é barranco de chão e água caindo sobre ele, retombando; o senhor consome essa água ou desfaz esse barranco, sobra cachoeira alguma? Viver é muito perigoso!
Guimarães Rosa

terça-feira, 11 de agosto de 2009

PAI E FILHA

amor bonito de se ver!

sábado, 8 de agosto de 2009

SPEAKEASIE


num dia de semana desses, aqui em casa, reunimos 3 casais pra um pequeno e delicioso jantar japonês. minha cozinha recebeu dois chefs de primeira linha, joão bernardo e lívia, que elaboraram em sintonia absoluta uma mesa maravilhosa, cheia de cores, texturas e sabores. reunir pessoas queridas em torno de uma mesa, com boa comida e boa bebida é, realmente, um dos grandes prazeres dessa vida! e como é gostoso acompanhar todo o processo da comida sendo preparada, regada com bom papo, bebidinhas e disposição para a tarefa! uma das prioridades da minha casa dos sonhos e uma grande cozinha, com fogão no centro de tudo, rodeada de mesa e pessoas queridas cheias de apetite! tudo foi perfeito, com excessão do vizinho chato que reclamou do barulho, por isso falar baixinho é fundamental, principalmente em dia de semana. e que venham outros jantares! adoro comer, beber e cozinhar!

QUERO SER SOPHIE CALLE


hoje eu fiz uma das coisas que mais gosto de fazer na vida: passei horas dentro de uma livraria. uma não, duas. saraiva mega store e travessa ccbb. tive um dos meus ataques consumistas. comprei três livros de fotografia, dois cd's, uma camiseta e um dvd. tudo pela bagatela de R$ 257,80. becherini, miles, bresson, atget, coltrane, bill evans. e fiquei babando de vontade de trazer pra casa mais duas coisas, pelo menos. o livrão maravilhoso da annie leibovitz, com fotos extenuantes e pouco conhecidas da fotógrafa. retratos de sua intimidade. fiquei particularmente comovida com as imagens de sua companheira susan sontang, na agonia terrível da luta contra o cancêr em seus últimos dias de vida. um livro incrível! não pude, infelizmente, trazer o livrão pra casa pois teria que desembolsar R$ 470,00!!! gostaria ainda de ter trazido qualquer um, ou melhor, TODOS, os livros da sophie calle. no post anterior falei do único livro dela com edição brasileira 'histórias reais'. as outras edições, em língua francesa, importadas e naturalmente inacessíveis a pobres mortais como eu, pois o mais barato custava R$ 247,00, são lindos e arrojados projetos gráficos. são livros instigantes e curiosos, pequenas obras de arte. se eu pudesse passaria o final de semana, a semana, o mês inteiro acompanhada daqueles textos e imagens. encontrei o termo striptease emocional pra falar da obra de sophe calle e achei bastante apropriado. a artista provoca ao desnudar-se, ao mostrar sua intimidade, ao publicar seus diários, sua fotografias íntimas, seus sonhos e histórias (reais ou inventadas). e falar sobre isso tudo com o talendo de sophie calle não é para qualquer um! estou completamente apaixonada pelo trabalho dessa mulher! identifiquei-me muito com o trabalho dela pois penso que gostaria de fazer o mesmo com a minha vida, com as minhas fotos, com os meus segredos e as minhas invenções. minhas 'não memórias' seriam mais belas se tivessem o tom, a textura e as cores das páginas assinadas por sophie calle.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

CUIDE DE VOCÊ

A francesa Sophie Calle é uma mulher moderna e uma artista super antenada. Sua obra é resultado de uma reflexão dura, mas bem humorada, de sua própria vida. Misturando fotografia e textos curtos Sophie relata, em "Histórias Reais", pequenos episódios de sua vida, sejam eles amorosos, de descobertas pessoais ou de afirmação diante do mundo. O livro resulta belo e instigante. A capa me chamou a atenção por si só. Peguei, sentei num banquinho qualquer, li e vi tudo, de uma só vez, respirando entre uma página e outra. Tive que levar pra casa, mesmo já sabendo o livro de cor! O nome "Sophie Calle" repercurtiu também pois tinha lido alguns textos em outros blogs sobre a exposição multimídia "Cuide de você" ( em francês "prenez soin de vous") que está em cartaz no Sesc Pompéia em São Paulo. Imperdível para mulheres que cuidam de si mesmas! Para falar sobre a exposição, cito a própria:

