terça-feira, 30 de junho de 2009

segunda-feira, 29 de junho de 2009

TIME OUT

Luis Orlando Carneiro não deixa escapar nada. Em sua pílula jazzistíca semanal no Caderno 2 do JB lembrou os 50 anos de "Time Out", álbum fundamental do quarteto quebra tudo de Dave Brubeck, pianista dos maiores que ainda está na ativa. Apesar de muita gente considerar 'menor' a galerinha do jazz west coast, eu digo, em bom tom, que adoro! Do trompete de Chet Baker ao sax de Paul Desmond. E como não vou ficar aqui repetindo palavras, ouçam "Take Five" e leiam a coluna de Carneiro. Vale a pena! A capa do disco acima é de Neil Fujita.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

KING OF POP

Assistindo ontem a um documentário na Globo News sobre a morte inesperada do Rei do Pop, minha filha, indignada com o meu monópolio da TV (ela tinha acabado de ganhar o aparelho!), me pergunta, quando a imagem mostra Michael, há poucos anos, cantando num show espetacular no Japão: "É esse o Michael Jackson, mãe?". E eu respondo: "É, Clarice". Na sequência, a imagem muda, vem Thriller, e mais uma vez a pergunta:"É esse o Michael Jackson, mãe?". E eu respondo: "Sim, Clarice, é esse!". Por fim surge na tela aquela carinha de anjo black power dos Jackson 5. "Quem é esse, mãe?" - pergunta ela. E eu respondo: "Michael Jackson, Clarice!!!!". E ela não se contém: "Caramba, mãe, mas quantos Michael Jackson são?".

Difícil explicar para uma criança a radical mudança na feição de uma ídolo tão querido por milhões de pessoas. E a mim não interessa a cara que ele escolheu ter. O que realmente importa é que ele me fez dançar. Primeiro juntinho, de rosto colado, nas domingueiras dançantes promovidas pelas turminhas de escola ao som de I'll be there e outras baladas dos Jackson 5. Sim, só me lembro das baladas, coração na boca, rosto suando, respiração quente.... Depois, quando eu completava exatos 13 anos, veio Thriller!!!! E dancei, imitando Michael Jackson, na garagem de casa, na garagem dos vizinhos, na garagem das minhas tias em Goiânia, onde passei as férias daquele ano e em quase todas as festas que fui e que acabam em dança. Michael Jackson é um clássico, isso não se discute!! Dancei muito, gel molhado no cabelo, ombreiras e tudo o que a moda pedia. Ah, os anos 80!!! Eternos anos 80!!

quarta-feira, 24 de junho de 2009

terça-feira, 23 de junho de 2009

sexta-feira, 19 de junho de 2009

DIANNE REEVES

Dizem que Dianne Reeves é uma das maiores cantoras de jazz da atualidade, herdeira de Ella e Sarah. Pra mim ela é muito mais, pra mim é a maior cantora que já vi cantar. E foi na noite fria de ontem no Vivo Rio que, ao ouví-la, me lembrei não só de Ella ou Sarah, mas o show, sua voz e sua maneira de cantar me lembraram ainda Bobby Mcferrin, Elis Regina e Clementina de Jesus. Sonoridades e mais sonoridades. Com um time impecável de músicos, entre eles Romero Lubambo que eu também nunca tinha visto tocar ao vivo, o show foi sensacional! Memorável para os reles mortais como eu e o querido Maldonado, que me convidou para esse delírio de sons!! Ela é super simpática, recebeu quem quis vê-la, autografou os discos, sorriu e pousou pras fotos!!! Uma lady!

quinta-feira, 18 de junho de 2009

BROMELIÁRIO

exótico e colorido.
folha, flor e fruto!

domingo, 14 de junho de 2009

CECÍLIA


Me escutas, Cecília?
Mas eu te chamava em silêncio
Na tua presença
Palavras são brutas

chico buarque

domingo, 7 de junho de 2009

SE TUDO PODE ACONTECER



Lindo, lírico, poético! Puro deleite!
Arnaldo Antunes, Alice Ruiz, Paulo Tatit, João Bandeira.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

