Dou o dito. Abrenúncio. Essas melancolias. O senhor vê: existe cachoeira; e pois? Cachoeira é barranco de chão e água caindo sobre ele, retombando; o senhor consome essa água ou desfaz esse barranco, sobra cachoeira alguma? Viver é muito perigoso! domingo, 16 de agosto de 2009
MIRANDA
Dou o dito. Abrenúncio. Essas melancolias. O senhor vê: existe cachoeira; e pois? Cachoeira é barranco de chão e água caindo sobre ele, retombando; o senhor consome essa água ou desfaz esse barranco, sobra cachoeira alguma? Viver é muito perigoso! terça-feira, 11 de agosto de 2009
sábado, 8 de agosto de 2009
SPEAKEASIE

num dia de semana desses, aqui em casa, reunimos 3 casais pra um pequeno e delicioso jantar japonês. minha cozinha recebeu dois chefs de primeira linha, joão bernardo e lívia, que elaboraram em sintonia absoluta uma mesa maravilhosa, cheia de cores, texturas e sabores. reunir pessoas queridas em torno de uma mesa, com boa comida e boa bebida é, realmente, um dos grandes prazeres dessa vida! e como é gostoso acompanhar todo o processo da comida sendo preparada, regada com bom papo, bebidinhas e disposição para a tarefa! uma das prioridades da minha casa dos sonhos e uma grande cozinha, com fogão no centro de tudo, rodeada de mesa e pessoas queridas cheias de apetite! tudo foi perfeito, com excessão do vizinho chato que reclamou do barulho, por isso falar baixinho é fundamental, principalmente em dia de semana. e que venham outros jantares! adoro comer, beber e cozinhar!
QUERO SER SOPHIE CALLE

hoje eu fiz uma das coisas que mais gosto de fazer na vida: passei horas dentro de uma livraria. uma não, duas. saraiva mega store e travessa ccbb. tive um dos meus ataques consumistas. comprei três livros de fotografia, dois cd's, uma camiseta e um dvd. tudo pela bagatela de R$ 257,80. becherini, miles, bresson, atget, coltrane, bill evans. e fiquei babando de vontade de trazer pra casa mais duas coisas, pelo menos. o livrão maravilhoso da annie leibovitz, com fotos extenuantes e pouco conhecidas da fotógrafa. retratos de sua intimidade. fiquei particularmente comovida com as imagens de sua companheira susan sontang, na agonia terrível da luta contra o cancêr em seus últimos dias de vida. um livro incrível! não pude, infelizmente, trazer o livrão pra casa pois teria que desembolsar R$ 470,00!!! gostaria ainda de ter trazido qualquer um, ou melhor, TODOS, os livros da sophie calle. no post anterior falei do único livro dela com edição brasileira 'histórias reais'. as outras edições, em língua francesa, importadas e naturalmente inacessíveis a pobres mortais como eu, pois o mais barato custava R$ 247,00, são lindos e arrojados projetos gráficos. são livros instigantes e curiosos, pequenas obras de arte. se eu pudesse passaria o final de semana, a semana, o mês inteiro acompanhada daqueles textos e imagens. encontrei o termo striptease emocional pra falar da obra de sophe calle e achei bastante apropriado. a artista provoca ao desnudar-se, ao mostrar sua intimidade, ao publicar seus diários, sua fotografias íntimas, seus sonhos e histórias (reais ou inventadas). e falar sobre isso tudo com o talendo de sophie calle não é para qualquer um! estou completamente apaixonada pelo trabalho dessa mulher! identifiquei-me muito com o trabalho dela pois penso que gostaria de fazer o mesmo com a minha vida, com as minhas fotos, com os meus segredos e as minhas invenções. minhas 'não memórias' seriam mais belas se tivessem o tom, a textura e as cores das páginas assinadas por sophie calle.
terça-feira, 4 de agosto de 2009
CUIDE DE VOCÊ
A francesa Sophie Calle é uma mulher moderna e uma artista super antenada. Sua obra é resultado de uma reflexão dura, mas bem humorada, de sua própria vida. Misturando fotografia e textos curtos Sophie relata, em "Histórias Reais", pequenos episódios de sua vida, sejam eles amorosos, de descobertas pessoais ou de afirmação diante do mundo. O livro resulta belo e instigante. A capa me chamou a atenção por si só. Peguei, sentei num banquinho qualquer, li e vi tudo, de uma só vez, respirando entre uma página e outra. Tive que levar pra casa, mesmo já sabendo o livro de cor! O nome "Sophie Calle" repercurtiu também pois tinha lido alguns textos em outros blogs sobre a exposição multimídia "Cuide de você" ( em francês "prenez soin de vous") que está em cartaz no Sesc Pompéia em São Paulo. Imperdível para mulheres que cuidam de si mesmas! Para falar sobre a exposição, cito a própria:"Recebi uma carta de rompimento.