"Recebi uma carta de rompimento.
E não soube respondê-la.
Era como se ela não me fosse destinada.
Ela terminava com as seguintes palavras: “Cuide de você”.
Levei essa recomendação ao pé da letra.
Convidei 107 mulheres, escolhidas de acordo com a profissão,
para interpretar a carta do ponto de vista profissional.
Analisá-la, comentá-la, dançá-la, cantá-la. Esgotá-la.
Entendê-la em meu lugar. Responder por mim.
Era uma maneira de ganhar tempo antes de romper.
Uma maneira de cuidar de mim."

foto: Clarice Lion

sexta-feira, 31 de julho de 2009

LE CAFÉ DU RÊVE

Essa foto é antiga, provavelmente do inverno de 2000, no Bar do Cidão, em Pinheiros, São Paulo. Nessa época Dona Inah ainda não tinha disco gravado e eu nem pensava em vir morar no Rio de Janeiro. Adorava ser sozinha, leve e solta em Çampa City. Os cabelos curtíssimos foram durante muito tempo minha marca. Hoje eles estão mais longos e o resto é saudade. A foto é da craque do P&B, minha amiga Ana Carolina Andrade, fotógrafa incansável do mundo do samba em São Paulo. Foi da Carol que herdei o meu laboratório fotográfico, há algum tempo esquecido ali no quarto de empregada. Uma pena! Espero trazer à luz mais fotografias no quarto escuro, bem como espero, em breve, rever a amiga e ouvir Dona Inah! Salve, salve!

quinta-feira, 30 de julho de 2009

JANELA INDISCRETA

o gato do vizinho dele.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

NÃO VOU PRO CÉU

"teu sorriso é uma navalha
que abre o meu coração"

Aproveito o silêncio destes dias sozinha em casa para ouvir joão. e ouço diariamente, duas vezes ao dia, pelo menos. As letras são lindas e o violão doce, mais lírico do que nunca. É um disco que me remete ao passado, possui uma ancestralidade latente, não só por trazer de volta a parceria João Bosco e Aldir Blanc, que foi tão importante pra música brasileira e que volta com força em quatro faixas do disco, mas também pela sonoridade (palavrinha tão em moda ultimamente) que é tão limpa, água pura da fonte. E a fonte aqui é, obviamente, Orlando Silva, João Gilberto, Caymmi, as paisagens mineiras e, claro, o nosso Rio de Janeiro. Sete das treze faixas é só voz e violão, o que evoca um intimismo grande, é como se o João tivesse ali no meu sofá tocando... Quem dera!!! Aldir colocou letra em “Mentiras de verdade” e “Plural singular” e João fez música os poemas “Navalha” e “Sonho de caramujo”. "Jimbo no Jazz" é ótima, parceria com o velho malando Nei Lopes. Os contorcionismos vocais de João estão praticamente ausentes, restou um intérprete que se não vai pro céu, nos deixa nas nuvens!

1. Perfeição (João Bosco e Francisco Bosco)
2.
Navalha (João Bosco e Aldir Blanc)
3.
Pronto pra Próxima (João Bosco e Carlos Rennó)
4.
Tanto Faz (João Bosco e Francisco Bosco)
5.
Pintura (João Bosco e Carlos Rennó)
6. Desnortes (João Bosco e Francisco Bosco)
7.
Tanajura (João Bosco e Francisco Bosco)
8.
Mentiras de Verdade (João Bosco e Aldir Blanc)
9. Jimbo no
Jazz (João Bosco e Nei Lopes)
10.
Plural Singular (João Bosco e Aldir Blanc)
11. Ingenuidade (
Serafim Adriano)
12.
Alma Barroca (João Bosco e Francisco Bosco)
13.
Sonho de Caramujo (João Bosco e Aldir Blanc)

