segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

PIN-OKIA

Como eu havia prometido, aí estão as fotografias que fiz na PIN-OKIA, minha câmera pinhole de filme 35 mm ASA 100. Gostei do resultado, principalmente por se tratar de uma primeira experiência. As imagens ficaram muito esverdeadas, dei uma corrigida básica no photoshop adicionando um pouco de magenta, pero... Confesso que fiquei tentada em comprar o super colorido Reala, da Fuji, pra fazer novos experimentos. Acho que o lance das cores é fundamental aqui. Diferente da experiência com a câmera de lata e com papel p&b, pois são processos distintos. Com o negativo de 35 mm tenho uma maior rapidez na exposição e a latitude do filme ajuda no resultado. No papel a possibilidade de erro é bem maior. Esse filme foi "batido" numa tarde, com exposição em torno de 4 segundos no sol, 7 segundos na sombra e cerca de 12 segundos no interior.

supermercado zona sul

escadaria do arte sesc - flamengo

instituto bennet - do chão

instituto bennet, flamengo, do chão.

mercadinho são josé, do tapume


biblioteca da unirio, da calçada.

praia de botafogo, no chão

café do atêlie da imagem

clarice lendo na sala amarela.

supermercado zona sul, das maças.

telemar, do postinho


tv. euricles de matos, laranjeiras, do lixo.


instituto benjamin constant - urca

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

OS TRAPALHÕES



Passeando pela blogsfera encontrei esse vídeo sensacional. Dei muita risada, imperdível!

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

PALADAR REFINADO?

Saramago disse hoje no seu Caderno: "Meter uma lagosta viva em água a ferver e cozinhá-la ali é uma velha prática culinária no mundo ocidental. Parece que se a lagosta já for morta para o banho, o sabor final será diferente, para pior. Há também quem diga que a rubicunda cor vermelha com que o crustáceo sai da panela se deve justamente à altíssima temperatura da água. Não sei, falo por ouvir dizer, sou incapaz de estrelar convenientemente um ovo. Um dia vi num documentário como alimentam os frangos, como os matam e destroçam, e pouco me faltou para vomitar. E outro dia, que não se me apagou da memória, li numa revista um artigo sobre a utilidade dos coelhos nas fábricas de cosméticos, ficando a saber que as provas sobre qualquer possível irritação causada pelos ingredientes dos champús se fazem por aplicação directa nos olhos desses animais, segundo o estilo do negregado Dr. Morte, que injectava petróleo no coração das suas vítimas. Agora, uma curta notícia aparecida nos jornais informa-me de que, na China, as penas de aves destinadas a recheio de almofadas de dormir são arrancadas assim mesmo, ao vivo, depois limpas, desinfectadas e exportadas para delícia das sociedades civilizadas que sabem o que é bom e está na moda. Não comento, não vale a pena, estas penas bastam."

E os caranguejos que também vão pra água fervente ainda mexendo as garrinhas? E o tal do patê de Foie Gras (literalmente fígado gordo) que é produzido a partir das maiores atrocidades contra os gansos? Ultimamente tenho colaborado muito pouco com a matança de animais e o descaso com a natureza. Procuro ser uma consumidora consciente, uso e abuso dos alimentos orgânicos, ecologicamente corretos e tal... Evito ao máximo qualquer desperdício com os alimentos. Reduzi drasticamente o consumo de carnes, qualquer uma delas. Mas os alimentos orgânicos são muito mais caros e nem sempre posso comprá-los como gostaria. Adoro picanha, feijoada e salaminho, mas como com a felicidade de uma criança uma proteína de soja bem preparada ou um belo ovo caipira estrelado. E assim vou, procurando um equilíbrio para não deixar a balança pender muito para o lado de lá. O corpo também agradece!

