No jardim das rosasDe sonho e medo
Pelos canteiros de espinhos e flores
Lá, quero ver você
Olerê, Olará, você me pegar
glauber rocha, maurício do valle, othon bastos, rogério duarte, antônio conselheiro, euclides da cunha, guimarães rosa, villa-lobos, sérgio ricardo, corisco, lampião, deus , o diabo, o vaqueiro, o coronel, o sol, o sertão, monte santo, o nordeste, canudos ,o brasil, o cangaço, a caatinga, a luta, a guerra, o cinema brasileiro, 1964.
"uma asa na alma, uma asa no ar"
"Em pleno verão" é um dos meus discos preferidos e inaugura a década de 70 em grande estilo. E não podia ser diferente, Elis grava nesse disco Roberto Carlos, Tim Maia e Jorge Ben, aqueles mesmos carinhas que reunidos em uma banda faziam sucesso nos bailinhos da Tijuca no final da década de 60. Nem precisa dizer que Elis tinha o dom caro que marca o perfil das grandes cantoras, de escolher a dedo seus músicos e compositores. A faixa "As curvas da estrada de Santos" que fecha o lado B do vinil é arrebatadora. E no lado B temos a estréia de Tim Maia na bolacha preta. A produção dessa pérola ficou a cargo do Nelson Motta (o cara tá em todas, incrível!) e a direção musical é do grande e pouco conhecido Erlon Chaves. A foto da capa é de Gil Prates e está exposta ali na mesinha da minha sala ao lado de um ramalhete de sempre-vivas.
Dou o dito. Abrenúncio. Essas melancolias. O senhor vê: existe cachoeira; e pois? Cachoeira é barranco de chão e água caindo sobre ele, retombando; o senhor consome essa água ou desfaz esse barranco, sobra cachoeira alguma? Viver é muito perigoso! 

A francesa Sophie Calle é uma mulher moderna e uma artista super antenada. Sua obra é resultado de uma reflexão dura, mas bem humorada, de sua própria vida. Misturando fotografia e textos curtos Sophie relata, em "Histórias Reais", pequenos episódios de sua vida, sejam eles amorosos, de descobertas pessoais ou de afirmação diante do mundo. O livro resulta belo e instigante. A capa me chamou a atenção por si só. Peguei, sentei num banquinho qualquer, li e vi tudo, de uma só vez, respirando entre uma página e outra. Tive que levar pra casa, mesmo já sabendo o livro de cor! O nome "Sophie Calle" repercurtiu também pois tinha lido alguns textos em outros blogs sobre a exposição multimídia "Cuide de você" ( em francês "prenez soin de vous") que está em cartaz no Sesc Pompéia em São Paulo. Imperdível para mulheres que cuidam de si mesmas! Para falar sobre a exposição, cito a própria:
Essa foto é antiga, provavelmente do inverno de 2000, no Bar do Cidão, em Pinheiros, São Paulo. Nessa época Dona Inah ainda não tinha disco gravado e eu nem pensava em vir morar no Rio de Janeiro. Adorava ser sozinha, leve e solta em Çampa City. Os cabelos curtíssimos foram durante muito tempo minha marca. Hoje eles estão mais longos e o resto é saudade. A foto é da craque do P&B, minha amiga Ana Carolina Andrade, fotógrafa incansável do mundo do samba em São Paulo. Foi da Carol que herdei o meu laboratório fotográfico, há algum tempo esquecido ali no quarto de empregada. Uma pena! Espero trazer à luz mais fotografias no quarto escuro, bem como espero, em breve, rever a amiga e ouvir Dona Inah! Salve, salve!