E não soube respondê-la.
Era como se ela não me fosse destinada.
Ela terminava com as seguintes palavras: “Cuide de você”.
Levei essa recomendação ao pé da letra.
Convidei 107 mulheres, escolhidas de acordo com a profissão,
para interpretar a carta do ponto de vista profissional.
Analisá-la, comentá-la, dançá-la, cantá-la. Esgotá-la.
Entendê-la em meu lugar. Responder por mim.
Era uma maneira de ganhar tempo antes de romper.
Uma maneira de cuidar de mim."
foto: Clarice Lion
sexta-feira, 31 de julho de 2009
LE CAFÉ DU RÊVE
Essa foto é antiga, provavelmente do inverno de 2000, no Bar do Cidão, em Pinheiros, São Paulo. Nessa época Dona Inah ainda não tinha disco gravado e eu nem pensava em vir morar no Rio de Janeiro. Adorava ser sozinha, leve e solta em Çampa City. Os cabelos curtíssimos foram durante muito tempo minha marca. Hoje eles estão mais longos e o resto é saudade. A foto é da craque do P&B, minha amiga Ana Carolina Andrade, fotógrafa incansável do mundo do samba em São Paulo. Foi da Carol que herdei o meu laboratório fotográfico, há algum tempo esquecido ali no quarto de empregada. Uma pena! Espero trazer à luz mais fotografias no quarto escuro, bem como espero, em breve, rever a amiga e ouvir Dona Inah! Salve, salve!
quinta-feira, 30 de julho de 2009
sexta-feira, 24 de julho de 2009
NÃO VOU PRO CÉU
"teu sorriso é uma navalha
que abre o meu coração"
Aproveito o silêncio destes dias sozinha em casa para ouvir joão. e ouço diariamente, duas vezes ao dia, pelo menos. As letras são lindas e o violão doce, mais lírico do que nunca. É um disco que me remete ao passado, possui uma ancestralidade latente, não só por trazer de volta a parceria João Bosco e Aldir Blanc, que foi tão importante pra música brasileira e que volta com força em quatro faixas do disco, mas também pela sonoridade (palavrinha tão em moda ultimamente) que é tão limpa, água pura da fonte. E a fonte aqui é, obviamente, Orlando Silva, João Gilberto, Caymmi, as paisagens mineiras e, claro, o nosso Rio de Janeiro. Sete das treze faixas é só voz e violão, o que evoca um intimismo grande, é como se o João tivesse ali no meu sofá tocando... Quem dera!!! Aldir colocou letra em “Mentiras de verdade” e “Plural singular” e João fez música os poemas “Navalha” e “Sonho de caramujo”. "Jimbo no Jazz" é ótima, parceria com o velho malando Nei Lopes. Os contorcionismos vocais de João estão praticamente ausentes, restou um intérprete que se não vai pro céu, nos deixa nas nuvens!