segunda-feira, 25 de maio de 2009

BUDAPESTE

“Budapeste” é uma história de amor pela palavra, pela cidade e também de um homem por uma mulher. Li o livro em duas noites seguidas, na época do lançamento. É um livro denso, forte e me envolveu totalmente. O filme não conta com a mesma força, o grande problema das adaptações... Em suas páginas, Chico Buarque explora várias relações binárias, duplas e espelhadas entre Costa e suas mulheres (Vanda e Kriska), a relação de identidade do homem com as cidades, Budapeste e Rio de Janeiro e o amor pelas línguas: o português e o húngaro (a cena no telefone público - vermelho e de ficha!! - traduz isso quando Costa grava suas palavras em uma secretária eletrônica a saudade de falar 'saudade', 'pão de açúcar', 'Guanabara', 'maracanã', 'marimbondo', 'adstringência'). E entendo essas relações como uma contraposição entre o que é essencial e o que é aparente, o que fica absolutamente evidente na relação entre Costa e Vanda. Ele não aparece, é um ghost writer, vive pela palavra, na busca por suas histórias encomendadas, ela é o que se vê na TV, uma fachada, nada mais. Um aparência, o outro essência. Budapeste, no filme, é amarela sépia em uma fotografia que poderia acrescentar de verdade. Essa afirmação pode soar gratuita, mas é assim que vejo, nenhuma surpresa, nenhum grande choque, apenas algumas pequenas variações sobre o olhar de Lula Carvalho que já deixou sua marca em "Feliz Natal". É bom lembrar que a direção é do grande Walter Carvalho, “fotógrafo que dirige”, como ele próprio se define, mas a produção e roteiro de Rita Buzzar (de "Olga", filme que não gosto). Admirei muito, no entanto, a cena em que Kriska e Costa se conhecem (foi o primeiro encontro dos dois atores também). Gosto ainda da cena absolutamente autoral da estátua esquartejada de Lênin a navegar pelo rio Danúbio e confesso que não fica muito claro para quem vê o filme o fato da história acontecer ao mesmo tempo em que é narrada, em que é escrita. Afora isso achei completamente desnecessária aquela “feijoada completa” e sua tradução para o húngaro à beira mar (lembrando Noel Rosa: “o samba não tem tradução”), sem falar que é ridículo traduzir uca, torresmo e etc, a mim soou fake, cartão postal barato da cidade. Detesto Giovana Antonneli e Paola Oliveira e por falar nisso, os nus do filme, apesar de serem lindos, excedem, aquela pitada a mais que muda o sabor. E achei bem bacana o filme ser falado em húngaro, com legendas em português, e não em inglês, como geralmente acontece, finalmente um grande acerto para o cinema nacional!!


Walter Carvalho é diretor de fotografia de "Lavoura Arcaica" e "Cleópatra", entre outros; co-dirigiu "Cazuza - O Tempo Não Para", com Sandra Werneck e "Janela da Alma", com João Jardim, dirigiu ainda o documentário "Moacir, Arte Bruta".

quinta-feira, 14 de maio de 2009

"A memória É uma ILHA de edição". Essa frase de Wally Salomão ecoa na taça da minha cabeça. É maio, e maio é assim, me invade. Ouço muito "Zona de fronteira", pois me sinto numa, e exponho a capa colorida do disco do trio Wally/Bosco/Cícero, 1999. Chico Buarque também não pára, e ele sorri na capa do disco, dentro de um retrato em branco e preto. Talvez esse seja o meu disco preferido do Chico, 1989. Lembro também da capa daquele disco da Bethânia que ouvi mil vezes ao lado da minha mãe "MEL", e tava ali o Wally, 1979. Macalé também me visita, no começo da noite, junto com um cigarro e uma taça de vinho, apesar do dia quente de hoje. O disco? Real grandeza, parcerias com Wally Salomão. Também aprecio nestes dias de maio a sombra, a luz da tarde e o sol morno, alternadamente. Provocações de sensações sub-reptícias. Tudo em pequenas doses diárias, como uma homeopatia.E penso que eu gostaria de ter um lixo escondido, um armário de sensações com infinitas gavetas e cabides para pendurar e dobrar imagens, desejos, buscas... ou um recepiente que trouxesse estampado o símbolo de "reciclável" na tampa. Se eu fosse o poeta diria "Não fico parado, não fico calado, não fico quieto. Corro, choro, converso e tudo mais jogo num verso intitulado MAL SECRETO."