TODAS AS CORES

LA LUNA

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

DA CABEÇA AOS PÉS

Andando pelo Flamengo hoje à tarde, com uma pressa danada para pegar minha filha na escola, parei impaciente num sinal vermelho e fiquei esperando. Devo ter ficado ali alguns segundos, mas foi o tempo suficiente para receber um surpreendente elogio por parte de um homem que, como eu, esperava o sinal abrir. Ele me olhou e de cara disse: "Acho tão bonito flores no cabelo, as mulheres deveriam se enfeitar mais com flores! Seus pés também são lindos!". E com um sorriso de lado atravessou a rua correndo me dando um tchauzinho. Foi tudo tão breve que nem me lembro direito da pessoa. Fiquei admirada com o poder de observação desse homem, geralmente são as mulheres que são rápidas assim para olhar e comentar. Como ele podia ter certeza que a minha flor era de verdade? Como ele pode olhar para os meus pés e para o meu cabelo em segundos e ainda me dizer o que estava pensando? Sua voz era bonita e ficou ressoando na minha cabeça entre buzinas e o barulho de automóveis passando. Eu adoro o lirismo das flores no cabelo, flores naturais. Minha maior inspiração nesse sentido sempre foi Lady Day. Tenho grande admiração por Billie Holiday, não só pela sensualidade de sua voz, mas também pelo luxo da bela flor de gardênia que exibia nos cabelos quando se apresentava em público. Depois disso o sinal abriu e continuei meu trajeto, agora com menos pressa. Fiquei, no entanto, pensando: onde é que eu vou encontrar uma flor de gardênia?

domingo, 8 de fevereiro de 2009

FUMAR ERA SONHAR


Muito antes do cowboy da Marlboro entrar em cena ou da década de 80 vincular imagens de esportes radicais e cigarros, a publicidade da insdústria do tabaco vivia da sedução e do glamour da imagem feminina. A propaganda de cigarros sempre foi extremamente criativa e bonita. Atrizes famosas do cinema mundial como Rita Hayworth, Marilyn Monroe, Marlene Dietrich, entre outras, foram fotografadas com piteiras e cigarros à mão, imagem que correspondia com a emancipação e o requinte das mulheres nas primeiras décadas do século XX. As imagens abaixo são de comerciais ou de capas da antiga Revista Souza Cruz.
Musa inspiradora. 1917
Brejeira, 1932
A enigmática. 1921-1951.
Ousada. 1931-1933.
Antropomorfismo. 1920.
Um camafeu, 1918-1929.
Cigana e sedutora. 194-1941.
Liberdade. 1918-1959.
Homenagem. 1918-1923.
Insinuante. 1931
Sensualidade, ousadia. 1915.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

EU POR ELA

Nora Fortunato, a violoncelista mais bonita que já conheci, presenteou-me nessa bela manhã de sábado com palavras tão especiais que vou repetí-las aqui, menos por minha modéstia que pela beleza da sua poesia. E nem vou ficar reproduzindo clichês sobre as amizades e os belos encontros. Mas como é bom poder compartilhar afetos, risadas, besteiras (muitas, são a nossa especialidade!!) e o incondicional amor de e pelas nossas filhas! Ontem passamos um dia lindo com praia, banho de mar, piscina, cervejas (etc e tal...), almoço com os amigos, mordomias, passeio pelo aterro do flamengo com direito a flores colhidas pelas meninas. Uma jornada de cheia bons augúrios! A minha vida estará sempre aberta, você não precisa pedir licença Nora!

Sei que em algum canto está ela retratando cheiros e cores para reflexos que poderiam passar imunes não fosse sua graciosidade e sutileza . Ela apalpa uma flor, sente sua textura, se pudesse degustaria com a boca esta flor . Para quê? Para entendê-la, captá-la, sentí-la? Chuto o verbo saborear. Seu sorriso tem a ver com um lado infantil de conhecer. È um sorriso do observador que penetra o que escolheu. Com ela, vem toda uma forma de olhar, de estar Ela contribui para o mundo dos seus amigos. Com ela me emancipei.

uma descrição do que Andrea Lion é, para mim

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

o dia tá lindo.
o calor insuportável.
não tenho dinheiro.
vou sair a tarde.
tomar banho de mar.
fritar no sol.
comprar acetona e jornal.
censurar algumas cores.
ver o mar em preto e branco.
desligar-me daquilo que me amarra.
sintir-me uma barata tonta
de sol e calor,
pronta para ser mordida.
mas não quero carne de ninguém.
sonhei com ele hoje,
no melhor do nosso tempo.
mas não paro pra pensar nisso.
acordei ao lado de uma coisa boa
que num abraço despediu-se
e com meu rosto entre suas mãos beijou-me a boca.
arrumo minha bolsa,
filtro solar, água e um livro do leminski.
de vez em quando,
só a poesia me salva.