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6. Desnortes (João Bosco e Francisco Bosco)
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9. Jimbo no
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11. Ingenuidade (
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quarta-feira, 22 de julho de 2009
segunda-feira, 20 de julho de 2009
sábado, 18 de julho de 2009
MEMÓRIA DO MUNDO
D. Pedro II, último imperador do Brasil, era um homem apaixonado por fotografia. Tinha ele pouco mais de dez anos de idade quando pode conferir no largo do Paço Imperial um abade francês tirar os primeiros daguerreótipos feitos no Brasil. D. Pedro tornou-se fotógrfo e um grande colecionador de imagens de pessoas e do mundo. Sua coleção, mantida pela Biblioteca Nacional desde 1892, recebeu da Unesco, no início de setembro, o título de “Memória do Mundo”. Por desejo do imperador o conjunto das fotografias é conhecido como Coleção Imperatriz Thereza Cristina. Trata-se do maior acervo público de imagens do século XIX. Outra grande coleção de fotografias do século XIX pertence ao Instituto Moreira Salles. Todo ano a Biblioteca Nacional abre edital para pesquisa em seu acervo. A Coleção Thereza Cristina é apenas uma parte do grande acervo da Biblioteca Nacional. Como quase todos sabem, sou pesquisadora de fotografia, defendi uma dissertação de mestrado sobre as imagens de Marcel Gautherot durante a construção de Brasília e achei natural buscar as origens da fotografia no Brasil e foquei meu interesse nessa majestosa coleção. Após alguns dias de pesquisa na seção de iconografia da Biblioteca Nacional pude formatar um projeto e me canditei a uma das 12 vagas do edital (4 delas para mestres). E não é que meu projeto foi aprovado e agora sou umas das mais novas pesquisadoras daquela isntituição? Nem preciso dizer como estou feliz! Trata-se de um prêmio, pois não é uma pós-graduação, o que é um diferencial enorme no curriculum de qualquer pesquisador. Adoro fotografia, adoro estudar o Brasil, adoro arquivos, adoro trabalhar com memória!! E agora? Agora é trabalhar!!!
Crédito das imagens: Coleção Thereza Cristina/Acervo Biblioteca Nacional
sexta-feira, 17 de julho de 2009
50 ANOS SEM BILLIE HOLLIDAY
terça-feira, 14 de julho de 2009
PESCADOR DE PÉROLAS
segunda-feira, 13 de julho de 2009
O FIO DA AMIZADE
Ontem foi um dia muito especial. Minha querida amiga Cibele está grávida e vai pra São Paulo ter o filho daqui a uns dias. Em sua estada no Rio de Janeiro fez grandes amizades. Eu me orgulho de ser uma de suas amigas, e a palavra aqui não é gratuita. Cibele é uma pessoa que dispensa o superfical, vai fundo nos seus sentimentos, na sua delizadeza, nos seus afetos. Ontem ela nos brindou com um almoço incrível, deliciosamente delicioso! Bom papo, carinho, afeto, nhoque artesanal de mandioquinha, vinho, bolo, café e aconchego num domingo frio e ventoso. Tudo isso pra gente celebrar a vida do seu bebê, fruto lindo de seu desejo e de seu amor. Reunidas aqui em casa, fomos todas convidadas a trazer um retalho ou um pedaço de algum tecido para que a própria Cibele possa, antes do parto, alinhar através de suas talentosas mãos, uma colcha para abrigar o pequeno Francisco. Essa colcha, símbolo de afeto, abrigo, calor, amizade, carinho e amor, será o amparo primeiro de seu filho, que não é só ela que espera, mas todas nós que a amamos e torcemos pela sua saúde e alegria! No final da tarde ela tinha em mãos um pequeno pacote de retalhos, e eu me perguntava, como pode um punhado de retalhos ser tão especial? O meu retalho é um pedaço de uma das roupinhas da Clarice ainda bebê: Dani trouxe uma estampa que ela mesma desenhou; Jane trouxe vários retalhos dos tecidos que ela trabalha diariamente em seu ateliê e Cris uma estampa em jacquard que ela interferiu e deixou mais leve e delicada, enfim... pedaços de memória e de cumplicidade. Viva Francisco! Obrigada Cibele pela amizade que nos fortalece!
sábado, 11 de julho de 2009
TRÊS COISAS
Valem bem mais do que o resto
Pra defender qualquer delas
Eu mostro o quanto que presto
É o gesto, é o grito, é o passo
É o grito, é o passo, é o gesto
O gesto é a voz do proibido
Escrita sem deixar traço
Chama, ordena, empurra, assusta
Vai longe com pouco espaço
É o passo, é o gesto, é o grito
É o gesto, é o grito, é o passo
O passo começa o vôo
Que vai do chão pro infinito
Pra mim que amo estrada aberta
Quem prende o passo é maldito
É o grito, é o passo, é o gesto
É o passo, é o gesto, é o grito
O grito explode o protesto
Se a boca já não dá espaço
Que guarde o que há pra ser dito
É o grito, é o passo, é o gesto
É o gesto, é o grito, é o passo
É o passo, é o gesto, é o grito.