"teu sorriso é uma navalha
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6. Desnortes (João Bosco e Francisco Bosco)
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9. Jimbo no
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11. Ingenuidade (
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D. Pedro II, último imperador do Brasil, era um homem apaixonado por fotografia. Tinha ele pouco mais de dez anos de idade quando pode conferir no largo do Paço Imperial um abade francês tirar os primeiros daguerreótipos feitos no Brasil. D. Pedro tornou-se fotógrfo e um grande colecionador de imagens de pessoas e do mundo. Sua coleção, mantida pela Biblioteca Nacional desde 1892, recebeu da Unesco, no início de setembro, o título de “Memória do Mundo”. Por desejo do imperador o conjunto das fotografias é conhecido como Coleção Imperatriz Thereza Cristina. Trata-se do maior acervo público de imagens do século XIX. Outra grande coleção de fotografias do século XIX pertence ao Instituto Moreira Salles. Todo ano a Biblioteca Nacional abre edital para pesquisa em seu acervo. A Coleção Thereza Cristina é apenas uma parte do grande acervo da Biblioteca Nacional. Como quase todos sabem, sou pesquisadora de fotografia, defendi uma dissertação de mestrado sobre as imagens de Marcel Gautherot durante a construção de Brasília e achei natural buscar as origens da fotografia no Brasil e foquei meu interesse nessa majestosa coleção. Após alguns dias de pesquisa na seção de iconografia da Biblioteca Nacional pude formatar um projeto e me canditei a uma das 12 vagas do edital (4 delas para mestres). E não é que meu projeto foi aprovado e agora sou umas das mais novas pesquisadoras daquela isntituição? Nem preciso dizer como estou feliz! Trata-se de um prêmio, pois não é uma pós-graduação, o que é um diferencial enorme no curriculum de qualquer pesquisador. Adoro fotografia, adoro estudar o Brasil, adoro arquivos, adoro trabalhar com memória!! E agora? Agora é trabalhar!!!
Crédito das imagens: Coleção Thereza Cristina/Acervo Biblioteca Nacional
Ontem foi um dia muito especial. Minha querida amiga Cibele está grávida e vai pra São Paulo ter o filho daqui a uns dias. Em sua estada no Rio de Janeiro fez grandes amizades. Eu me orgulho de ser uma de suas amigas, e a palavra aqui não é gratuita. Cibele é uma pessoa que dispensa o superfical, vai fundo nos seus sentimentos, na sua delizadeza, nos seus afetos. Ontem ela nos brindou com um almoço incrível, deliciosamente delicioso! Bom papo, carinho, afeto, nhoque artesanal de mandioquinha, vinho, bolo, café e aconchego num domingo frio e ventoso. Tudo isso pra gente celebrar a vida do seu bebê, fruto lindo de seu desejo e de seu amor. Reunidas aqui em casa, fomos todas convidadas a trazer um retalho ou um pedaço de algum tecido para que a própria Cibele possa, antes do parto, alinhar através de suas talentosas mãos, uma colcha para abrigar o pequeno Francisco. Essa colcha, símbolo de afeto, abrigo, calor, amizade, carinho e amor, será o amparo primeiro de seu filho, que não é só ela que espera, mas todas nós que a amamos e torcemos pela sua saúde e alegria! No final da tarde ela tinha em mãos um pequeno pacote de retalhos, e eu me perguntava, como pode um punhado de retalhos ser tão especial? O meu retalho é um pedaço de uma das roupinhas da Clarice ainda bebê: Dani trouxe uma estampa que ela mesma desenhou; Jane trouxe vários retalhos dos tecidos que ela trabalha diariamente em seu ateliê e Cris uma estampa em jacquard que ela interferiu e deixou mais leve e delicada, enfim... pedaços de memória e de cumplicidade. Viva Francisco! Obrigada Cibele pela amizade que nos fortalece!