Quadro de Monica Lion

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

EDWARD CURTIS


Aproveitando a deixa da minha amiga, poeta, musicista e comediante Nora Fortunato, vou falar um pouco de Edward Curtis, fotógrafo norte-americano. Curtis nasceu em 1868 e seu interesse pela fotografia e pelos índios de seu país foi bastante precoce. Autodidata, confeccionou sua própria camera e começou a fotografar os nativos da região de Seatle, lugar onde morava, em um projeto que hoje resulta em 20 volumes de textos, 20 pastas e aproximadamente 2.500 imagens intituladas The North American Indian. Seu trabalho talvez seja o mais importante registro norte-americano de identidade visual dos costumes e tradições dos vários povos indígenas ancestrais do país. Curtis tinha consciência da morte dessas culturas nativas com a chegada das novas malhas ferroviárias, a expansão territorial, entre outros fatores... Os retratos são impressionantes, a força de cada linha do rosto de homens e mulheres que em poucos anos teriam seus descendentes dizimados de suas terras são de uma realidade brutal. No Brasil talvez possamos comparar o trabalho de Curtis com a pesquisa etno-fotográfica de Cláudia Andujar, fotógrafa que dedica sua vida ao conhecimento e registro da cultura yanomami. Quem mora ou vai a Curitiba poderá apreciar a exposição o "Legado Sagrado" de Curtis que está na Galeria da Caixa até 1 de março de 2009. Espero que essa exposição venha logo para o Rio de Janeiro. E quem tiver intresse em conhecer virtualmente alguns dos incríveis retratos desse fotógrafo aventureiro é só clicar aqui.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

CLARICES

Laranjeiras e Cosme Velho andam ganhando por suas ruas vários desenhos em 'stencil', essa técnica de desenho em papelão ou chapa vazada. Já cruzei com Friedrich Nietzsche, Clarice Lispector e a clássica "seja vegetariano". Não resisti nesse domingo à noite quando eu e minha filha cruzamos com um deles ao descer a rua do Cosme Velho em direção à Rua das Laranjeiras, nosso "caminho da roça", e fiz a foto com as duas Clarices. Duas inspirações... E agora me lembrei que li 'não sei onde' (acho que no JB) uma matéria sobre uma garota que tira fotos de pessoas nas ruas segurando um livro ou uma foto de Clarice Lispector na intenção de divulgar e estimular a leitura de sua obra. Sei que ao menos curiosidade esse trabalho vem despertando nas pessoas. Creio que a idéia do 'stencil' deve ser um pouco por aí. Vou ver se recupero essa leitura e acrescento aqui a referência correta!!

sábado, 31 de janeiro de 2009

ATAVISMO

De Quino. Sim, o mesmo que desenha a Mafalda.
Porque hereditariedade é coisa muito séria!

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

MENINA E MENINO



clarice e victor hoje de manhã em ipanema.
porque areia é brincadeira de menino e de menina.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

PINHOLE

Semana de trabalho intenso na oficina de pinhole do Ateliê da Imagem. Fotografamos sem lentes ou qualquer aparato parecido com máquina fotográfica. Caixas de fósforos fiat lux e filme colorido ASA 100 transformaram-se nas minhas mãos na ultra revolucionária câmera Pin-Okia! Depois publico aqui as imagens feitas a partir da Pin-Okia. As fotos que seguem foram feitas em uma lata azul de panetone. Uma lata gigante que abriga perfeitamente uma folha de papel fotográfico no tamanho18x24. O processo de trabalho na oficina ministrada por Leandro Pimentel é todo artesanal, possibilita a reciclagem de vários materiais e é altamente inspirador. Mas não vão pensando que se trata de brincadeira de criança! A técnica do pinhole é desenvolvida por cada um, é certo, mas exige imensas experimentações e uma pesquisa séria. E é uma delícia, uma viagem ao que para mim é a essência da fotografia, a experimentação com a luz e o exercício de criação de uma linguagem visual.

'praia vermelha' - negativo em papel agfa vencido, dia de chuva,
12 minutos de exposição


'praia vermelha' - cópia positiva.

'movimento dos barcos'
- negativo em papel agfa vencido,
dia de sol,
3 minutos de exposição.

'movimento dos barcos', cópia positiva.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

RECEITA




cebola, alho, beringelas, tomate, dedo-de-moça, salsinha.
tudo bem picadinho.
azeite extra-virgem, uma boa massa.
sal, água e calor.
alguns amigos, uma boa bebida e um bom apetite!
hum........!