Mário Lago
quinta-feira, 9 de julho de 2009
quarta-feira, 8 de julho de 2009
domingo, 5 de julho de 2009
DISCOS À MANCHEIA
sexta-feira, 3 de julho de 2009
BRUTA FLOR DO QUERER
vontade sem fim de sair andando por aí, sem rumo ou destino certo... vontade de me perder um pouco do cotidiano, da rotina escalavrante que essa vida tem. vontade de ser eu mesma em outra paisagem... vontade de improvisar, arriscar um salto pra dentro de mim mesma. vontade de ser um mapa, destino, parada. vontade de ser fonte, marco, início e fim, como o sol ou a lua. vontade de ser em carne viva, filete de sangue. vontade de não querer nada nem ninguém... vontade de ser livre de tudo o que é previsível, ridículo ou absurdo. vontade de ser sozinha, como um dia fui e nunca mais serei... vontade de ser lágrima quente. vontade de ser música, fogo, fábula... vontade de ser cinza, alimento, adubo .... vontade de ser fotografia antiga, relógio sem ponteiros, moldura vazia... vontade de ser tinta, cor, textura... vontade de ser punhal, espelho, reflexo. vontade de ser criança, balanço, sorriso.... vontade de ser grito, urro, uivo! vontade de ser pingo, chuva, enchurrada... vontade ser rio, peixe, pedra. vontade de ser pegada na areia, rastro, sinal. vontade de voar... vontade de ser fala, pura palavra, plurilíngua. vontade ser pele, pêlo, arrepio. vontade de não ser... ah, bruta flor do querer!!
quinta-feira, 2 de julho de 2009
ÁUREA MARTINS
Áurea Martins é uma das maiores cantoras do Brasil. Disso nunca tive dúvida! Quando essa mulher solta a voz não tem pra ninguém! E o arrepio rola solto pela espinha, do cócix até o pescoço! Conheço Áurea da noite carioca, antes mesmo de vir morar no Rio de Janeiro. Toda vez que vinha ao Rio procurava saber onde ela estaria cantando e ia lá. Agora que moro perto (somos vizinhas, até!) procuro não perder a oportunidade! Sempre bem acompanhada de excelentes músicos e repertório irretocável, Áurea esbanja interpretação e generosidade!É sempre um prazer ouví-la cantar, faz bem à alma. Acompanhei sua temporada no antigo 43, da rua do Ouvidor e no Santo Scenarium, recentemente! Agora ela vai cantar como nunca, depois do reconhecimento de melhor cantora de MPB pelo prêmio TIM, edição 2009, com o disco "Até Sangrar", lançado em 2008. "Até Sangrar" é um disco ímpar, foi produzido por Hermínio Bello de Carvalho e José Maria Rocha. Hermínio Bello dispensa apresentações e Zé Maria é um dos pianistas fabulosos que a musicalidade desse Brasil fez e faz. É um disco denso, intenso! com muito Lupcínio Rodrigues (Áurea, Zé Maria e Zezé Gonzaga tinham um show em homenagem ao Lupcínio Rodrigues e o disco resulta dessa parceria também...) mas tem ainda Chocolate, Vinícius, Tom Jobim, Donato e outros craques! além de uma versão inusitada de "Nada por mim" de Paula Toller e Herbert Vianna! Vale conferir!
Áurea Martins é uma estrela negra de voz rouca, preciosidade, uma verdadeira guerreira!!
Próximo show:
Áurea Martins convida Emilio Santiago.
Dias 08 e 09 de Julho
Teatro de Arena da CAIXA Cultural Rio.