domingo, 10 de maio de 2009

DIA DAS MÃES

Acordamos tarde. Tomamos café da manhã juntas, na mesa, como poucas vezes ela faz, pois quase sempre quer comer na frente da televisão, o que eu detesto, por isso cortei a TV a cabo. Agora, na TV, só DVD, escolhidos por mim. Depois dançamos, tomamos banho, nos vestimos e passamos o mesmo perfume. Preparei o almoço. Saimos para ir ao mercado comprar papel alumínio e queijo parmesão. Ela levou a boneca japonesa e no meio do caminho queria que eu carregasse, como sempre faz. Eu disse que não iria carregar a boneca, pois cada um deve carregar as suas coisas. Ela chorou e gritou no meio da rua. Esperei, pacientemente, o showzinho terminar e continuamos o trajeto. Cada uma de nós, então, pegamos em um braço da boneca e fomos assim, caminhando de mãos dadas, as três. Ao telefone falei com as avós e com meu pai. Almoçamos, eu e ela, e nos preparamos para um passeio por Laranjeiras, tomamos sorvete e depois fomos ao Oi Futuro. Lemos, ouvimos música e vimos uma exposição de fotografias. Encontramos com a Juju e sua família. Compramos flores, viemos pra casa, recebemos uma visita boa. Depois fomos comprar o maravilhoso pão de queijo da padaria que abriu ao lado de casa. Voltamos pra casa, assistimos um DVD, jantamos e nos preparamos para dormir... Um dia como outro qualquer, com a tarefa cotidiana de 'educar', impor limites, buscar coisas boas para serem compartilhadas, vividas, lembradas.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

MAIO MAIO MAIO

É maio
Feito bóia ébria boiarei
Maio
Filmes rápidos plágios sonharei
E dispenso até a esperança
Contente com a epiderme de um lugar
Que a brisa deste mês beija e balança
É maio
Maio maio maio maio é
Maio
Sonho sonho sonho sonharei
Nenhum monstro em maio me assusta
E até o tempo o devorador
Já sabe que sou em quem o degusta
Maio
E me
Deito
No chão
Céu água-marinha sobre mim
Sem nem
Lembrar
Quem foi que no verão cruel
Veio passo a passo
E seqüestrou meu coração
Mas não levou o céu
Que avisto aqui do chão

Waly Salomão/João Bosco/Antônio Cícero

domingo, 3 de maio de 2009

E AGORA?

final de semana de balanço.
noites com 12 horas de sono.
descanso merecido pós pós.
fiquei nervosa, como nem eu previa, na defesa do mestrado, mas deu tudo certo.
fui aprovada com louvor, altos elogios e indicação do texto para publicação.
o que significa outro trabalho.
mas o incrível é que não sinto alívio.
sim, uma etapa passou, não devo nada a ninguém.
mas devo a mim mesma,
cobrança maior que existe.
sei que quero continuar estudando fotografia, pesquisando, lendo muito, vendo tudo, quero dar aulas, doutorado, pós-doc, o que vier por aí eu topo.
fico pensando nessa minha trajetória cheia de voltas
uberlândia, são paulo, rio de janeiro.
história, filosofia, memória social.
o que significa isso? eu, é claro!
mas não me pergunte pra onde vou!
por isso a falta de alívio.
caminante no hay camino, se hace camino al andar...
então vou por aí...
vou sair e comprar os jornais, desfrutar do sol morno dessa linda manhã de domingo,
não penso que há outra coisa para ser feita agora!

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Viver é afinar o instrumento
De dentro prá fora
De fora prá dentro
A toda hora, todo momento
De dentro prá fora
De fora prá dentro
A toda hora, todo momento
De dentro prá fora
De fora prá dentro

Walter Franco

terça-feira, 28 de abril de 2009

o melhor termômetro para se medir a importância de uma relação nas nossas vidas é o grau de transformação que ela é capaz de causar dentro da gente. se podemos perceber as mínimas nuances na mudança dos modos de se olhar, se somos capazes de medir a leveza e a densidade na dramaticidade dos mínimos gestos e toques, se somos capazes de olhar no espelho e sorrir,
podemos ter a certeza de que não somos mais os mesmos.

(porque a gente é meio borboleta, depende do que nos envolve pra gente se transformar ...).

quinta-feira, 23 de abril de 2009

23 DE ABRIL


Hoje é um dia especial pra mim. Porque hoje é dia de São Jorge vou presentear alguns dos meus amigos mais próximos com um pequeno vaso com uma espada de são jorge plantada por mim. O vaso vai com os votos de proteção e coragem. Porque hoje é dia de São Jorge, de Capadócia, do Rio de Janeiro, vou me vestir de vermelho e branco, as cores de Xangô. Mas porque hoje também é dia de São Pixinguinha, um dos maiores músicos que esse Brasil já teve, acordei ouvindo Choro e quero passar por todos os discos que tenho do velho Pizindim para comemorar esse que é o Dia Nacional do Choro. Vou ouvir "Rosa", "Carinhoso", "Lamentos", "Samba de fato", "1 x 0", "Naquele tempo" entre outras músicas também memoráveis. E se hoje é 23 de abril, é também dia de Geraldo Pereira, o rei do sincopado, um dos sambistas que mais aprecio. Vou sambar de saia rodada na minha sala ouvindo "Falsa baiana", 'Escurinho/Escurinha", "Bolinha de papel", "Você está sumindo"... tudo daquele disco que eu adoro e que é só Geraldo Pereira na voz de Bebel Gilberto e Pedrinho Rodrigues. Mas hoje também é dia de um querido amigo, André Francioli, o bravo pirata do cinema brasileiro, diretor dos curtas "O Mundo Segundo Sílvio Luiz" e "Veja e Ouça – Maria Baderna no Brasil" e por isso mesmo acabei de ver "Aranhas Tropicais", seu mais novo filme. Alguns bons motivos para um belo brinde!