quarta-feira, 22 de julho de 2009

a imagem aí embaixo não foi criada de maneira aleatória, surge em um momento de aterrisagem, de colocada dos pés no chão. a idéia de árvore, forte, grande, sombra boa, abrigo e alimento vem misturada com a vontade de transformar o 'eu' que me rege, de me tranformar. a metáfora da árvore me parece exata. gosto de criar raízes, de possuir meu espaço, de transformar a paisagem. e gosto também de ser abrigo, alimento e prazer. a vontade é de florescer, dar frutos e sementes. mas se eu fosse árvore mesmo seria um ipê, florido e amarelo. se eu fosse árvore, queria o esplendor do amarelo em mim.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

sábado, 18 de julho de 2009

MEMÓRIA DO MUNDO

D. Pedro II, último imperador do Brasil, era um homem apaixonado por fotografia. Tinha ele pouco mais de dez anos de idade quando pode conferir no largo do Paço Imperial um abade francês tirar os primeiros daguerreótipos feitos no Brasil. D. Pedro tornou-se fotógrfo e um grande colecionador de imagens de pessoas e do mundo. Sua coleção, mantida pela Biblioteca Nacional desde 1892, recebeu da Unesco, no início de setembro, o título de “Memória do Mundo”. Por desejo do imperador o conjunto das fotografias é conhecido como Coleção Imperatriz Thereza Cristina. Trata-se do maior acervo público de imagens do século XIX. Outra grande coleção de fotografias do século XIX pertence ao Instituto Moreira Salles. Todo ano a Biblioteca Nacional abre edital para pesquisa em seu acervo. A Coleção Thereza Cristina é apenas uma parte do grande acervo da Biblioteca Nacional. Como quase todos sabem, sou pesquisadora de fotografia, defendi uma dissertação de mestrado sobre as imagens de Marcel Gautherot durante a construção de Brasília e achei natural buscar as origens da fotografia no Brasil e foquei meu interesse nessa majestosa coleção. Após alguns dias de pesquisa na seção de iconografia da Biblioteca Nacional pude formatar um projeto e me canditei a uma das 12 vagas do edital (4 delas para mestres). E não é que meu projeto foi aprovado e agora sou umas das mais novas pesquisadoras daquela isntituição? Nem preciso dizer como estou feliz! Trata-se de um prêmio, pois não é uma pós-graduação, o que é um diferencial enorme no curriculum de qualquer pesquisador. Adoro fotografia, adoro estudar o Brasil, adoro arquivos, adoro trabalhar com memória!! E agora? Agora é trabalhar!!!
Crédito das imagens: Coleção Thereza Cristina/Acervo Biblioteca Nacional

sexta-feira, 17 de julho de 2009

50 ANOS SEM BILLIE HOLLIDAY

Há exatamente 50 anos perdemos Billie Holiday! Não dá pra passar em branco. E preciso dizer que estou emocionada ouvindo seus discos desde ontem. As palavras são dispensáveis, basta ouví-la cantar!

terça-feira, 14 de julho de 2009

PESCADOR DE PÉROLAS

Depois de 15 dias com uma puta gripe que não saia de mim de jeito nenhum, uma tosse absurda e todo o pacote que vem junto, me deu uma vontade louca de fumar um cigarro. Sim, fiquei 15 dias sem fumar um cigarro sequer...e a garganta aguenta e o prazer é grande! A culpa talvez seja do café que acabei de tomar, do clima tão gostoso de estar sozinha e feliz em casa e do 'Pescador de Pérolas' que ouço agora. E, por favor, fumo no máximo um maço de cigarro por semana, quando fumo!! Bom, mas tudo isso pra falar um pouco do Ney Matogrosso, que gosto bastante! Ney é um artista versátil, super talentoso e já deu várias contribuições para história da nossa música popular brasileiro. 'Pescador de Pérolas é uma delas. O disco é lindíssimo e nem preciso falar do violão de Raphael Rabello que o acompanha e que faz toda a diferença!! O registro não é digno do encontro em qualidade, mas vale assim mesmo!