Fotografia: Walter Firmo
terça-feira, 30 de junho de 2009
segunda-feira, 29 de junho de 2009
TIME OUT
álbum fundamental do quarteto quebra tudo de Dave Brubeck, pianista dos maiores que ainda está na ativa. Apesar de muita gente considerar 'menor' a galerinha do jazz west coast, eu digo, em bom tom, que adoro! Do trompete de Chet Baker ao sax de Paul Desmond. E como não vou ficar aqui repetindo palavras, ouçam "Take Five" e leiam a coluna de Carneiro. Vale a pena! A capa do disco acima é de Neil Fujita.sexta-feira, 26 de junho de 2009
KING OF POP
Assistindo ontem a um documentário na Globo News sobre a morte inesperada do Rei do Pop, minha filha, indignada com o meu monópolio da TV (ela tinha acabado de ganhar o aparelho!), me pergunta, quando a imagem mostra Michael, há poucos anos, cantando num show espetacular no Japão: "É esse o Michael Jackson, mãe?". E eu respondo: "É, Clarice". Na sequência, a imagem muda, vem Thriller, e mais uma vez a pergunta:"É esse o Michael Jackson, mãe?". E eu respondo: "Sim, Clarice, é esse!". Por fim surge na tela aquela carinha de anjo black power dos Jackson 5. "Quem é esse, mãe?" - pergunta ela. E eu respondo: "Michael Jackson, Clarice!!!!". E ela não se contém: "Caramba, mãe, mas quantos Michael Jackson são?".Difícil explicar para uma criança a radical mudança na feição de uma ídolo tão querido por milhões de pessoas. E a mim não interessa a cara que ele escolheu ter. O que realmente importa é que ele me fez dançar. Primeiro juntinho, de rosto colado, nas domingueiras dançantes promovidas pelas turminhas de escola ao som de I'll be there e outras baladas dos Jackson 5. Sim, só me lembro das baladas, coração na boca, rosto suando, respiração quente.... Depois, quando eu completava exatos 13 anos, veio Thriller!!!! E dancei, imitando Michael Jackson, na garagem de casa, na garagem dos vizinhos, na garagem das minhas tias em Goiânia, onde passei as férias daquele ano e em quase todas as festas que fui e que acabam em dança. Michael Jackson é um clássico, isso não se discute!! Dancei muito, gel molhado no cabelo, ombreiras e tudo o que a moda pedia. Ah, os anos 80!!! Eternos anos 80!!
quarta-feira, 24 de junho de 2009
terça-feira, 23 de junho de 2009
sexta-feira, 19 de junho de 2009
DIANNE REEVES
Dizem que Dianne Reeves é uma das maiores cantoras de jazz da atualidade, herdeira de Ella e Sarah. Pra mim ela é muito mais, pra mim é a maior cantora que já vi cantar. E foi na noite fria de ontem no Vivo Rio que, ao ouví-la, me lembrei não só de Ella ou Sarah, mas o show, sua voz e sua maneira de cantar me lembraram ainda Bobby Mcferrin, Elis Regina e Clementina de Jesus. Sonoridades e mais sonoridades. Com um time impecável de músicos, entre eles Romero
Lubambo que eu também nunca tinha visto tocar ao vivo, o show foi sensacional! Memorável para os reles mortais como eu e o querido Maldonado, que me convidou para esse delírio de sons!! Ela é super simpática, recebeu quem quis vê-la, autografou os discos, sorriu e pousou pras fotos!!! Uma lady!quinta-feira, 18 de junho de 2009
domingo, 14 de junho de 2009
domingo, 7 de junho de 2009
SE TUDO PODE ACONTECER
Lindo, lírico, poético! Puro deleite!
Arnaldo Antunes, Alice Ruiz, Paulo Tatit, João Bandeira.
quarta-feira, 3 de junho de 2009
segunda-feira, 25 de maio de 2009
BUDAPESTE
“Budapeste” é uma história de amor pela palavra, pela cidade e também de um homem por uma mulher. Li o livro em duas noites seguidas, na época do lançamento. É um livro denso, forte e me envolveu totalmente. O filme não conta com a mesma força, o grande problema das adaptações... Em suas páginas, Chico Buarque explora várias relações binárias, duplas e espelhadas entre Costa e suas mulheres (Vanda e Kriska), a relação de identidade do homem com as cidades, Budapeste e Rio de Janeiro e o amor pelas línguas: o português e o húngaro (a cena no telefone público - vermelho e de ficha!! - traduz isso quando Costa grava suas palavras em uma secretária eletrônica a saudade de falar 'saudade', 'pão de açúcar', 'Guanabara', 'maracanã', 'marimbondo', 'adstringência'). E entendo essas relações como uma contraposição entre o que é essencial e o que é aparente, o que fica absolutamente evidente na relação entre Costa e Vanda. Ele não aparece, é um ghost writer, vive pela palavra, na busca por suas histórias encomendadas, ela é o que se vê na TV, uma fachada, nada mais. Um aparência, o outro essência. Budapeste, no filme, é amarela sépia em uma fotografia que poderia acrescentar de verdade. Essa afirmação pode soar gratuita, mas é assim que vejo, nenhuma surpresa, nenhum grande choque, apenas algumas pequenas variações sobre o olhar de Lula Carvalho que já deixou sua marca em "Feliz Natal". É bom lembrar que a direção é do grande Walter Carvalho, “fotógrafo que dirige”, como ele próprio se define, mas a produção e roteiro de Rita Buzzar (de "Olga", filme que não gosto). Admirei muito, no entanto, a cena em que Kriska e Costa se conhecem (foi o primeiro encontro dos dois atores também). Gosto ainda da cena absolutamente autoral da estátua esquartejada de Lênin a navegar pelo rio Danúbio e confesso que não fica muito claro para quem vê o filme o fato da história acontecer ao mesmo tempo em que é narrada, em que é escrita. Afora isso achei completamente desnecessária aquela “feijoada completa” e sua tradução para o húngaro à beira mar (lembrando Noel Rosa: “o samba não tem tradução”), sem falar que é ridículo traduzir uca, torresmo e etc, a mim soou fake, cartão postal barato da cidade. Detesto Giovana Antonneli e Paola Oliveira e por falar nisso, os nus do filme, apesar de serem lindos, excedem, aquela pitada a mais que muda o sabor. E achei bem bacana o filme ser falado em húngaro, com legendas em português, e não em inglês, como geralmente acontece, finalmente um grande acerto para o cinema nacional!!