terça-feira, 21 de abril de 2009

SOBRE 7 PALAVRAS


num falso número de dramaticidade exagerada

improvisava sua sede de ser livre.

vivia em fuga, fugidia, fugitiva, dizia ela.

guardava o passado, museu de cera,

na velha caixa de sapatos coberta por fotos 3x4.

exibia tudo com orgulho,

escancarando sua cortina de dentes

emoldurada pelo batom vermelho.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

ÁLBUM DE RETRATOS

Sim, eu tenho sonhos de consumo instantâneos. Hoje, na Moviola, espaço livraria/café/locadora muito bacana aqui na rua das Laranjeiras (que foi reformado e está bem charmoso), me deu vontade de entregar o cartão de crédito pro vendedor dizendo, vou levar TODOS! Trata-se da coleção "Album de retratos", lançada pelas editoras Folha Seca e Memória Visual. O projeto dos livros, idealizado por Moacyr Luz (um gênio!), e patrocinado pela Petrobrás, resultou em doze volumes agrupados em quatro temas. O primeiro deles Som, com números sobre Dona Ivone Lara, Jards Macalé e Turíbio Santos. E tem ainda o tema Imagem, com fotobiografias de Cacá Diegues, Walter Firmo e Lan. A série Corpo vem com Ruth de Souza, Zezé Mota e Bete Mendes. E o último, Palavra, conta com textos e fotos sobre Ruy Castro, Ferreita Gullar e Villas-Boas Côrrea. Uma verdadeira tentação para quem admira estas personalidades e adora fotografia. Cada tema vem dentro de uma pequena caixa. Nelson Sargento falou sobre Cacá Diegues, João Pimentel sobre o Macalé, Cora Ronái escreveu sobre Walter Firmo, entre outros. Afora os textos, os livrinhos refletem uma uma preciosa pesquisa de imagem entre fotografias, documentos e escritos. Ainda não pude conferir como texto e imagem dialogam, mas ainda assim acho que vale a pena ter os livrinhos. São uma pequena contribuição para a memória visual brasileira! Mas acho que nem é um sonho de consumo instantâneo, eu quero sim a coleção inteira!!! Segue trecho escrito por Zélia Duncan sobre a entidade do samba, Dona Ivone Lara. Olha que coisa linda!

Todos os que conhecem, desfrutam, respeitam e deleitam-se com a obra e a personalidade de Dona Ivone Lara, reconhecem a compositora musical e incrivelmente intuitiva, somada à cantora, dona de uma voz cujo timbre embala, conduz, convida o ouvinte e confirma o poder do samba e da Música Popular Brasileira. Seus famosos e cobiçados contra-cantos revelam nas canções as mais lindas melodias, que estavam ali sem que ninguém se desse conta. É a música dentro da música, a beleza no fundo da própria beleza. Seu timbre de mãe, de raiz, de olho d’água, faz parte do que há de mais sincero e fundamental na nossa cultura. Assim como os improvisos de Pixinguinha, a força de Clementina, a poesia de Cartola, as músicas de Caymmi, sem esforço, sem artimanhas, repousam na sua grandeza. Numa conversa extremamente agradável e descontraída, na casa do querido compositor Moacyr Luz, Dona Ivone revelou serenamente, que muitas vezes sonha com música, canta dormindo e acorda lembrando das melodias inteiras… achei isso tão revelador, tão poético, tão predestinado. É como se uma pessoa como ela, tivesse o direito de ser a preferida de alguém lá em cima. Vai ver que Morfeu em pessoa, cuida para que seu sono seja assim, embalado por melodias, harmonias, contracantos, que só Dona Ivone vai saber reproduzir quando acordar! Então ela acorda, munida das mais belas canções… e nos faz sonhar! Dona Ivone é um sonho meu, um sonho seu, nosso melhor sonho, pois ela é real!