vontade sem fim de sair andando por aí, sem rumo ou destino certo... vontade de me perder um pouco do cotidiano, da rotina escalavrante que essa vida tem. vontade de ser eu mesma em outra paisagem... vontade de improvisar, arriscar um salto pra dentro de mim mesma. vontade de ser um mapa, destino, parada. vontade de ser fonte, marco, início e fim, como o sol ou a lua. vontade de ser em carne viva, filete de sangue. vontade de não querer nada nem ninguém... vontade de ser livre de tudo o que é previsível, ridículo ou absurdo. vontade de ser sozinha, como um dia fui e nunca mais serei... vontade de ser lágrima quente. vontade de ser música, fogo, fábula... vontade de ser cinza, alimento, adubo .... vontade de ser fotografia antiga, relógio sem ponteiros, moldura vazia... vontade de ser tinta, cor, textura... vontade de ser punhal, espelho, reflexo. vontade de ser criança, balanço, sorriso.... vontade de ser grito, urro, uivo! vontade de ser pingo, chuva, enchurrada... vontade ser rio, peixe, pedra. vontade de ser pegada na areia, rastro, sinal. vontade de voar... vontade de ser fala, pura palavra, plurilíngua. vontade ser pele, pêlo, arrepio. vontade de não ser... ah, bruta flor do querer!!
Áurea Martins é uma das maiores cantoras do Brasil. Disso nunca tive dúvida! Quando essa mulher solta a voz não tem pra ninguém! E o arrepio rola solto pela espinha, do cócix até o pescoço! Conheço Áurea da noite carioca, antes mesmo de vir morar no Rio de Janeiro. Toda vez que vinha ao Rio procurava saber onde ela estaria cantando e ia lá. Agora que moro perto (somos vizinhas, até!) procuro não perder a oportunidade! Sempre bem acompanhada de excelentes músicos e repertório irretocável, Áurea esbanja interpretação e generosidade!
álbum fundamental do quarteto quebra tudo de Dave Brubeck, pianista dos maiores que ainda está na ativa. Apesar de muita gente considerar 'menor' a galerinha do jazz west coast, eu digo, em bom tom, que adoro! Do trompete de Chet Baker ao sax de Paul Desmond. E como não vou ficar aqui repetindo palavras, ouçam "Take Five" e leiam a coluna de Carneiro. Vale a pena! A capa do disco acima é de Neil Fujita.
Assistindo ontem a um documentário na Globo News sobre a morte inesperada do Rei do Pop, minha filha, indignada com o meu monópolio da TV (ela tinha acabado de ganhar o aparelho!), me pergunta, quando a imagem mostra Michael, há poucos anos, cantando num show espetacular no Japão: "É esse o Michael Jackson, mãe?". E eu respondo: "É, Clarice". Na sequência, a imagem muda, vem Thriller, e mais uma vez a pergunta:"É esse o Michael Jackson, mãe?". E eu respondo: "Sim, Clarice, é esse!". Por fim surge na tela aquela carinha de anjo black power dos Jackson 5. "Quem é esse, mãe?" - pergunta ela. E eu respondo: "Michael Jackson, Clarice!!!!". E ela não se contém: "Caramba, mãe, mas quantos Michael Jackson são?".
Dizem que Dianne Reeves é uma das maiores cantoras de jazz da atualidade, herdeira de Ella e Sarah. Pra mim ela é muito mais, pra mim é a maior cantora que já vi cantar. E foi na noite fria de ontem no Vivo Rio que, ao ouví-la, me lembrei não só de Ella ou Sarah, mas o show, sua voz e sua maneira de cantar me lembraram ainda Bobby Mcferrin, Elis Regina e Clementina de Jesus. Sonoridades e mais sonoridades. Com um time impecável de músicos, entre eles Romero
Lubambo que eu também nunca tinha visto tocar ao vivo, o show foi sensacional! Memorável para os reles mortais como eu e o querido Maldonado, que me convidou para esse delírio de sons!! Ela é super simpática, recebeu quem quis vê-la, autografou os discos, sorriu e pousou pras fotos!!! Uma lady!