Walter Carvalho é diretor de fotografia de "Lavoura Arcaica" e "Cleópatra", entre outros; co-dirigiu "Cazuza - O Tempo Não Para", com Sandra Werneck e "Janela da Alma", com João Jardim, dirigiu ainda o documentário "Moacir, Arte Bruta".
quinta-feira, 14 de maio de 2009
domingo, 10 de maio de 2009
DIA DAS MÃES
Acordamos tarde. Tomamos café da manhã juntas, na mesa, como poucas vezes ela faz, pois quase sempre quer comer na frente da televisão, o que eu detesto, por isso cortei a TV a cabo. Agora, na TV, só DVD, escolhidos por mim. Depois dançamos, tomamos banho, nos vestimos e passamos o mesmo perfume. Preparei o almoço. Saimos para ir ao mercado comprar papel alumínio e queijo parmesão. Ela levou a boneca japonesa e no meio do caminho queria que eu carregasse, como sempre faz. Eu disse que não iria carregar a boneca, pois cada um deve carregar as suas coisas. Ela chorou e gritou no meio da rua. Esperei, pacientemente, o showzinho terminar e continuamos o trajeto. Cada uma de nós, então, pegamos em um braço da boneca e fomos assim, caminhando de mãos dadas, as três. Ao telefone falei com as avós e com meu pai. Almoçamos, eu e ela, e nos preparamos para um passeio por Laranjeiras, tomamos sorvete e depois fomos ao Oi Futuro. Lemos, ouvimos música e vimos uma exposição de fotografias. Encontramos com a Juju e sua família. Compramos flores, viemos pra casa, recebemos uma visita boa. Depois fomos comprar o maravilhoso pão de queijo da padaria que abriu ao lado de casa. Voltamos pra casa, assistimos um DVD, jantamos e nos preparamos para dormir... Um dia como outro qualquer, com a tarefa cotidiana de 'educar', impor limites, buscar coisas boas para serem compartilhadas, vividas, lembradas.
sexta-feira, 8 de maio de 2009
MAIO MAIO MAIO
Feito bóia ébria boiarei
Maio
Filmes rápidos plágios sonharei
E dispenso até a esperança
Contente com a epiderme de um lugar
Que a brisa deste mês beija e balança
É maio
Maio maio maio maio é
Maio
Sonho sonho sonho sonharei
Nenhum monstro em maio me assusta
E até o tempo o devorador
Já sabe que sou em quem o degusta
Maio
E me
Deito
No chão
Céu água-marinha sobre mim
Sem nem
Lembrar
Quem foi que no verão cruel
Veio passo a passo
E seqüestrou meu coração
Mas não levou o céu
Que avisto aqui do chão
Waly Salomão/João Bosco/Antônio Cícero
domingo, 3 de maio de 2009
E AGORA?
noites com 12 horas de sono.
descanso merecido pós pós.
fiquei nervosa, como nem eu previa, na defesa do mestrado, mas deu tudo certo.
fui aprovada com louvor, altos elogios e indicação do texto para publicação.
o que significa outro trabalho.
mas o incrível é que não sinto alívio.
sim, uma etapa passou, não devo nada a ninguém.
mas devo a mim mesma,
cobrança maior que existe.