segunda-feira, 13 de julho de 2009

O FIO DA AMIZADE

Ontem foi um dia muito especial. Minha querida amiga Cibele está grávida e vai pra São Paulo ter o filho daqui a uns dias. Em sua estada no Rio de Janeiro fez grandes amizades. Eu me orgulho de ser uma de suas amigas, e a palavra aqui não é gratuita. Cibele é uma pessoa que dispensa o superfical, vai fundo nos seus sentimentos, na sua delizadeza, nos seus afetos. Ontem ela nos brindou com um almoço incrível, deliciosamente delicioso! Bom papo, carinho, afeto, nhoque artesanal de mandioquinha, vinho, bolo, café e aconchego num domingo frio e ventoso. Tudo isso pra gente celebrar a vida do seu bebê, fruto lindo de seu desejo e de seu amor. Reunidas aqui em casa, fomos todas convidadas a trazer um retalho ou um pedaço de algum tecido para que a própria Cibele possa, antes do parto, alinhar através de suas talentosas mãos, uma colcha para abrigar o pequeno Francisco. Essa colcha, símbolo de afeto, abrigo, calor, amizade, carinho e amor, será o amparo primeiro de seu filho, que não é só ela que espera, mas todas nós que a amamos e torcemos pela sua saúde e alegria! No final da tarde ela tinha em mãos um pequeno pacote de retalhos, e eu me perguntava, como pode um punhado de retalhos ser tão especial? O meu retalho é um pedaço de uma das roupinhas da Clarice ainda bebê: Dani trouxe uma estampa que ela mesma desenhou; Jane trouxe vários retalhos dos tecidos que ela trabalha diariamente em seu ateliê e Cris uma estampa em jacquard que ela interferiu e deixou mais leve e delicada, enfim... pedaços de memória e de cumplicidade. Viva Francisco! Obrigada Cibele pela amizade que nos fortalece!

sábado, 11 de julho de 2009

TRÊS COISAS

Três coisas pra mim no mundo
Valem bem mais do que o resto
Pra defender qualquer delas
Eu mostro o quanto que presto
É o gesto, é o grito, é o passo
É o grito, é o passo, é o gesto
O gesto é a voz do proibido
Escrita sem deixar traço
Chama, ordena, empurra, assusta
Vai longe com pouco espaço
É o passo, é o gesto, é o grito
É o gesto, é o grito, é o passo
O passo começa o vôo
Que vai do chão pro infinito
Pra mim que amo estrada aberta
Quem prende o passo é maldito
É o grito, é o passo, é o gesto
É o passo, é o gesto, é o grito
O grito explode o protesto
Se a boca já não dá espaço
Que guarde o que há pra ser dito
É o grito, é o passo, é o gesto
É o gesto, é o grito, é o passo
É o passo, é o gesto, é o grito.

Mário Lago

quinta-feira, 9 de julho de 2009

quarta-feira, 8 de julho de 2009

BEIJOS, BEIJOS, BEIJOS


Annie Leibovitz, Munch, Brancuse, Klint, Robert Doisneau,
Alfred Eisenstaedt, Rodin.

domingo, 5 de julho de 2009

DISCOS À MANCHEIA

passei o final de semana arrumando os mais de mil CD's que estavam entupindo a minha estante na sala. dei uma geral violenta. tirei poeira, joguei fora algumas coisas, organizei por temas e afins... infantil, cantoras de mpb e de jazz, instrumental brasileiro, jazz, jazz, jazz, erudita, samba, latinas, cantores e grupos de mpb, enfim... arrrumação total!! e tudo começou porque eu queria ouvir 'kind of blue', do miles davis no som da sala, bem alto, e não no computador. procurei, procurei e não encontrei, mas pelo menos organizei tudo! separei uma caixa gigante de papelão que veio com a televisão nova, enchi com pilhas e mais pilhas de CD's e mandei tudo pra casa do pai da minha filha, vejam como eu sou legal!!! fiquei com o que eu mais gosto, com o que eu já tinha e que não era pouco, com o que eu não poderia deixar de ter.... certas coisas não podem ser separadas da gente depois de algum tempo.... falo isso mas acho que o desapego das coisas materiais deve ser um exercício constante. fiquei puta, claro, de não ter encontrado o 'kind of blue', mas pelo menos descobri tantas outras coisas novas e pouco ouvidas... mudei a ordem dos discos, arejei minha estante, mudei a poltrona de lugar, fiz um arranjo novo, mudei o que pude na minha sala! agora a arrumação vai pro quarto da minha filha, são seis anos de acúmulo de roupas, brinquedos e coisinhas infinitas e pequenas e coloridas que estão implorando arrumação. e vou aproveitando a disposição e o tempo pra isso, gosto de ter as coisas mais arejadas, no lugar certo. estou adorando o astral novo que a minha casa ganhou com essas pequenas mudanças. adoro a minha casa e a trilha sonora que existe nela. ah! e se você encontrar por aí o CD 'ary caymmi' do dorival caymmi com ary barroso, me fala, por favor, porque este também sumiu!!!