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

muito dos meus excessos são pela palavra, pelo uso e abuso da palavra.
palavras, palavras.
vontade de falar e ouvir, necessidade de diálogo comigo mesma.
sinto-me desafiada pelo silêncio, pelo meu silêncio. o silêncio me condena ao exagero, ao devaneio.
ando sempre com papel e caneta. escrevo todos os dias.
esse abundar de dizeres e falas talvez seja um pouco do que me restou do trabalho árduo com a filosofia.
sobejos.
fiquei impregnada pela lida com a palavra, metier dos filósofos, dos poetas e dos escritores.
palavra-escárnio, palavra-lasciva, palavra-pedra.
minha palavra é vítima de mim mesma, sofre da loucura de se fazer viva no papel ou na tela do computador. a brancura sempre desafiadora do papel e da tela...
um vazio que grita aos meus ouvidos: "comete aqui teus pecados. livra-te dos teus silêncios. vem perder-te em tuas ranhuras equívocas. risca em minha pele tua fúria."
e lá vou eu me excedendo no gesto da escrita, gritando meus insanos hieróglifos, arabescos indecifráveis. e vivo assim perpetuando o meu pecado diário, puro vício sub-reptício.

VERÃO




pássaros no céu
ao mesmo tempo
a tinta e o pincel


para o tuninho galante

DRUMMONDIANA



essa flor tanta renda, esse segredo!...

domingo, 25 de janeiro de 2009

CLACLA

fico impressionada com a capacidade da minha filha de quase 6 anos de pintar o sete. ela ama tinta e pincel e pinta uns quadrinhos bem divertidos, às vezes usa os dedos, tudo depende. adora cantar e agora aprendeu a assoviar e eu tenho um passarinho em casa. compõe umas musiquinhas lindas e acabei de fazê-la durmir cantando "fecha os olhinhos pra você durmir, quero que você durma até amanhecer..." canção de ninar feita por ela para as bonecas dela. dança , brinca e ri o dia inteiro, sem parar! afora isso gosto sempre de falar da incrível facilidade que a figurinha tem com a linguagem, seja escrita ou falada. aprendeu a falar com um aninho, já lê e escreve tudo. nunca falou errado. usa adjetivos com uma propriedade assustadora. e hoje me falou: "mãe, lembra que eu ficava muito ansiosa para desenhar no computador? pois é, agora aprendi, vem ver o desenho que eu fiz".

sábado, 24 de janeiro de 2009

FAT FREDDY'S CAT


para o Rogério von Kruger.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

SUPER MAYSA


adorei !!

WHEN YOU'RE AWAY

hoje estou meio fora de órbita.
acordei, tomei café da manhã com minha mãe e minha filha. fiz um 'chai', aquele chá indiano de cravo, canela, cardamomo e pimenta. fiz de tanto a eleonora falar que era delicioso e tal... mas não gostei muito porque o lance leva leite e achei estranho o gosto da pimenta e do leite juntos na boca. adoro pimenta, e ultimamente tenho usado muito a do tipo dedo-de-moça nos meus pratos.
mas o leite uso com muita parcimônia, me enjoa um pouco..
tentei dar cabo na tese de doutorado que tenho que ler mas ainda não consegui terminar...
essa última semana foi uma mistura de susto e surpresa, tive três momentos muito bons de absoluta entrega à mulher que sou. e justo num momento absolutamente maternal, com mãe e filha por perto, o que é um pouco raro.
ando rodeada de um desejo de ser uma coisa nova, mais radiante. e tento, mas não depende só de mim. e acho que é por isso que estou meio sem saber para onde ir.
eu agora ouço when you're away, disco de absoluta grandeza na voz de carmen mcrae. ouço porque me traz uma paz tranquila, e é isso que eu quero ter sempre, o coração tranquilo.
minha filha está rodeada das suas bonecas e minha mãe brinca com ela. elas riem muito.
sinto falta de algumas coisas preciosas que estão sempre na minha vida, entre elas um pouco da rotina do meu dia-a-dia que, apesar de às vezes ser completamente entediante e claustrofóbica, é um pouco necessária para que eu consiga fazer aquilo que tenho urgência.
o tempo anda meio arrastado e eu me arrasto junto com ele.
essa chuva não ajuda muito, muito menos o telefone mudo.