sei que quero continuar estudando fotografia, pesquisando, lendo muito, vendo tudo, quero dar aulas, doutorado, pós-doc, o que vier por aí eu topo.
fico pensando nessa minha trajetória cheia de voltas
uberlândia, são paulo, rio de janeiro.
história, filosofia, memória social.
o que significa isso? eu, é claro!
mas não me pergunte pra onde vou!
por isso a falta de alívio.
caminante no hay camino, se hace camino al andar...
então vou por aí...
vou sair e comprar os jornais, desfrutar do sol morno dessa linda manhã de domingo,
não penso que há outra coisa para ser feita agora!
sexta-feira, 1 de maio de 2009
terça-feira, 28 de abril de 2009
podemos ter a certeza de que não somos mais os mesmos.
(porque a gente é meio borboleta, depende do que nos envolve pra gente se transformar ...).
quinta-feira, 23 de abril de 2009
23 DE ABRIL


Hoje é um dia especial pra mim. Porque hoje é dia de São Jorge vou presentear alguns dos meus amigos mais próximos com um pequeno vaso com uma espada de são jorge plantada por mim. O vaso vai com os votos de proteção e coragem. Porque hoje é dia de São Jorge, de Capadócia, do Rio de Janeiro, vou me vestir de vermelho e branco, as cores de Xangô. Mas porque hoje também é dia de São Pixinguinha, um dos maiores músicos que esse Brasil já teve, acordei ouvindo Choro e quero passar por todos os discos que tenho do velho Pizindim para comemorar esse que é o Dia Nacional do Choro. Vou ouvir "Rosa", "Carinhoso", "Lamentos", "Samba de fato", "1 x 0", "Naquele tempo" entre outras músicas também memoráveis.
E se hoje é 23 de abril, é também dia de Geraldo Pereira, o rei do sincopado, um dos sambistas que mais aprecio. Vou sambar de saia rodada na minha sala ouvindo "Falsa baiana", 'Escurinho/Escurinha", "Bolinha de papel", "Você está sumindo"... tudo daquele disco que eu adoro e que é só Geraldo Pereira na voz de Bebel Gilberto e Pedrinho Rodrigues. Mas hoje também é dia de um querido amigo, André Francioli, o bravo pirata do cinema brasileiro, diretor dos curtas "O Mundo Segundo Sílvio Luiz" e "Veja e Ouça – Maria Baderna no Brasil" e por isso mesmo acabei de ver "Aranhas Tropicais", seu mais novo filme. Alguns bons motivos para um belo brinde!
terça-feira, 21 de abril de 2009
SOBRE 7 PALAVRAS
num falso número de dramaticidade exagerada
improvisava sua sede de ser livre.
vivia em fuga, fugidia, fugitiva, dizia ela.
guardava o passado, museu de cera,
na velha caixa de sapatos coberta por fotos 3x4.
exibia tudo com orgulho,
escancarando sua cortina de dentes
emoldurada pelo batom vermelho.
sexta-feira, 17 de abril de 2009
ÁLBUM DE RETRATOS
Sim, eu tenho sonhos de consumo instantâneos. Hoje, na Moviola, espaço livraria/café/locadora muito bacana aqui na rua das Laranjeiras (que foi reformado e está bem charmoso), me deu vontade de entregar o cartão de crédito pro vendedor dizendo, vou levar TODOS! Trata-se da coleção "Album de retratos", lançada pelas editoras Folha Seca e Memória Visual. O projeto dos livros, idealizado por Moacyr Luz (um gênio!), e patrocinado pela Petrobrás, resultou em doze volumes agrupados em quatro temas. O primeiro deles Som, com números sobre Dona Ivone Lara, Jards Macalé e Turíbio Santos. E tem ainda o tema Imagem, com fotobiografias de Cacá