domingo, 12 de abril de 2009

FLA x FLU

Já declarei publicamente, e mais de uma vez, que se torço para algum time de futebol é pro FLA x FLU. Sim, sou Fla x Flu desde criancinha, por que o início do mundo não é o Big Bang, mas um Fla x Flu. E não é só por conta das crônicas do Nelson Rodrigues, que só vim a conhecer tardiamente, que torço pelo clássico carioca. Meu pai é tricolor e meu tio, irmão dele, que morava ao lado da nossa casa, é rubro-negro. Sendo assim, minha infância foi recheada de Fla x Flus emocionantes. A velha Telefunken de tela gigante ficava rodeada de olhos atentos, pratos de macarronada, gritos e cerveja. Era praticamente um dia de festa. Agora, sempre fui mais simpatizante do time das Laranjeiras, não posso negar. Hoje sou moradora do bairro, fã de Cartola, Nelson Rodrigues e Chico Buarque, tricolores com orgulho. E, por incrível que pareça, todos os homens com os quais eu me envolvi (apreciadores de futebol, é claro!) são flamenguitas! Então digo, o Fla x Flu me persegue! A única vez que fui ver um jogo no Maracanã foi para assistir Flamengo e Fluminense, e o jogo ficou no empate, 1 x 1!! E hoje, dia do clássico dos clássicos do futebol carioca, me pego no maior ato falho visual de minha vida! Caminhando pelas ruas em direção a banca de jornal fui acumulando sorrisos e olhares nada comuns. Até receber um elogio verbal: "Que cores lindas, menina!" Vejam só, sai na rua vestida de camiseta vermelha, estampada de preto e branco (desenho da capa do disco do saxofonista Peter Brötzmann, criada pelas mãos da Clarice e da Lud) e de saia preta! Meu Deus, fiquei pensando, e agora? "Uma vez Flamengo, sempre Flamengo"?

sábado, 11 de abril de 2009

DESCENTRAMENTO

.
soco no espelho
não sei
se sou

soco
. . .........ou
espelho

pedaços
partes
pecados
picados
pelo chão

ele enquadra
memórias
. .......... .eu
solidão

É PÁSCOA!

terça-feira, 7 de abril de 2009

ALL THE CATS JOIN IT

Delicioso desenho animado da Disney ao som da orquestra de Benny Goodman. Dá-lhe swing!

domingo, 5 de abril de 2009

BEN HARPER



Ben Harper e suas referências, reverências...

sexta-feira, 3 de abril de 2009

ABRIL

Sinto o abraço do tempo apertar
E redesenhar minhas escolhas
Logo eu que queria mudar tudo
Me vejo cumprindo ciclos, gostar mais de hoje
E gostar disso
Me vejo com seus olhos, tempo
Espero pelas novas folhas
Imagino jeitos novos para as mesmas coisas
Logo eu que queria ficar
Pra ver encorparem os caules
Lá vou eu, eu queria ficar
Pra me ver mais tarde,
Sabendo o que sabem os velhos
Pra ver o tempo e seu lento ácido dissolver o que é concreto
E vejo o tempo em seu claro escuro
Vejo o tempo em seu movimento
Me marcar a pele fundo, me impelindo, me fazendo
Logo eu que fazia girar o mundo,
Logo eu, quem diria, esperar pelos frutos
Conheço o tempo em seus disfarces, em seus círculos de horas
Se arrastando feito meses se o meu amor demora
E vejo bem tudo recomeçar todas as vezes
E vejo o tempo apodrecer e brotar
E seguir sendo sempre ele
Me vejo o tempo todo começar de novo
E ser e ter tudo pela frente

Adriana Calcanhoto

quarta-feira, 1 de abril de 2009

ARAQUÉM ALCÂNTARA

Araqúem Alcantâra se auto intitula colecionador de mundos. Diga-se de passagem que mundos aí significa o Brasil, Brasis, melhor dizendo, no plural. Seu trabalho está complementamente voltado para a natureza, a fauna e a flora, as paisagens, o povo da floresta, os brasileiros. Catarinense de nascimento, Araquém é um pesquisador incansável, um fotógrafo militante e aventureiro. Suas cores são as cores do Brasil e nos surpreendem a cada imagem, mesmo quando nos revela esse mundo em preto e branco. Vale a pena (re)conhecer o Brasil através de olhar tão privilegiado.