sexta-feira, 3 de julho de 2009

BRUTA FLOR DO QUERER

vontade sem fim de sair andando por aí, sem rumo ou destino certo... vontade de me perder um pouco do cotidiano, da rotina escalavrante que essa vida tem. vontade de ser eu mesma em outra paisagem... vontade de improvisar, arriscar um salto pra dentro de mim mesma. vontade de ser um mapa, destino, parada. vontade de ser fonte, marco, início e fim, como o sol ou a lua. vontade de ser em carne viva, filete de sangue. vontade de não querer nada nem ninguém... vontade de ser livre de tudo o que é previsível, ridículo ou absurdo. vontade de ser sozinha, como um dia fui e nunca mais serei... vontade de ser lágrima quente. vontade de ser música, fogo, fábula... vontade de ser cinza, alimento, adubo .... vontade de ser fotografia antiga, relógio sem ponteiros, moldura vazia... vontade de ser tinta, cor, textura... vontade de ser punhal, espelho, reflexo. vontade de ser criança, balanço, sorriso.... vontade de ser grito, urro, uivo! vontade de ser pingo, chuva, enchurrada... vontade ser rio, peixe, pedra. vontade de ser pegada na areia, rastro, sinal. vontade de voar... vontade de ser fala, pura palavra, plurilíngua. vontade ser pele, pêlo, arrepio. vontade de não ser... ah, bruta flor do querer!!

quinta-feira, 2 de julho de 2009

ÁUREA MARTINS

Áurea Martins é uma das maiores cantoras do Brasil. Disso nunca tive dúvida! Quando essa mulher solta a voz não tem pra ninguém! E o arrepio rola solto pela espinha, do cócix até o pescoço! Conheço Áurea da noite carioca, antes mesmo de vir morar no Rio de Janeiro. Toda vez que vinha ao Rio procurava saber onde ela estaria cantando e ia lá. Agora que moro perto (somos vizinhas, até!) procuro não perder a oportunidade! Sempre bem acompanhada de excelentes músicos e repertório irretocável, Áurea esbanja interpretação e generosidade!
É sempre um prazer ouví-la cantar, faz bem à alma. Acompanhei sua temporada no antigo 43, da rua do Ouvidor e no Santo Scenarium, recentemente! Agora ela vai cantar como nunca, depois do reconhecimento de melhor cantora de MPB pelo prêmio TIM, edição 2009, com o disco "Até Sangrar", lançado em 2008. "Até Sangrar" é um disco ímpar, foi produzido por Hermínio Bello de Carvalho e José Maria Rocha. Hermínio Bello dispensa apresentações e Zé Maria é um dos pianistas fabulosos que a musicalidade desse Brasil fez e faz. É um disco denso, intenso! com muito Lupcínio Rodrigues (Áurea, Zé Maria e Zezé Gonzaga tinham um show em homenagem ao Lupcínio Rodrigues e o disco resulta dessa parceria também...) mas tem ainda Chocolate, Vinícius, Tom Jobim, Donato e outros craques! além de uma versão inusitada de "Nada por mim" de Paula Toller e Herbert Vianna! Vale conferir!
Áurea Martins é uma estrela negra de voz rouca, preciosidade, uma verdadeira guerreira!!

Próximo show:
Áurea Martins convida Emilio Santiago.
Dias 08 e 09 de Julho
Teatro de Arena da CAIXA Cultural Rio.