“Budapeste” é uma história de amor pela palavra, pela cidade e também de um homem por uma mulher. Li o livro em duas noites seguidas, na época do lançamento. É um livro denso, forte e me envolveu totalmente. O filme não conta com a mesma força, o grande problema das adaptações... Em suas páginas, Chico Buarque explora várias relações binárias, duplas e espelhadas entre Costa e suas mulheres (Vanda e Kriska), a relação de identidade do homem com as cidades, Budapeste e Rio de Janeiro e o amor pelas línguas: o português e o húngaro (a cena no telefone público - vermelho e de ficha!! - traduz isso quando Costa grava suas palavras em uma secretária eletrônica a saudade de falar 'saudade', 'pão de açúcar', 'Guanabara', 'maracanã', 'marimbondo', 'adstringência'). E entendo essas relações como uma contraposição entre o que é essencial e o que é aparente, o que fica absolutamente evidente na relação entre Costa e Vanda. Ele não aparece, é um ghost writer, vive pela palavra, na busca por suas histórias encomendadas, ela é o que se vê na TV, uma fachada, nada mais. Um aparência, o outro essência. Budapeste, no filme, é amarela sépia em uma fotografia que poderia acrescentar de verdade. Essa afirmação pode soar gratuita, mas é assim que vejo, nenhuma surpresa, nenhum grande choque, apenas algumas pequenas variações sobre o olhar de Lula Carvalho que já deixou sua marca em "Feliz Natal". É bom lembrar que a direção é do grande Walter Carvalho, “fotógrafo que dirige”, como ele próprio se define, mas a produção e roteiro de Rita Buzzar (de "Olga", filme que não gosto). Admirei muito, no entanto, a cena em que Kriska e Costa se conhecem (foi o primeiro encontro dos dois atores também). Gosto ainda da cena absolutamente autoral da estátua esquartejada de Lênin a navegar pelo rio Danúbio e confesso que não fica muito claro para quem vê o filme o fato da história acontecer ao mesmo tempo em que é narrada, em que é escrita. Afora isso achei completamente desnecessária aquela “feijoada completa” e sua tradução para o húngaro à beira mar (lembrando Noel Rosa: “o samba não tem tradução”), sem falar que é ridículo traduzir uca, torresmo e etc, a mim soou fake, cartão postal barato da cidade. Detesto Giovana Antonneli e Paola Oliveira e por falar nisso, os nus do filme, apesar de serem lindos, excedem, aquela pitada a mais que muda o sabor. E achei bem bacana o filme ser falado em húngaro, com legendas em português, e não em inglês, como geralmente acontece, finalmente um grande acerto para o cinema nacional!!
Walter Carvalho é diretor de fotografia de "Lavoura Arcaica" e "Cleópatra", entre outros; co-dirigiu "Cazuza - O Tempo Não Para", com Sandra Werneck e "Janela da Alma", com João Jardim, dirigiu ainda o documentário "Moacir, Arte Bruta".
Acordamos tarde. Tomamos café da manhã juntas, na mesa, como poucas vezes ela faz, pois quase sempre quer comer na frente da televisão, o que eu detesto, por isso cortei a TV a cabo. Agora, na TV, só DVD, escolhidos por mim. Depois dançamos, tomamos banho, nos vestimos e passamos o mesmo perfume. Preparei o almoço. Saimos para ir ao mercado comprar papel alumínio e queijo parmesão. Ela levou a boneca japonesa e no meio do caminho queria que eu carregasse, como sempre faz. Eu disse que não iria carregar a boneca, pois cada um deve carregar as suas coisas. Ela chorou e gritou no meio da rua. Esperei, pacientemente, o showzinho terminar e continuamos o trajeto. Cada uma de nós, então, pegamos em um braço da boneca e fomos assim, caminhando de mãos dadas, as três. Ao telefone falei com as avós e com meu pai. Almoçamos, eu e ela, e nos preparamos para um passeio por Laranjeiras, tomamos sorvete e depois fomos ao Oi Futuro. Lemos, ouvimos música e vimos uma exposição de fotografias. Encontramos com a Juju e sua família. Compramos flores, viemos pra casa, recebemos uma visita boa. Depois fomos comprar o maravilhoso pão de queijo da padaria que abriu ao lado de casa. Voltamos pra casa, assistimos um DVD, jantamos e nos preparamos para dormir... Um dia como outro qualquer, com a tarefa cotidiana de 'educar', impor limites, buscar coisas boas para serem compartilhadas, vividas, lembradas.