terça-feira, 31 de março de 2009

ACERVO DIGITAL VEJA

A revista Veja fez aniversário e pra comemorar disponibilizou na internet todo o seu conteúdo de 40 anos de história. Tudo bem, a Veja precisa de um rigoroso exame crítico pra ser consultada, todos nós sabemos disso, mas não deixa de ser uma ferramenta incrível de pesquisa e até mesmo de diversão. Trata-se de uma importante contribuição para a memória brasileira. Quem nunca leu uma entrevista das páginas amarelas? Quem nunca comprou uma revista Veja? Eu guardo com cuidado e carinho os três (acho que são três mesmo!) números em que Elis Regina saiu na capa! Adorei abrir o número de 30 de março de 1988, exatamente 20 anos atrás, e dar umas risadas. Só pra ficar nas propagandas: video cassete era o G21 (lá em casa tinha um!), tênis Nike, sapatos Samello, moto Agrale, roupa era da Forum, Sr. N da Natura para toilete masculina e a boa páscoa era com a Garoto e a Lacta. E todas as propagandas tinham textos enormes! Ah, o velho Sarney era a capa! Aff!! Infelizmente muita coisa continua igual!! Veja aqui! Acima, a primeira capa, 1968!

sábado, 28 de março de 2009

SÃO CHICO DE ASSIS

Eu adoro Chico Buarque. Ouvi todos os discos (ou quase todos), li todos os livros, até aquela novela pecuária que ele desqualifica, vi todas as adaptações para o cinema de seus textos, fui aos shows que pude, tirei fotos e tal... Por ocasião do lançamento de seu novo livro Leite derramado, o caderno Ideias&Livros do JB de hoje o compara a Machado de Assis, em suas Memórias Póstumas e a foto que ilustra a capa é metade do rosto de cada um recortado por uma faixa de palavras, intersecção. Em reportagem da revista Época, os colunistas acham difícil não remeter Leite derramado a Dom Casmurro, mais uma vez, Machado de Assis. A crítica literária Leyla Perrone-Moisés, que assina a orelha do livro, compara o texto aos escritos de Proust. Agora, não seriam um pouco exageradas estas comparações? Ok, Chico Buarque de Holanda é nobre, todos nós sabemos, e é uma unanimidade, contrariando a famosa frase do não menos genial Nelson Rodrigues. É certo que Leite derramado chega nas prateleiras das livrarias com ares de cult e tiragem de 70 mil exemplares. E eu, que sempre gosto de acompanhar o trabalho de Chico, espero ter o livro logo, logo em minhas mãos, não só por se tratar do 'novo livro do Chico', mas também pelo aguçamento das comparações tão ricas e pelo apelo que o tema da memória causa em mim. Espero com sede, portanto, para lamber cada gota desse Leite derramado. Quero encontrar Chico Buarque de Holanda, ele mesmo, e juro que vou tentar esquecer o paralelo com Machado e Proust. A imagem que abre o post é da revista Época e é recente, as outras duas sairam no referido caderno do JB. E agora eu digo, qual a cor dos olhos desse homem?

quinta-feira, 26 de março de 2009

CADERNO DA PUCCA, DIÁRIO DE CLARICE

minha filha tem seis anos. completos. na festa de aniversário da escola ganhou um desses caderninhos com pequenos corações nas bordas das páginas, capa dura. o caderno é da pucca, sucesso entre as menininhas de sua idade. e pra minha surpresa disse que o caderninho era, de agora em diante, seu diário. sim, diário!! e escreveu assim:
FELISIDADE
ganhei esse diario dia 06/03/2009
usei ese diario dia 24/03/2009.
confesso que fiquei emocionada! achei linda essa descoberta dela, adorei saber que ela compartilhou comigo essas primeiras frases e achei linda a primeira palavra gravada. fiquei pensando no "meu querido diário" que eu tinha por votla dos 15 anos e que tinha chave e cadeado e pensei também nas palavras tão longínquas que eu ali rabisquei... lembrei de como é íntima a relação com um diário, quase impossível de ser compartilhada com alguém. minha filha já ensaia sua subjetividade e sua individualidade, mesmo sem ter a mínima idéia do significado disso tudo...

domingo, 22 de março de 2009

ela pinta a palma da mão!

sexta-feira, 20 de março de 2009

NO CÉU

é melhor cair das nuvens
do que do
terceiro andar!