Fotografia: Walter Firmo

terça-feira, 30 de junho de 2009

segunda-feira, 29 de junho de 2009

TIME OUT

Luis Orlando Carneiro não deixa escapar nada. Em sua pílula jazzistíca semanal no Caderno 2 do JB lembrou os 50 anos de "Time Out", álbum fundamental do quarteto quebra tudo de Dave Brubeck, pianista dos maiores que ainda está na ativa. Apesar de muita gente considerar 'menor' a galerinha do jazz west coast, eu digo, em bom tom, que adoro! Do trompete de Chet Baker ao sax de Paul Desmond. E como não vou ficar aqui repetindo palavras, ouçam "Take Five" e leiam a coluna de Carneiro. Vale a pena! A capa do disco acima é de Neil Fujita.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

KING OF POP

Assistindo ontem a um documentário na Globo News sobre a morte inesperada do Rei do Pop, minha filha, indignada com o meu monópolio da TV (ela tinha acabado de ganhar o aparelho!), me pergunta, quando a imagem mostra Michael, há poucos anos, cantando num show espetacular no Japão: "É esse o Michael Jackson, mãe?". E eu respondo: "É, Clarice". Na sequência, a imagem muda, vem Thriller, e mais uma vez a pergunta:"É esse o Michael Jackson, mãe?". E eu respondo: "Sim, Clarice, é esse!". Por fim surge na tela aquela carinha de anjo black power dos Jackson 5. "Quem é esse, mãe?" - pergunta ela. E eu respondo: "Michael Jackson, Clarice!!!!". E ela não se contém: "Caramba, mãe, mas quantos Michael Jackson são?".

Difícil explicar para uma criança a radical mudança na feição de uma ídolo tão querido por milhões de pessoas. E a mim não interessa a cara que ele escolheu ter. O que realmente importa é que ele me fez dançar. Primeiro juntinho, de rosto colado, nas domingueiras dançantes promovidas pelas turminhas de escola ao som de I'll be there e outras baladas dos Jackson 5. Sim, só me lembro das baladas, coração na boca, rosto suando, respiração quente.... Depois, quando eu completava exatos 13 anos, veio Thriller!!!! E dancei, imitando Michael Jackson, na garagem de casa, na garagem dos vizinhos, na garagem das minhas tias em Goiânia, onde passei as férias daquele ano e em quase todas as festas que fui e que acabam em dança. Michael Jackson é um clássico, isso não se discute!! Dancei muito, gel molhado no cabelo, ombreiras e tudo o que a moda pedia. Ah, os anos 80!!! Eternos anos 80!!

quarta-feira, 24 de junho de 2009

terça-feira, 23 de junho de 2009

sexta-feira, 19 de junho de 2009

DIANNE REEVES

Dizem que Dianne Reeves é uma das maiores cantoras de jazz da atualidade, herdeira de Ella e Sarah. Pra mim ela é muito mais, pra mim é a maior cantora que já vi cantar. E foi na noite fria de ontem no Vivo Rio que, ao ouví-la, me lembrei não só de Ella ou Sarah, mas o show, sua voz e sua maneira de cantar me lembraram ainda Bobby Mcferrin, Elis Regina e Clementina de Jesus. Sonoridades e mais sonoridades. Com um time impecável de músicos, entre eles Romero Lubambo que eu também nunca tinha visto tocar ao vivo, o show foi sensacional! Memorável para os reles mortais como eu e o querido Maldonado, que me convidou para esse delírio de sons!! Ela é super simpática, recebeu quem quis vê-la, autografou os discos, sorriu e pousou pras fotos!!! Uma lady!

quinta-feira, 18 de junho de 2009

BROMELIÁRIO

exótico e colorido.
folha, flor e fruto!