Diegues, Walter Firmo e Lan. A série Corpo vem com Ruth de Souza, Zezé Mota e Bete Mendes. E o último, Palavra, conta com textos e fotos sobre Ruy Castro, Ferreita Gullar e Villas-Boas Côrrea. Uma verdadeira tentação para quem admira estas personalidades e adora fotografia. Cada tema vem dentro de uma pequena caixa. Nelson Sargento falou sobre Cacá Diegues, João Pimentel sobre o Macalé, Cora Ronái escreveu sobre Walter Firmo, entre outros. Afora os textos, os livrinhos refletem uma uma preciosa pesquisa de imagem entre fotografias, documentos e escritos. Ainda não pude conferir como texto e imagem dialogam, mas ainda assim acho que vale a pena ter os livrinhos. São uma pequena contribuição para a memória visual brasileira! Mas acho que nem é um sonho de consumo instantâneo, eu quero sim a coleção inteira!!! Segue trecho escrito por Zélia Duncan sobre a entidade do samba, Dona Ivone Lara. Olha que coisa linda!Todos os que conhecem, desfrutam, respeitam e deleitam-se com a obra e a personalidade de Dona Ivone Lara, reconhecem a compositora musical e incrivelmente intuitiva, somada à cantora, dona de uma voz cujo timbre embala, conduz, convida o ouvinte e confirma o poder do samba e da Música Popular Brasileira. Seus famosos e cobiçados contra-cantos revelam nas canções as mais lindas melodias, que estavam ali sem que ninguém se desse conta. É a música dentro da música, a beleza no fundo da própria beleza. Seu timbre de mãe, de raiz, de olho d’água, faz parte do que há de mais sincero e fundamental na nossa cultura. Assim como os improvisos de Pixinguinha, a força de Clementina, a poesia de Cartola, as músicas de Caymmi, sem esforço, sem artimanhas, repousam na sua grandeza. Numa conversa extremamente agradável e descontraída, na casa do querido compositor Moacyr Luz, Dona Ivone revelou serenamente, que muitas vezes sonha com música, canta dormindo e acorda lembrando das melodias inteiras… achei isso tão revelador, tão poético, tão predestinado. É como se uma pessoa como ela, tivesse o direito de ser a preferida de alguém lá em cima. Vai ver que Morfeu em pessoa, cuida para que seu sono seja assim, embalado por melodias, harmonias, contracantos, que só Dona Ivone vai saber reproduzir quando acordar! Então ela acorda, munida das mais belas canções… e nos faz sonhar! Dona Ivone é um sonho meu, um sonho seu, nosso melhor sonho, pois ela é real!
domingo, 12 de abril de 2009
FLA x FLU
sábado, 11 de abril de 2009
DESCENTRAMENTO
soco no espelho
não sei
se sou
soco
. . .........ou
espelho
pedaços
partes
pecados
picados
pelo chão
ele enquadra
memórias
. .......... .eu
solidão
terça-feira, 7 de abril de 2009
ALL THE CATS JOIN IT
domingo, 5 de abril de 2009
sexta-feira, 3 de abril de 2009
ABRIL
E redesenhar minhas escolhas
Logo eu que queria mudar tudo
Me vejo cumprindo ciclos, gostar mais de hoje
E gostar disso
Me vejo com seus olhos, tempo
Espero pelas novas folhas
Imagino jeitos novos para as mesmas coisas
Logo eu que queria ficar
Pra ver encorparem os caules
Lá vou eu, eu queria ficar
Pra me ver mais tarde,
Sabendo o que sabem os velhos
Pra ver o tempo e seu lento ácido dissolver o que é concreto
E vejo o tempo em seu claro escuro
Vejo o tempo em seu movimento
Me marcar a pele fundo, me impelindo, me fazendo
Logo eu que fazia girar o mundo,
Logo eu, quem diria, esperar pelos frutos
Conheço o tempo em seus disfarces, em seus círculos de horas
Se arrastando feito meses se o meu amor demora
E vejo bem tudo recomeçar todas as vezes
E vejo o tempo apodrecer e brotar
E seguir sendo sempre ele
Me vejo o tempo todo começar de novo
E ser e ter tudo pela frente
Adriana Calcanhoto
quarta-feira, 1 de abril de 2009
ARAQUÉM ALCÂNTARA

Araqúem Alcantâra se auto intitula colecionador de mundos. Diga-se de passagem que mundos aí significa o Brasil, Brasis, melhor dizendo, no plural. Seu trabalho está complementamente voltado para a natureza, a fauna e a flora, as paisagens, o povo da floresta, os brasileiros. Catarinense de nascimento, Araquém é um pesquisador incansável, um fotógrafo militante e aventureiro. Suas cores são as cores do Brasil e nos surpreendem a cada imagem, mesmo quando nos revela esse mundo em preto e branco. Vale a pena (re)conhecer o Brasil através de olhar tão privilegiado.