do velho e bom Machado de Assis

segunda-feira, 16 de março de 2009

BRASÍLIA, POR MARCEL GAUTHEROT

Marcel Gautherot foi um fotógrafo francês, o mais brasileiro deles. Aportou em terras brasileiras na década de 40. Viajou o Brasil inteiro, proclamando que vida de fotógrafo é, antes de tudo, a vida de um viajante. Sua coleção fotográfica, a maioria a preto e branco, é um dos mais importantes textos visuais sobre o Brasil entre as décadas de 40 e 60, período de maior atividade do fotógrafo. De fotografia ele sabia tudo e fazia muito mais do que simplesmente documentar, criou uma linguagem, uma autoria, uma assinatura própria que faz de suas imagens uma verdadeira arte. Gautherot foi grande parceiro de Niemeyer, e hoje é impossível falar de arquitetura moderna brasileira sem recorrer às suas imagens. Esse casamento feliz entre fotografia e arquitetura pode ser comparado com a relação, também profícua, entre Le Courbusier e Lucien Hervé, outros dois grandes mestres. A parceria entre Niemeyer e Gautherot gerou um dos mais preciosos registros sobre a construção de Brasília . Gautherot, como num making off, registrou a construção da futura capital em mais de 3.000 imagens, hoje conservadas e mantidas pela reserva técnica fotográfica do Instituto Moreira Salles. Uma pequena fatia dessa coleção foi eleita por mim para ser o tema da minha dissertação de mestrado em Memória Social pela Unirio. Seguem, para o deleite de nossos olhos, algumas das belas imagens registradas por Gautherot na luz intensa do Planalto Central do Brasil.



Acervo: Coleção Marcel Gautherot/Instituto Moreira Salles.

Defendi a minha dissertação de mestrado pela UNIRIO "a memória da construção e a construção de memórias: Brasília sob o olhar  de Marcel Gautherot" em abril de 2009. A dissertação foi indicada para publicação, espero ter o livro em mãos brevemente!

sábado, 14 de março de 2009

OS EXCESSOS DE SEXTA-FEIRA

nãoressaca que resista a um bom banho de mar!

sexta-feira, 13 de março de 2009

ÁGUAS DE MARÇO


Depois do toró que caiu agora no Rio de Janeiro o que nos resta é cantar. Confesso que estava há dias esperando uma chuva forte assim. Gosto de ver, ouvir e contemplar a força da natureza. O verão chega ao fim daqui a pouco, o calor certamente continuará por longos dias... Quando eu era menina lá nas Minas Gerais todo mundo ficava ansioso com a chegada do dia 19 de março, dia de São José, famoso pelas chuvas que traz. Não me lembro de um dia desses que não tenho chovido muito. Mas hoje o tempo anda estranho e pode até ser que não chova nesse dia. De qualquer forma fica aqui a voz e o sorriso da maravilhosa Elis. Saúdo as águas de março e aguardo o outono, a minha estação!

HOJE É SEXTA-FEIRA 13


inspirada nos coloridos de cris kenne deixo aqui registrada essa estampa incrível do vestidinho que a jojo deixou pra mim depois de sua estada aqui em casa. a joana é uma figura ímpar e super colorida, tanto nas roupas quanto nos gestos. fez um mestrado sobre as roupas de lina bo herdadas pelo teatro oficina. um luxo! o vestido é lindo e essa estampa poderia muito bem ilustrar com propriedade o colorido dos animais psicodélicos do meu sonho de hoje.

THE BOOK OF DREAMS

sonhei que estava num plano absurdamente gigante, quase infinito. via um avião ou nave bem ao longe, no céu, com uma longuísima corda com uma jaula na ponta. pousaram delicadamente a gigantesca gaiola no chão, bem perto de mim. a gaiola continha um animal estranho, misto de pavão e fênix, colorido entre o azul e o amarelo. monstruoso no tamanho, mas raro na beleza. fazia barulhos incríveis. depois que a nave foi embora, o bicho correu no seu relincho, fazendo a poeira levantar, corria muito, experimentando sua liberdade, e alçou voo, um voo de fogo, sumindo aos poucos, devagar no céu. depois apareceu um elefante, que também voava, tinha asas de verdade e não orelhas gigantes. vestia uma roupa colorida, com muitos tons em vermelho e dourado. suas formas arredondadas eram delicadas e eu não tive medo algum. ele pousou no plano e correu. fiquei ali estatelada no plano, observando tudo. paisagem alguma existia, era o vazio, o silêncio, só alterados pela presença desses animais pitorescos. eu sabia que estava acima do chão, pois tinha certeza que, caso eu precisasse, poderia pular na terra, não sem perigo algum... e ali deitada no plano compreendi que tudo se passava como se fosse um filme projetado nas nuvens, no céu. as imagens desse sonho voltaram agora, num único jorro, na minha mente, do começo ao fim, marcando uma experiência sensorial incrível, excitante, surreal e fantasmagórica!.