domingo, 14 de junho de 2009

CECÍLIA


Me escutas, Cecília?
Mas eu te chamava em silêncio
Na tua presença
Palavras são brutas

chico buarque

domingo, 7 de junho de 2009

SE TUDO PODE ACONTECER



Lindo, lírico, poético! Puro deleite!
Arnaldo Antunes, Alice Ruiz, Paulo Tatit, João Bandeira.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

segunda-feira, 25 de maio de 2009

BUDAPESTE

“Budapeste” é uma história de amor pela palavra, pela cidade e também de um homem por uma mulher. Li o livro em duas noites seguidas, na época do lançamento. É um livro denso, forte e me envolveu totalmente. O filme não conta com a mesma força, o grande problema das adaptações... Em suas páginas, Chico Buarque explora várias relações binárias, duplas e espelhadas entre Costa e suas mulheres (Vanda e Kriska), a relação de identidade do homem com as cidades, Budapeste e Rio de Janeiro e o amor pelas línguas: o português e o húngaro (a cena no telefone público - vermelho e de ficha!! - traduz isso quando Costa grava suas palavras em uma secretária eletrônica a saudade de falar 'saudade', 'pão de açúcar', 'Guanabara', 'maracanã', 'marimbondo', 'adstringência'). E entendo essas relações como uma contraposição entre o que é essencial e o que é aparente, o que fica absolutamente evidente na relação entre Costa e Vanda. Ele não aparece, é um ghost writer, vive pela palavra, na busca por suas histórias encomendadas, ela é o que se vê na TV, uma fachada, nada mais. Um aparência, o outro essência. Budapeste, no filme, é amarela sépia em uma fotografia que poderia acrescentar de verdade. Essa afirmação pode soar gratuita, mas é assim que vejo, nenhuma surpresa, nenhum grande choque, apenas algumas pequenas variações sobre o olhar de Lula Carvalho que já deixou sua marca em "Feliz Natal". É bom lembrar que a direção é do grande Walter Carvalho, “fotógrafo que dirige”, como ele próprio se define, mas a produção e roteiro de Rita Buzzar (de "Olga", filme que não gosto). Admirei muito, no entanto, a cena em que Kriska e Costa se conhecem (foi o primeiro encontro dos dois atores também). Gosto ainda da cena absolutamente autoral da estátua esquartejada de Lênin a navegar pelo rio Danúbio e confesso que não fica muito claro para quem vê o filme o fato da história acontecer ao mesmo tempo em que é narrada, em que é escrita. Afora isso achei completamente desnecessária aquela “feijoada completa” e sua tradução para o húngaro à beira mar (lembrando Noel Rosa: “o samba não tem tradução”), sem falar que é ridículo traduzir uca, torresmo e etc, a mim soou fake, cartão postal barato da cidade. Detesto Giovana Antonneli e Paola Oliveira e por falar nisso, os nus do filme, apesar de serem lindos, excedem, aquela pitada a mais que muda o sabor. E achei bem bacana o filme ser falado em húngaro, com legendas em português, e não em inglês, como geralmente acontece, finalmente um grande acerto para o cinema nacional!!


Walter Carvalho é diretor de fotografia de "Lavoura Arcaica" e "Cleópatra", entre outros; co-dirigiu "Cazuza - O Tempo Não Para", com Sandra Werneck e "Janela da Alma", com João Jardim, dirigiu ainda o documentário "Moacir, Arte Bruta".

quinta-feira, 14 de maio de 2009

"A memória É uma ILHA de edição". Essa frase de Wally Salomão ecoa na taça da minha cabeça. É maio, e maio é assim, me invade. Ouço muito "Zona de fronteira", pois me sinto numa, e exponho a capa colorida do disco do trio Wally/Bosco/Cícero, 1999. Chico Buarque também não pára, e ele sorri na capa do disco, dentro de um retrato em branco e preto. Talvez esse seja o meu disco preferido do Chico, 1989. Lembro também da capa daquele disco da Bethânia que ouvi mil vezes ao lado da minha mãe "MEL", e tava ali o Wally, 1979. Macalé também me visita, no começo da noite, junto com um cigarro e uma taça de vinho, apesar do dia quente de hoje. O disco? Real grandeza, parcerias com Wally Salomão. Também aprecio nestes dias de maio a sombra, a luz da tarde e o sol morno, alternadamente. Provocações de sensações sub-reptícias. Tudo em pequenas doses diárias, como uma homeopatia.E penso que eu gostaria de ter um lixo escondido, um armário de sensações com infinitas gavetas e cabides para pendurar e dobrar imagens, desejos, buscas... ou um recepiente que trouxesse estampado o símbolo de "reciclável" na tampa. Se eu fosse o poeta diria "Não fico parado, não fico calado, não fico quieto. Corro, choro, converso e tudo mais jogo num verso intitulado MAL SECRETO."