quarta-feira, 11 de março de 2009

MÁRIO QUINTANA

silenciosamente
sem nenhum cacarejo
a noite põe
o ovo da lua

terça-feira, 10 de março de 2009

segunda-feira, 9 de março de 2009

MIO E MAO

Fiquei, durante anos de minha vida, tentando rever essa animação de massinha que passava no Globinho. Acho que era início dos anos 80, quem apresentava era a Paula Saldanha, com aqueles cabelos lindos. Passava antes do Sítio do Picapau Amarelo, se não me engano. Lembro-me que saia correndo da escola pra conseguir ver Globinho e o Sítio na Telefunken lá de casa. Meus primos e eventuais vizinhos enchiam a sala, pois muitos ainda nem tinham televisão colorida, e a velha Telefunken de tela gigante simplesmente arrasava!!Lembro também da família Barbapapa, dos patinhos de origami Quack Quack e de um desenho de linha de giz numa lousa azul. Eita memória!!! E dá-lhe youtube para revisitar a infância!!

É ISSO AÍ

"não gosta de goiaba, nem de pepino, nem de lentilha.
acha chet baker um chato.
dispensa doces e chocolates,
mas adoça o café até ficar insuportável.
não bebe certas cervejas, não gosta de uisque.
só come frutas da feira,
mas detona o hot-dog da esquina, completo!
só elogia o que "é do caralho"!
usa boné!!
se acha!
dorme comigo, mas reclama da cama.
e volta, sorrindo...
mas eu gosto, porque é leve, natural, sincero.
pode?"

terça-feira, 3 de março de 2009

03/03

agora a minha vontade é de sair caminhando pela areia de uma praia deserta, à luz de um luar que ilumina até a palma da mão. e de alguma maneira faço isso agora, sozinha na luz fria dessa tela lcd do computador. minha filha dorme lindamente ao lado, depois de ter se deliciado com um crepe de chocolate da creperia 'le blé noir', um lugar super charmoso em copacabana, onde celebramos a vida de minha amiga cibele, uma artista de extrema delicadeza e sensibilidade. a vida, não, as vidas, pois agora ela carrega mais uma na barriga. penso na minha falta de concentração e busco entender os motivos que me desnorteiam, são muitas as pre-ocupações da minha cabeça, são muitas as mudanças com ou sem perspectivas, são muitos os futuros caminhos. o pilequinho de gato negro aquece mais ainda a noite quente, o meu prédio não tem luz, blecaute total, e nem ventilador gira. tudo escuro e eu aqui, tentando terminar com estas palavras. daqui a trinta dias faço 38 anos! penso em muitas coisas, algumas nostágicas, outras nem tanto. penso no calor e nos prédios lacrimejantes do verão carioca, penso nas tarefas do meu dia de amanhã, penso numa ducha fria! e espero, com ansiedade, a lua cheia!

segunda-feira, 2 de março de 2009

DON HUNSTEIN E KIND OF BLUE

Dois de março e 22 de abril de 1959. Nestes dois dias foram gravadas as duas sessões do antológico, mitológico e indispensável disco Kind of Blue de Miles Davis e sua turma (o sexteto composto por John Coltrane - sax tenor, Cannonball Adderley - sax alto, Bill Evans - piano, Paul Chambers - baixo, Jimmy Cobb - bateria (que virá ao Brasil em maio) e, substituindo Evans em uma faixa, Wynton Kelly, além do próprio Miles no trompete).
Don Hunstein foi o fotógrafo que registrou em preto e branco a gravação daquele que é considerado por muitos um dos melhores discos de todos os tempos. Eu adoro esse tríptico com os retratos de Miles em uma viagem de profunda concentração.
Ashley Kahn para escrever o livro Kind of Blue – A História da Obra-prima de Miles Davis baseou-se, principalmente, nos depoimentos de Hunstein, do baterista Jimmy Cobb e do técnico de som da antiga Columbia. Além, é claro, de ter escutado na íntegra todos os sagrados takes daqueles dois dias.
Hunstein fotografou o universo musical de seu tempo. Frequentador assíduo da Columbia Records retratou personalidades como Bob Dylan, Duke Ellington, Billie Holiday, Charles Mingus, entre outros e assinou dezenas de capas de discos.
Hoje, exatamente 50 anos depois da primeira sessão das gravações, as imagens de Hunstein e os takes de Kind of Blue nos fazem ter a breve ilusão de que o tempo não envelhece.

Leia mais sobre Hunstein no ipsis litteris e também no rockarchive.com. Aliás o rockarchive é um site muito legal para quem gosta de música e fotografia.