domingo, 10 de maio de 2009

DIA DAS MÃES

Acordamos tarde. Tomamos café da manhã juntas, na mesa, como poucas vezes ela faz, pois quase sempre quer comer na frente da televisão, o que eu detesto, por isso cortei a TV a cabo. Agora, na TV, só DVD, escolhidos por mim. Depois dançamos, tomamos banho, nos vestimos e passamos o mesmo perfume. Preparei o almoço. Saimos para ir ao mercado comprar papel alumínio e queijo parmesão. Ela levou a boneca japonesa e no meio do caminho queria que eu carregasse, como sempre faz. Eu disse que não iria carregar a boneca, pois cada um deve carregar as suas coisas. Ela chorou e gritou no meio da rua. Esperei, pacientemente, o showzinho terminar e continuamos o trajeto. Cada uma de nós, então, pegamos em um braço da boneca e fomos assim, caminhando de mãos dadas, as três. Ao telefone falei com as avós e com meu pai. Almoçamos, eu e ela, e nos preparamos para um passeio por Laranjeiras, tomamos sorvete e depois fomos ao Oi Futuro. Lemos, ouvimos música e vimos uma exposição de fotografias. Encontramos com a Juju e sua família. Compramos flores, viemos pra casa, recebemos uma visita boa. Depois fomos comprar o maravilhoso pão de queijo da padaria que abriu ao lado de casa. Voltamos pra casa, assistimos um DVD, jantamos e nos preparamos para dormir... Um dia como outro qualquer, com a tarefa cotidiana de 'educar', impor limites, buscar coisas boas para serem compartilhadas, vividas, lembradas.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

MAIO MAIO MAIO

É maio
Feito bóia ébria boiarei
Maio
Filmes rápidos plágios sonharei
E dispenso até a esperança
Contente com a epiderme de um lugar
Que a brisa deste mês beija e balança
É maio
Maio maio maio maio é
Maio
Sonho sonho sonho sonharei
Nenhum monstro em maio me assusta
E até o tempo o devorador
Já sabe que sou em quem o degusta
Maio
E me
Deito
No chão
Céu água-marinha sobre mim
Sem nem
Lembrar
Quem foi que no verão cruel
Veio passo a passo
E seqüestrou meu coração
Mas não levou o céu
Que avisto aqui do chão

Waly Salomão/João Bosco/Antônio Cícero

domingo, 3 de maio de 2009

E AGORA?

final de semana de balanço.
noites com 12 horas de sono.
descanso merecido pós pós.
fiquei nervosa, como nem eu previa, na defesa do mestrado, mas deu tudo certo.
fui aprovada com louvor, altos elogios e indicação do texto para publicação.
o que significa outro trabalho.
mas o incrível é que não sinto alívio.
sim, uma etapa passou, não devo nada a ninguém.
mas devo a mim mesma,
cobrança maior que existe.
sei que quero continuar estudando fotografia, pesquisando, lendo muito, vendo tudo, quero dar aulas, doutorado, pós-doc, o que vier por aí eu topo.
fico pensando nessa minha trajetória cheia de voltas
uberlândia, são paulo, rio de janeiro.
história, filosofia, memória social.
o que significa isso? eu, é claro!
mas não me pergunte pra onde vou!
por isso a falta de alívio.
caminante no hay camino, se hace camino al andar...
então vou por aí...
vou sair e comprar os jornais, desfrutar do sol morno dessa linda manhã de domingo,
não penso que há outra coisa para ser feita agora!

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Viver é afinar o instrumento
De dentro prá fora
De fora prá dentro
A toda hora, todo momento
De dentro prá fora
De fora prá dentro
A toda hora, todo momento
De dentro prá fora
De fora prá dentro

Walter Franco